11 de agosto, de 2018 | 09:47

Vira a chave

Fernando Rocha

Divulgação
Chega o fim de semana, e tudo muda quando a chave é virada para o Campeonato Brasileiro. E já está mais do que claro para o torcedor dos nossos principais clubes, sem exceção, que estão paralelamente disputando a Libertadores, Sul-Americana ou Copa do Brasil, que o Campeonato Brasileiro ficou em segundo ou até terceiro plano.

Ou seja: o que deveria ser a principal competição nacional foi relegada a uma posição secundária, perdendo competitividade para os torneios de mata-mata, que além de atrair mais público, ainda têm uma premiação muito mais significativa.

Vários treinadores, não só Mano Menezes no Cruzeiro ou Renato Gaúcho do Grêmio, sem nenhum pudor, têm escalado os reservas em alguns jogos do Brasileiro, privilegiando as partidas dos torneios mata-mata sob o olhar complacente da CBF, que ao aumentar significativamente a premiação da Copa do Brasil, que ainda dá ao campeão uma vaga na fase de grupos da Libertadores, contribuiu decisivamente para esvaziar o que deveria ser o principal atrativo do nosso calendário, o Brasileirão.

O vilão
Com a maior cara de pau, técnicos e dirigentes colocam a culpa das mazelas do nosso futebol no calendário, que chamam de “maluco” - o que não deixa de ser uma verdade -, mas são eles mesmos os culpados, pois nada fazem para mudar este quadro.

Já passou da hora de uma reformulação, a partir da diminuição de datas dos estaduais, o grande vilão deste calendário, que ocupa incríveis 18 datas no início do ano, sem maiores atrativos para o torcedor que o justifique, a não ser as polpudas cotas pagas pela TV e que privilegiam os grandes clubes, que, ao lado das ultrapassadas Federações, verdadeiros cabides de empregos, sentem-se acomodados e não querem largar o osso de jeito nenhum.

Nos principais centros do futebol, sobretudo o europeu, o calendário prevê um campeonato nacional, uma copa nacional e duas continentais, das quais participam clubes distintos.

Aqui nos nossos grotões temos uma quantidade absurda de torneios, além de convivermos com os retrógrados Estaduais e suas 18 datas anuais.

Considerando a diferença média de 20 partidas disputadas por ano, entre os principais clubes do Brasil e da Europa, não há nenhuma dúvida quanto ao vilão dessa história, o verdadeiro entulho, que precisa ser removido ou reduzido de tamanho, para que este nosso calendário deixar de ser “maluco”.

FIM DE PAPO
Para piorar ainda mais a situação, se comparado com o futebol europeu, o Campeonato Brasileiro é muito mais equilibrado e competitivo. Na Europa, as disparidades econômicas e técnicas fazem com que os chamados “grandes” sejam pouco exigidos pelos “pequenos” nos campeonatos nacionais.

Aqui, a maioria dos clubes vive no limite, ao sabor dos resultados que balizam o tempo de permanência dos seus treinadores, e quem se afasta do pelotão da frente logo lança mão de reservas, priorizando os torneios de mata-mata. Já os que disputam na cabeça o título, acabam se vendo obrigados a usar o time principal, assumindo riscos de comprometer toda a temporada.

Um exemplo disso é o jogo de hoje entre Flamengo x Cruzeiro, no Maracanã, logo após o confronto da última quarta-feira pela Libertadores, onde o time celeste venceu de 2 x 0 e encaminhou a classificação para a próxima fase. Vice-líder, apenas um ponto atrás do líder São Paulo, o Flamengo deverá usar seus titulares, mas o Cruzeiro, que vem fazendo uma campanha cheia de oscilações e ocupa a 8ª posição, a 10 pontos do líder, certamente irá entrar com um time reserva, ou “alternativo”, termo usado comumente pelos treinadores.

É difícil entender a política de contratações do Atlético, que acaba de buscar no Uruguai um jovem de 20 anos, Martín Rea, promessa de zagueiro que atuava no Danúbio, clube pequeno daquele país, e de onde trouxe recentemente outra aposta, o meia David Terans, de 23 anos.

Sou totalmente a favor da contratação de jogadores estrangeiros, desde que venham prontos para serem titulares e contribuir com sua experiência, a fim de melhorar o que já temos aqui, não para se valorizar visando futuras negociações. Assim, acho mais sensato aproveitar a própria base, onde são investidos milhões anuais com a finalidade de revelar e formar os próprios atletas.

Todo torcedor do Galo está careca de saber que a defesa é o ponto fraco da equipe. Agora, vá entender: ao invés de contratar um zagueiro experiente, para chegar e resolver o problema da defesa, uma das mais vazadas do campeonato, trouxeram um garoto de 20 anos, um estrangeiro, que terá problemas de adaptação etc. Qual é a lógica? Tem tudo para não dar certo e ir parar na extensa lista de trapalhadas do diretor de futebol, Alexandre Gallo. (Fecha o pano!)
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