20 de junho, de 2017 | 15:49

Militar agride advogado por causa de confusão sobre time de futebol, em Itaúna

Advogado de 24 anos teria sido agredido após policial, com camisa do Cruzeiro, pensar que ele estava fazendo provocações chamando-o de "Maria"

Reprodução: Facebook
Advogado falava com amiga de nome Maria e acabou agredido por militar cruzeirenseAdvogado falava com amiga de nome Maria e acabou agredido por militar cruzeirense
Devem ser ouvidos nos próximos dias um advogado de 24 anos e um policial militar, de 28, suspeito de se envolver em uma confusão na semana passada em uma boate na cidade de Itaúna, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais. O advogado alega ter sido agredido pelo policial após um mal entendido por conta de um time de futebol.

Marco Túlio Marques Nogueira usou seu perfil no Facebook para contar o que ocorreu. Na postagem pública, feita nessa segunda-feira, ele conta que estava em uma casa de shows na noite do último dia 14, véspera do feriado de Corpus Christi, acompanhado de uma prima e uma amiga. Por volta das 21h, ele foi até o bar buscar bebidas e foi agredido por um homem com socos e cotoveladas. As imagens foram registradas pelas câmeras de segurança, conforme o vídeo que o rapaz publicou na mesma postagem, junto com fotos do rosto ferido e das roupas sujas de sangue. Ele recebeu atendimento médico e levou pontos na boca.

O advogado conta que ficou inconsciente e algumas pessoas o levaram até o banheiro para socorrê-lo. “Após recuperar minha consciência fui questionar a equipe de segurança se já haviam expulsado o agressor, quando um dos seguranças me informam (sic) que sim e que o agressor se identificou como Policial e afirmou que nada ocorreria com ele, pois além de ser um militar eu teria provocado chamando-o duas vezes de Maria (o agressor estava com a blusa do Cruzeiro)”, alega o advogado, no texto publicado na rede social.

Nogueira continua. “Realmente por diversas vezes falei o nome Maria, mas não direcionado ao agressor, mas sim para minha amiga que seja chama Maria (…). Fui levado ao hospital, para dar pontos na boca, e ser atendido por um médico”, diz. O advogado disse que está tomando todas as medidas legais contra o agressor.

A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que o caso é investigado como lesão corporal e está com o delegado Diego Lopes. Foi instaurado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e ambos devem ser ouvidos nesta semana.

Por meio de nota, a 5ª Companhia da Polícia Militar Independente de Itaúna informou que, na madrugada do dia 15, o advogado esteve no quartel e registrou um boletim de ocorrência. Ele voltou ao quartel ontem e formalizou denúncia contra o policial militar junto ao setor específico. “A princípio, o caso será investigado pela Polícia Civil, por se tratar de crime comum. No âmbito da PMMG será instaurado um procedimento administrativo para apuração do ocorrido, observando-se os preceitos constitucionais da ampla defesa e do contraditório, conforme previsto na legislação vigente. O policial militar apontado como agressor poderá apresentar sua versão no decorrer do processo apuratório”, finaliza a Companhia.

Nogueira disse que passou por um exame de corpo de delito na manhã desta terça-feira e confirmou que fez a representação no quartel para que seja aberto um processo administrativo contra o policial. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Itaúna também acompanha o caso. O advogado também disse que recebeu apoio da casa de shows, que já entrou em contato com ele. O rapaz também foi socorrido por um dos funcionários. “Eu fiquei indignado, porque depois eu fui saber que é um policial. Uma pessoa paga pelo estado, treinada para defender a população, se acontecesse alguma coisa era o responsável, e foi o primeiro a caçar confusão”, enfatizou Nogueira. “Ainda mais depois sabendo o motivo, a futilidade que foi, a agressão que foi. Pensei que tinha sido um soco, depois fui ver o tanto de socos”, disse.
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