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28 de fevereiro, de 2018 | 01:00

TJMG julga hoje a complementação dos aposentados da prefeitura de Ipatinga

Aposentados estão desde 2015 sem receber regularmente a complementação criada em 1994 sem o fundo complementar

Wôlmer Ezequiel
Aposentados estão desde 2015 sem receber regularmente a complementação da Prefeitura de IpatingaAposentados estão desde 2015 sem receber regularmente a complementação da Prefeitura de Ipatinga


O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), subsede de Ipatinga, reforçou a defesa dos servidores e servidoras aposentados (as) do Município de Ipatinga protocolando a manifestação final desta fase do processo – chamada de memoriais – no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que iniciará o julgamento da constitucionalidade da Lei 1.311/94 nesta quarta-feira (28) na sede da avenida Afonso Pena.

O tribunal deve ser reunir a partir de 9h30, para discutir a legalidade da complementação das aposentarias dos servidores municipais, especialmente em razão da ausência de contribuição ao longo dos anos, por omissão do poder público na regulamentação do fundo complementar.

O fundo deveria ter sido criado por iniciativa do Poder Executivo, para financiar o benefício. Ele está previsto desde a criação da lei pelo então prefeito João Magno, em 1994. O Sind-UTE/MG argumenta que os servidores não podem ser prejudicados pela falha dos gestores, bem como defende a constitucionalidade da lei com base na própria Constituição Federal.

Aponta, ainda, que o relatório do Tribunal de Contas, que ampara parcela das justificativas da Prefeitura de Ipatinga para afastar o direito dos trabalhadores, é inconclusivo e admite que foi realizado com pouquíssimos documentos, o que torna inviável sua utilização. Por fim, sustenta que a eventual inconstitucionalidade não pode afetar o direito daqueles que já se aposentaram com base na lei.

Ainda na manifestação, que será reforçada em defesa oral pela advogada Edilene Lobo durante a sessão de julgamento, o Sind-UTE/MG reforça a necessidade de o poder público tomar as medidas necessárias para corrigir seu erro, ou seja, retomar a tramitação do projeto de lei que cria o Regime Próprio de Previdência do Servidor bem como criar o Fundo de Complementação, conforme determinado em lei.

Em fevereiro de 2017, o Tribunal de Justiça concedeu medida liminar para suspender a concessão de novos benefícios previdenciários com base na lei questionada, até o julgamento final da ADI. Desde então, os servidores do Município estão se aposentando sem a complementação. No entanto, mesmo com a decisão expressa de que fossem mantidos os benefícios dos que já estavam aposentados, o Município se recusa a pagar. Por outro lado, há dezenas de decisões determinando o pagamento, em caráter liminar, em ações individuais de cobrança, concedidas pelo juiz da Vara da Fazenda Pública.

Desde 2015, os aposentados não recebem as complementações regularmente, tendo sido os pagamentos definitivamente suspensos a partir de maio de 2016, no governo Cecília Ferramenta (PT). Já em 2017, até mesmo os empréstimos consignados e planos de saúde debitados em conta não são mais pagos pelo Município, deixando os aposentados em situação de extrema dificuldade.

Presença em BH

“É a nossa vida e a de nossos familiares que está em jogo”. Assim, a professora aposentada Edina Cassimiro do Nascimento, de 53 anos, que se desligou da prefeitura em 2016, resume o sentimento dos 94 aposentados que, na madrugada desta quarta-feira, partiram de Ipatinga em direção a Belo Horizonte para acompanhar o voto dos desembargadores que integram a Corte Especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Mais do que julgar a constitucionalidade de uma lei, os membros do Judiciário vão decidir vidas e destinos de cerca de duas mil pessoas e dos integrantes de sua família.

A caravana, que tem Edina como uma das organizadoras, contou com a solidariedade dos familiares dos aposentados e com o esforço daqueles que não poderão ir para conseguir qualquer ajuda que fosse – em pequenas contribuições financeiras ou lanches – para que a categoria pudesse estar presente no dia que pode significar o desfecho positivo de uma angústia que já passa de três anos. “Mesmo com todas as dificuldades, todos buscaram uma maneira de se fazer presente, seja fisicamente, seja com uma contribuição recolhida de familiares e amigos, criando uma verdadeira onda de fraternidade que vem guiando os nossos passos desde o início desta luta”, afirma Edina.

Na verdade, os aposentados se fazem presentes em todas as frentes de batalha, já tendo enfrentado inclusive quase 24 horas de ônibus até Brasília, para participar de audiência pública. Sobre o julgamento desta quarta, Edina faz um apelo aos homens de toga: “não apaguem a esperança que ainda temos de que é possível fazer justiça neste País”.
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Comentários

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Edna Silva

28 de março, 2018 | 10:51

“Gostaria de saber como ficou resolvido sobre a complementação dos aposentados da prefeitura de ipatinga. Alguma definição?”

Maria das Graças

04 de março, 2018 | 12:50

“Quando aposentamos com certeza trabalhamos mais de 25 anos no serviço público. Nos não temos autonomia para criar o fundo de participação dos funcionários. Não é justo pagarmos pela INCOMPETÊNCIA dos GESTORES (PREFEITOS). Quando interessa a eles, tudo e encaminhado. perdemos ganho de todos os demais funcionar os, como fundo de garantia, e todos os ganhos trabalhistas. Essa situação foi criada desde a CONSTITUIÇÃO de 1988. A lei foi criada dentro da constitucionalidade. A Dra Cecília mudou a lei , maldosamente (para não dizer mal intencionada) para entrar com a ADI. Vencemos. Trabalhamos e mrecemos.”

Laudaete do Carmo Arcanjo

04 de março, 2018 | 10:44

“https://youtu.be/UJLaRTjwH7U

Entrevista com Jose Ramos na Tv Caravelas falando sobre a complementação dos aposentados da rede municipal de Ipatinga.

Entrevista com Marcione Menezes, presidente do sindicato dos servidores públicos de Ipatinga, também na Tv Caravelas, esclarecendo sobre o assunto acima citado.

https://youtu.be/LWZCqTbTI38

Sugiro que vc assista até o fim estas duas entrevistas esclarecedoras para se informar sobre o assunto antes de se pronunciar sobre algo complexo e que vc não entende.”

Ana

04 de março, 2018 | 09:58

“Há uma norma jurídica que prima pela manutenção de direitos aos quais seus detentores não tiveram a responsabilidade de instituir. Isso quer dizer que embora o poder executivo aos longo dos anos prejudicou aos futuros aposentados não cumprindo um dever constitucional de criar um fundo contributivo de previdência própria e não recolhendo na fonte salarial dos servidores. O legislativo atual assume o seu erro pelos mandatos passados por nada terem feito. Por isso é réu no processo. Entretanto esteve ao lado dos vitimizados na luta. A justiça já se posicionou. Cabe aos poderes executivo e legislativo solucionar o problema. Opiniões capiciosas em nada mudarão o direito conquistado na justiça.”

Elber Soares

28 de fevereiro, 2018 | 10:24

“Pra mim a conta é simples... Sem contribuição sem beneficio! se fosse um salario minimo concerteza a justição determinaria o pagamento, mas todos estão recebendo pelo INSS que é o que realmente contribuiram.. Essa Edna mesmo mencionada na materia recebe mais de 4 mil por me so de complementação sem nunca ter contribuido!”

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