20 de julho, de 2017 | 11:00
Tenho um aluno com autismo, o que fazer?
Ana Regina Caminha Braga
Para começarmos a debater o tema, é importante que entendamos o que é o autismo: um distúrbio neurológico que compromete a interação social, a comunicação, seja ela verbal ou não, de um indivíduo. Seus sinais aparecem gradualmente e algumas crianças chegam a alcançar um nível normal de desenvolvimento e depois regridem. E nós, como educadores devemos estar atentos aos sinais emitidos por elas.Patrícia é professora experiente, leciona na escola Educare para uma turma do 3º ano do Ensino Fundamental, e pela primeira vez em todos esses anos de docência, resolveu analisar sua turma percebendo que Gustavo tem apresentado algumas características especificas de um possível autismo. Como não é especialista no assunto, não consegue ter um diagnóstico certo. O que Patrícia deve fazer nesse caso? Para que possa auxiliar o processo e desenvolvimento de aprendizagem do seu aluno?
Geralmente, quem costuma perceber que a criança apresenta algum tipo de especificidade é a família, e depois a escola. Porém, independente disso, precisamos compreender a importância do nosso papel na identificação dessas situações e procurar ajuda com especialistas na área, ou quem possa auxiliar no trato com essa criança, como, por exemplo, psicopedagogos, psicólogos, neuropediatras e psicomotricistas, dentre outros.
O autismo, assim como todas as deficiências, dificuldades e síndromes, tem suas características e é válido pontuar algumas, como a indiferença; a interação com seus pares diferenciada, onde só há interação caso um adulto esteja presente para auxiliar na comunicação; a insistência no mesmo assunto; a falta de contato visual durante a comunicação; a restrição na convivência com outras crianças e a apresentação de resistência a mudanças.
No cerne da prática docente, é preciso explorar as limitações sem modelo, as dramatizações, os desenhos e pinturas, o faz de conta”, a linguagem, permitindo a exploração do jogo simbólico, seja individualmente ou em relação com outras crianças. Afinal, essas práticas são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e a sustentação emocional.
É fundamental perceber que, para essas crianças, o jogo simbólico acontece de outra forma, é preciso incentivar e promover práticas principalmente por meio da imitação, para que a criança se desenvolva de forma harmoniosa e completa.
No entanto, características do autismo podem variar em grau de intensidade e na forma de sistematizar os comportamentos. O relevante é atender esses alunos, oferecendo-lhes uma condição adequada para sua aprendizagem e que atendam suas necessidades, de acordo com a sua realidade cognitiva, afetiva, familiar e social.
A principal orientação é que, independente do caso apresentado pelos alunos em suas especificidades, é preciso buscar parceria com a equipe pedagógica na escola e na família, para que eles também participem e compreendam a importância de seguir as recomendações e busquem por outros profissionais para auxiliar no processo de investigação.
O grande desafio é possibilitar o acesso e a permanência, com qualidade, dos alunos com necessidades educacionais especiais na escola.
* Escritora, psicopedagoga e especialista em educação especial e em gestão escolar. [email protected].
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