09 de maio, de 2018 | 16:15
Instituto do Aço defende adoção de medidas para estimular o crescimento da indústria nacional
Uma das preocupações da entidade é a forte presença da China no mercado nacional
Com o resultado das vendas internas em 4,4 milhões de toneladas de aço no 1º trimestre de 2018, representando um crescimento de 11,4% na comparação com os três primeiros meses do ano anterior, a indústria brasileira do aço teve um desempenho positivo. Além disso, o consumo aparente atingiu 5 milhões de toneladas, com crescimento de 9,6% em relação ao 1º trimestre do ano anterior, sustentado pelo crescimento das vendas internas.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Aço Brasil durante um seminário para jornalistas, realizado terça-feira (8), em Belo Horizonte. O evento contou a presença do presidente do Conselho de Administração do Instituto Aço Brasil, Alexandre de Campos Lyra; o vice-presidente do conselho, Sergio Leite; o presidente executivo, Marco Polo de Mello, além de outros membros. O Instituto Aço Brasil é uma entidade representativa das empresas brasileiras produtoras de aço. Antigo Instituto Brasileiro de Siderurgia, ele foi fundado em 31 de maio de 1963.
De acordo com o instituto, apesar desses números positivos, a melhoria da atividade industrial nacional tem sido inferior ao esperado, e, portanto, insuficiente para que a indústria brasileira do aço se recupere da pior crise de sua história.
Em entrevista à imprensa, Alexandre Lyra destacou que é necessário adotar medidas para que o crescimento da indústria brasileira do aço não seja interrompido. Um dos pontos ressaltados é a forte presença da China no mercado, que possui um excesso de capacidade atual em mais de 400 milhões de toneladas.
Então para eliminar essa capacidade ociosa chinesa, é preciso exportar. Só que não é apenas exportar aço, ou seja, o produto em si, mas sim o conjunto todo, como equipamentos, máquinas e toda a estrutura necessária. Então essa é uma estratégia do governo da China, que possui uma visão de médio e longo prazo”, afirma o presidente do conselho.
Alexandre Lyra acrescenta que o papel deles é trabalhar para que a China perceba que o Brasil tem uma indústria desenvolvida para que os chineses consumam materiais e produtos fabricados aqui no Brasil. O capital deles é bem-vindo, mas eles devem comprar localmente, porque nós temos competitividade. Temos uma indústria moderna na siderurgia e outras áreas. Então os investimentos são bem-vindos, mas precisam ter uma relação benéfica entre ambos para que tenha crescimento e que o Brasil não sofra uma desindustrialização”, afirma.
Preservação
Já o vice-presidente do Instituto Aço Brasil e presidente da Usiminas, Sergio Leite, defende que é preciso se preocupar com a preservação do mercado brasileiro e empregos, além do bem-estar da população. Nós não somos a favor do protecionismo. Somos a favor da isonomia de mercado, ou seja, a disputa de mercado dentro das mesmas condições. Não se pode, por exemplo, importar um aço para determinado projeto no Brasil e essa importação pagar menos imposto do que o aço produzido no Brasil”, cita Sergio Leite, que assumirá em agosto o cargo de presidente do Instituto Aço Brasil.
Segundo o executivo, o que também não pode ser aceito é a prática de dumping, que consiste em uma ou mais empresas de um país venderem seus produtos, mercadorias ou serviços por preços abaixo de seu valor justo para outro país, visando prejudicar os fabricantes de produtos similares. Então nós temos que cuidar do nosso país, porque se nós que somos responsáveis por atividades importantes não nos preocuparmos em proteger aquilo que é nosso, os outros não farão por nós”, conclui.
Tiago Araújo
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