30 de abril, de 2018 | 15:40
DIA DO TRABALHADOR: O QUE COMEMORAR?
Luiz Carlos Miranda *
A revolução industrial 4.0, que vai extinguir centenas de profissões, já é realidade”O Brasil e os brasileiros estão preparados para mudanças tecnológicas?”
Nesse 1º de Maio de 2018 é justo e legítimo comemorar mais um Dia do Trabalhador, especialmente por aqueles que, independentemente do cenário adverso na política e na economia, fazem o país andar pra frente. Mas e em relação aos 13,7 milhões de trabalhadores que perderam o emprego somente nos primeiros três meses deste ano? O que argumentar sobre essa triste realidade que penaliza, sobretudo, os mais pobres e sem instrução?
Com raras exceções, datas comemorativas não surgem a partir de eventos felizes ou festivos. O Dia do Trabalhador é um exemplo disso: este dia marca a luta de dezenas de trabalhadores mortos pela repressão policial por reivindicarem melhores condições de trabalho no século XIX. Muita coisa mudou nas relações trabalhistas ao longo dos anos, algumas pra melhor, outras nem tanto.
Mas sem querer ser pessimista ou parecer o dono da verdade o momento serve também para aprofundar e entender o que faz o nosso país continuar sendo o Gigante Adormecido” com suas imensas riquezas permanecerem concentradas, agravando a cada dia a distância entre os mais ricos e os mais pobres.
Em pleno século XXI, o Brasil possui 52 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza, ou seja, sobrevivendo com menos de R$ 5 por dia. E o que dizer dos cerca de 18 milhões de analfabetos, num mundo altamente conectado e praticamente sem fronteiras? Na área de segurança, os números assustam. Mortes por homicídios ou por acidentes de trânsito são maiores do que a guerra da Síria e do Oriente Médio. Parece absurdo e é exatamente isso mesmo: uma tragédia.
Por mais contraditório que possa parecer, o centro da questão é político. Virou lugar comum no Brasil dizer que todo político é corrupto e ladrão. Essa percepção só contribuiu para afastar ainda mais as pessoas de um assunto que está diretamente ligado às nossas vidas. Questões relacionadas à educação, saúde, segurança pública, economia, enfim ao nosso dia a dia, passam pela política.
Hoje se conversa de tudo, menos de política. Se tornou assunto proibido entre os amigos, na família, na igreja, nas praças e em conversa de bar. É mais fácil criticar, falar mal; mas fazer e colocar a mão na massa, dispor de um tempo para dar a sua parcela de contribuição é outra história.
Há estudos segundo os quais o Brasil daqui a dez anos será a 6ª economia do mundo. A revolução industrial 4.0, que vai extinguir centenas de profissões e postos de trabalho, já é realidade. Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: e o Brasil e os brasileiros estão preparados para essas mudanças?
Penso que a hora é de a gente começar a assumir responsabilidades, tomar partido e sermos donos dos nossos posicionamentos. Mudar a rotina do binômio casa-trabalho e participar mais da vida da nossa comunidade, do nosso bairro e da nossa cidade, afinal de contas é que aqui que as coisas acontecem. Precisamos assumir e responder por nossas escolhas. Lembrar em quem votamos para nos representar e poder cobrar melhorias na saúde, educação, segurança e empregos. Feliz Dia do Trabalhador.
* Advogado e membro do Conselho de Administração da Usiminas
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