05 de abril, de 2018 | 15:10

Missão Cumprida

Ronaldo Soares *

É com esse sentimento que conversei ontem, em meio ao jogo do galo na Copa do Brasil, com o executivo Paolo Bassetti que anunciou sua saída, após 10 anos, do grupo Ternium Tecchint.

Bassetti, ao longo dos últimos três anos foi presença constante em Ipatinga e os s encontros com a imprensa regional me possibilitaram conhecer um pouco mais da cultura italiana e da forma que se pensa negócios no 1º mundo. Paolo era muito claro nas suas opiniões e de resiliência incrivelmente fantástica. O desgaste que foi a contenda entre o grupo ao qual trabalhava e a Nippon Steel, ambas sócias do bloco de controle da Usiminas, fez com que, supostamente, tenha entendido que cumpriu sua missão. As disputas judiciais meio a uma grave crise financeira pela qual a siderúrgica passava lhes foram testes para cardíacos (parafraseando Galvão Bueno).

Posso imaginar que muitos sacrifícios pessoais foram feitos, dada a gravidade da crise vivida pela Usiminas e, sobretudo, as conturbadas disputas no Conselho de Administração da Empresa. O vai e vem de liminares, desencontros de informações eram traduzidos com muita intensidade para que a opinião pública, imprensa, acionistas, bolsa de valores e demais stakeholders pudessem ter a dimensão fiel dos fatos foram muito desgastantes.

Paolo abriu diálogo com a sociedade civil organizada, poder público e parceiros empresariais. Avalizou a gestão do presidente Sergio Leite de Andrade, procurou dar condições mínimas para que as estratégias para o soerguimento da empresa fossem implementadas. Procurou disseminar segurança para os empregados da empresa para que cada um, no limite do seu cargo, desse o melhor e acreditasse que era possível recuperar e reconduzir a Usiminas a sua posição de destaque no mercado nacional e internacional.

O “italiano” como chamávamos nas entrevistas, demostrava preocupação com o impacto das tecnologias nos negócios. A leitura que me proporcionou, por exemplo, foi o best seller “Homo Deus” – Uma breve história do amanhã - do israelense Yuval Noah Harari que propõe uma reflexão sobre as ocupações atuais em um futuro cuja a inteligência artificial será mais competente que o homem em quase tudo. E olha que a indústria 4.0 só está começando e Paolo, com seu gesto, demonstrou que o futuro é algo que precisa ser dominado pelos homens de negócios e não que os domine.

Paolo era avesso às entrevistas de vídeo (talvez até as entrevistas em impresso ou sonora). Uma vez, tentei pegá-lo de surpresa em um evento, mas acabou saindo pela tangente deixando me um material exclusivo que não proporcionou qualidade publicá-lo.

Ainda poderemos nos reencontrar até o fim do prazo estabelecido para início do mês de julho. Mas, sabemos que, agora também esse ciclo se fechou com o acordo dos acionistas assinado em fevereiro. Negócios Já! nosso programa de TV, comentário de rádio, revista, jornal e por fim portal foram canais importantes desse momento da história do Vale do Aço. Nós, também, temos o mesmo sentimento de missão cumprida: informamos, opinamos e torcemos para que tudo acabasse bem. E acabou.

* Consultor
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