29 de julho, de 2017 | 17:49

Brasil e Japão: intercâmbio de tecnologia, cultura e sustentabilidade

Alunos da UFMG visitam país para capacitação idealizada pela siderúrgica multinacional NSSMC

A milenar cultura japonesa é marcante nos mais diversos aspectos. O senso de comunidade, o cuidado com o meio-ambiente e a sua desenvolvida indústria e infraestrutura foram alguns dos temas que chamaram a atenção dos alunos do curso de Pós-Graduação em Engenharia Metalúrgica, de Materiais e Minas (PPGEM), da UFMG, durante a visita de 13 dias ao país do sol nascente, no mês de julho. A viagem fez parte de um intercâmbio tecnológico promovido pelo grupo Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation (NSSMC), reconhecido líder mundial do setor de aço.
Fotos - NSSMC/Divulgação
Victor Freire, Pedro Henrique da Rocha, professor orientador Roberto Parreiras Tavares e Camila Mattioli em Sensou-ji, tempo budista no distrito de AsakusaVictor Freire, Pedro Henrique da Rocha, professor orientador Roberto Parreiras Tavares e Camila Mattioli em Sensou-ji, tempo budista no distrito de Asakusa


O roteiro incluiu visitas técnicas nas usinas de Nagoya e Kimitsu, pertencentes ao grupo. Juntas, são responsáveis pela produção de 16 milhões de toneladas de aço bruto por ano. “Visitamos o Forno 4 com maior proximidade, passando perto dos regeneradores de ar quente. Tive a impressão de ver menos pó no chão e em equipamentos do que em outras usinas que já visitei”, comenta o estudante Victor Freire, que já analisou altos-fornos na Rússia e na Europa.

“Outro comentário importante é acerca da reciclagem de plásticos na coqueria. Os briquetes extrudados de plástico representam apenas 1% da carga a ser coqueificada, porém isso representa cerca de 4% de todo o plástico descartado no Japão! Achei a prática admirável, uma vez que não há impacto na operação do alto-forno, porém é significativo para a sociedade japonesa, uma vez que se obtém um destino ecologicamente responsável para um resíduo gerado em todo o país”, destaca.

Para o diretor para as Américas da NSSMC, Kazuhiro Egawa, o fortalecimento na troca de know-how entre os países sempre foi uma prioridade na empresa. “A Nippon Steel está há 60 anos no Brasil, com a Usiminas, realizando essa troca de conhecimento. Esse intercâmbio de inovação tecnológica foi e continua sendo um dos pilares do desenvolvimento da indústria siderúrgica brasileira”. O Programa de Visitas: De uma ponta a outra representa um dos investimentos da NSSMC na capacitação de profissionais e deve ter continuidade no próximo ano.
Estudante Pedro Henrique da Rocha em frente ao Alto Forno 1, reformado há 10 anos, na Usina de Nagoya, localizada no centro do JapãoEstudante Pedro Henrique da Rocha em frente ao Alto Forno 1, reformado há 10 anos, na Usina de Nagoya, localizada no centro do Japão


“Como pesquisadora, me encantei com o Centro de Engenharia & Pesquisa de Futtsu. A área de Pesquisa e Desenvolvimento recebe grande incentivo financeiro por parte da NSSMC e, por isso, a empresa possui diversas patentes por processos, produtos e softwares de simulação desenvolvidos por eles mesmos. Foi muito interessante ver como a empresa NSSMC valoriza a área de P&D e entende a importância dos pesquisadores para a evolução de seus processos”, aponta a mestranda em Engenharia Metalúrgica da UFMG, Camila Mattioli.

Cultura

A comitiva, composta ainda pelos alunos Guilherme Soares, Pedro Henrique da Rocha e Marcos Auad e a tradutora Helena Yukiko Tanaka, também visitou a fábrica da Toyota e destinos culturais. Entre eles, um dos bairros mais antigos de Tóquio, o Asakusa, e o bairro Akihabara - mais tecnológico e com muitas opções de lojas de anime, mangá e cosplay.

O momento mais histórico da viagem foi o passeio pela cidade de Kyoto, na região centro-sul do país. Conhecida como a alma e essência da cultura japonesa, a antiga capital é o baluarte das tradições locais. “Os templos Koudai, Kiyomizu e Kinkaku, com sua arquitetura refinada, são por si só um espetáculo”, afirma o professor-tutor da UFMG, Roberto Tavares. “A viagem ao Japão mostrou para os alunos e para mim outra forma de viver em sociedade, pensando em longo prazo, preservando o passado, respeitando o meio ambiente e preparando as futuras gerações”.
Aciaria é a unidade na usina siderúrgica onde o ferro-gusa é convertido em aço. Foto na Usina de Kimitsu, do grupo Nippon Steel, perto de Tóquio (Japão)Aciaria é a unidade na usina siderúrgica onde o ferro-gusa é convertido em aço. Foto na Usina de Kimitsu, do grupo Nippon Steel, perto de Tóquio (Japão)


Sobre a Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation (NSSMC):

Fundada em outubro de 2012 através da fusão entre Nippon Steel Corporation e Sumitomo Metal Industries, Ltd., a Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation (NSSMC) é líder mundial em produção integrada de aço. Produz uma ampla gama de produtos siderúrgicos de valor agregado, em mais de 15 países, assim como nas 13 usinas no Japão. A empresa enfatiza três áreas de negócios como áreas estratégicas chave: produtos de aço de alta qualidade para automóveis; recursos e energia; e engenharia civil, construção e ferrovias. A NSSMC é uma holding com 5 operações: siderurgia, engenharia, produtos químicos, novos materiais e soluções de sistemas. O grupo emprega aproximadamente 92 mil funcionários e registrou no último ano fiscal (encerrado em 31 de março de 2017) um lucro de 174,5 bilhões de ienes (1,6 bilhão de dólares).

Legenda foto 1 (na ordem): Victor Freire, Pedro Henrique da Rocha, professor orientador Roberto Parreiras Tavares e Camila Mattioli em Sensou-ji, tempo budista no distrito de Asakusa.
Legenda foto 2: Estudante Pedro Henrique da Rocha em frente ao Alto Forno 1, reformado há 10 anos, na Usina de Nagoya, localizada no centro do Japão.
Legenda foto 3: Aciaria é a unidade na usina siderúrgica onde o ferro-gusa é convertido em aço. Foto na Usina de Kimitsu, do grupo Nippon Steel, perto de Tóquio (Japão).

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