02 de julho, de 2018 | 14:47
Como sempre
Fernando Rocha
Mesmo sem jogar um futebol de encher os olhos, a Seleção Brasileira foi muito superior ao México no primeiro tempo do jogo de ontem. Criou pelo menos três boas chances de gol com Neymar e Gabriel Jesus, e poderia ter saído com a vantagem no marcador.
O México ensaiou uma marcação adiantada logo no começo, e foi só. Depois dos 20 minutos só deu Brasil, com Neymar e Gabriel Jesus obrigando a bom goleiro Ochoa a fazer pelo menos três defesas difíceis.
No segundo tempo, o ataque brasileiro funcionou logo aos 5 minutos, quando finalmente apareceu o futebol de Wiliam, o melhor da partida, que deixou Neymar na cara do gol para fazer 1 x 0.
A partir daí a seleção tomou conta do jogo e o técnico Tite acertou nas alterações, uma delas, aos 40 minutos, a entrada de Roberto Firmino no lugar do apagado Philippe Coutinho, cabendo ao atacante do Liverpool fazer o segundo gol, em jogada de Neymar pela esquerda, decretando a terceira vitória brasileira por 2 x 0 nesta Copa da Rússia e garantindo a passagem para as quartas de final.
Ao limitado, porém lutador time mexicano, só restou o consolo de poder dizer novamente: Jogamos como nunca, perdemos como sempre”.
Bom começo
Para uma parcela da crônica, onde também me incluo, a verdadeira Copa do Mundo começou agora, nas oitavas de final, deixando para trás a enfadonha fase de grupos com seus bambalas e arimatéias, mas que desta vez conseguiram equilibrar jogos e até mandar um gigante mais cedo para casa, a Alemanha, campeã mundial em 2014 e maior decepção do atual torneio.
A verdadeira Copa começou de fato nesta fase de mata-mata, e não poderia ter sido melhor o primeiro jogo, França 4 x 3 Argentina, não só pela quantidade de gols, mas pelo que proporcionaram de lances e emoções típicas deste que é o maior torneio de futebol do planeta.
Vários foram os destaques, muito mais positivos do que negativos, mas o maior de todos foi, sem dúvida, um jovem de 19 anos, Mbappé, autor de dois belos gols, além de sofrer um pênalti, convertido com muita categoria por outro astro da partida e desta Copa, Griezmann, ambos candidatos a melhor jogador da competição.
A partida disputada em Kazan certamente marcou o fim de um ciclo no futebol da Argentina, que teve Lionel Messi novamente como âncora principal, mais um que se junta ao timaço dos sem Copa”, que já contava com Puskas, Zizinho, Zico, Cruyff e Di Stéfano, entre outros grandes nomes do futebol mundial, que para azar da Copa não levantaram o caneco.
A França, que fez apenas para o gasto na fase de grupos, entrou definitivamente no rol dos favoritos ao título e vai agora encarar a seleção do Uruguai, que superou Portugal de Cristiano Ronaldo, outro que também já está com o seu lugar reservado no time dos sem Copa”.
No melhor jogo, o mais emocionante até agora, a França foi melhor e venceu a Argentina, uma bagunça de seleção, mas que pela força e peso da camisa, quase chegou onde não merecia.
FIM DE PAPO
Na última década, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo dominaram a cena do futebol mundial, se alternando na condição de melhor jogador do mundo. Os dois maiores ganhadores da bola de ouro” em todos os tempos se despediram da Copa logo no primeiro dia das oitavas de final, deixando para trás um vazio. Mas como tudo na vida passa, quem sabe não chegou a hora de gente nova ocupar este espaço?
Vários são os candidatos: Mbappé, da França, é o meu favorito. Mas tem ainda outros craques despontando na Copa da Rússia, como Pogba, Neymar, Philippe Coutinho, De Bruyne, Hazard, Modric, os uruguaios Luizito Suárez ou Cavani, se bem que, neste caso, uma contusão muscular poderá tirá-lo da competição.
Ainda no domingo, outra seleção gigante, a Espanha, campeã de mundial de 2010, foi surpreendida pela dona da casa, a Rússia, de quem nada se esperava antes do início do torneio. Abalada pela troca do treinador faltando dois dias para o começo da disputa, a Espanha não conseguiu deslanchar o seu jogo burocrático, e saiu da competição, onde na verdade nem entrou para valer. De resto, vamos lamentar apenas que não teremos mais a oportunidade de ver Iniesta desfilar o futebol que o consagrou com um dos maiores jogadores de meio de campo em todos os tempos.
O maior exemplo de superação nesta Copa é o do zagueiro Thiago Silva, um dos que mais sofreram com as críticas após o fracasso na Copa de 2014 aqui no Brasil. Ele não quis bater pênalti contra o Chile, chorou no campo, perdeu a braçadeira de capitão, passou até meio esquecido em outras convocações. Mas renasceu a ponto de voltar com moral, de novo ganhou o posto de capitão e é um dos principais líderes da atual equipe comandada por Tite na Copa da Rússia. Quem, como eu, muito o criticou e tinha dúvidas a respeito do seu futebol, agora está com a língua queimada e reconhece que ele está jogando muito bem. (Fecha o pano!)
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