30 de junho, de 2017 | 10:27

De Macri, Macron, Putin, Trump e empresários na política

Stefan Salej

Divulgação
A vitória estrondosa de um partido político recém-formado, o “Em marcha”, tanto nas eleições presidenciais quanto nas parlamentares, numa das democracias mais solidamente organizadas do ponto de vista de partidos políticos e da sociedade civil, ou seja, na França, nos leva à pergunta: os partidos políticos como os entendíamos até agora, acabaram?

A vitória do mais jovem presidente francês, Emannuel Macron, em todos os campos políticos, inclusive nomeando ministros não pelos partidos, mas pela representatividade que têm na sociedade civil e pela competência, significa o quê?

Primeiro, esse movimento de gente nova, não compromissada com esquemas políticos arcaicos, antigos, cheios de vícios, nada tem de novo nas recentes mudanças em vários países. O eleitorado procura alternativas que garantam melhor qualidade de vida, maior transparência, que em resumo ofereçam um futuro mais sólido para os cidadãos.

Assim, em suma, já foi a eleição de Obama nos Estados Unidos. E a ela se seguiu a eleição de um empresário imobiliário nova-iorquino, com um discurso absolutamente radical em relação ao governo anterior, para a presidência dos Estados Unidos. Trump.

Na vizinha Argentina, a mudança também foi radical. Depois de 12 anos de kirchnerismo, de marido para viúva, ganhou as eleições um empresário, que tinha, sim, experiência como prefeito da capital, Buenos Aires, mas nas eleições foi "vendido" como gestor e empresário. Aliás, os recém-eleitos no palco mundial, Macri, Trump, Macron, todos vêm da área empresarial (Macron foi bem-sucedido diretor do Banco Rothschild), mas o Tzar da Rússia, Putin, que reorganizou o país, esse não veio, para confirmar a regra, mas surgiu dos serviços secretos.

Essa onda de quebrar os esquemas tradicionais da política, de procura do novo e mais eficiente na gestão pública, está permeando as democracias ocidentais. Mas, também na China, onde a estrutura do Partido Comunista é rígida no comando do país, os que sobem são os eficientes gestores regionais. Mostram a eficácia na gestão de suas províncias, que têm lugar na Praça Celestial.

E como isso fica no Brasil? A aliança espúria entre grupos empresariais brasileiros e política, espera-se, está morrendo. Mas, não morreu. O enfrentamento que estamos vendo entre um empresário da indústria de carnes e o presidente da república mostra claramente em quanto essa espúria aliança entre política e empresariado prejudicou pais. O Brasil vai seguir os caminhos que, por exemplo, estão renovando a França?

Tem líderes que possam, mesmo com críticas ao seu passado, e na área empresarial, em vista da complexidade das relações fiscais e dependência do estado, sempre se acha algo, apresentar ao eleitorado um futuro melhor? Estamos numa encruzilhada onde, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Um nó górdio que, se não for desatado de forma que garanta estabilidade no futuro, será cortado, como na história grega.

* Consultor empresarial, foi presidente do Sebrae MG e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais.
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