12 de dezembro, de 2017 | 18:48

Vale do Aço registra 4.863 casos de dengue, chikungunya e zika vírus

Wôlmer Ezequiel
Os resultados do LIRA’a foram apresentados pela Superintendência Regional de Saúde, em Coronel FabricianoOs resultados do LIRA’a foram apresentados pela Superintendência Regional de Saúde, em Coronel Fabriciano
A Superintendência Regional de Saúde (SRS), em Coronel Fabriciano, apresentou, na tarde desta terça-feira (12) os resultados do Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) dos 35 municípios que compõem a região de saúde do Vale do Aço. Também foram anunciadas estratégias destinadas a melhorar a situação nos quatros municípios da Região Metropolitana (Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso), que tiveram ao todo quase cinco mil casos prováveis (entre confirmados e suspeitos) de dengue, chikungunya e zika vírus. Os dados referem-se a notificações do mês de janeiro ao começo de dezembro.

O objetivo do LIRAa é identificar as áreas das cidades com mais proporção e ocorrência de focos do mosquito Aedes aegypti. As informações obtidas nesse levantamento possibilitam a intensificação das ações de combate ao mosquito, como mutirões, vistorias mais detalhadas, entre outras medidas, anunciam os técnicos da SRS.

De acordo com o Boletim Epidemiológico de Monitoramento, na região foram registados, ao todo, 4.863 casos de dengue, chikungunya e zika vírus. Dentre esse número, 2.200 são de Ipatinga, 933 de Coronel Fabriciano, 400 de Timóteo e 82 de Santana do Paraíso.

A superintendente regional de Saúde, Déborah Cabral, esclarece que os focos do mosquito ainda permanecem, em sua maioria, dentro das residências. Por isso, é importante insistir nos cuidados básicos em relação ao controle dos focos e nos cuidados extras que são de conhecimento da população.

“Há pelo menos 30 anos, os locais de foco do Aedes aegypti continuam praticamente os mesmos, como caixa d’água destampada, vaso sanitário que não é usado e fica exposto, vaso de planta, vasilhas de animais com água, pneus, brinquedos que ficam jogados e que acumulam água. Tudo isso são focos em locais que a própria população deveria ter total controle e domínio para eliminarmos”, afirma.

Municípios que não fizeram pesquisa terão recursos bloqueados

Conforme a coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, Ambiental e Saúde do Trabalhador, Rejane Balmant Letro, apenas quatro munícipios, dos 35 da área de abrangência da SRS, não participaram da pesquisa. Estão sem a pesquisa, Belo Oriente, Mesquita, São Domingos das Dores e Santa Rita de Minas.
“Segundo o Ministério da Saúde, esses munícipios terão os seus recursos da Vigilância da Saúde bloqueados a partir de quinta-feira (14) até que regularizem sua situação. A última pesquisa realizada demonstrou que temos 11 municípios em estado de alerta e 20 em estado satisfatório”, destaca.

Índice de chikungunya teve aumento este ano na região

A referência técnica em Arboviroses, Camila Caetano Bispo Subtil, informou que desde o ano passado a região tem a circulação do vírus chikungunya, mas a partir deste ano foi observado um aumento do número de casos dessa doença, diferente da zica, em que o surto foi em 2016. E junto com essas duas, também tinha a dengue para lidar ao longo desses anos. “Em 2017, a circulação da dengue foi insignificante, porque foi um número menor de casos, mas teve um aumento de chikungunya, que foi trazido por pessoas de fora. Estamos com uma expectativa de que continue aumentando, caso não seja introduzido ações de combate. Só em Minas Gerais tivemos 12 óbitos confirmados por causa de chikungunya, dos quais, um desse era de Ipatinga”, ressalta.

Ações
Camila acrescentou que a SRS já definiu ações específicas, como uma reunião no dia 19, com os responsáveis por esses municípios, que estão em alerta. “Além disso, terá intensificações nas ações de campo, alerta dos profissionais de saúde e nos hospitais, e acompanhamento dos indicadores previstos no plano de contingência”, afirma.

Transmissão
A referência técnica também esclareceu sobre a hipótese de o Aedes aegypti transmitir dengue, chikungunya e zica ao mesmo tempo. “Ainda não existe um estudo que comprova que o mosquito consegue transmitir em uma picada as três doenças de uma vez, porém, já foi identificado que o vetor carrega mais de um vírus”, observa.

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