27 de agosto, de 2018 | 16:02
Com moral
Fernando Rocha
A vitória de 2 x 1 do Cruzeiro sobre o Fluminense, sábado à noite, o pior dia e pior horário (21h) de jogos neste Campeonato Brasileiro, serviu para duas coisas: interromper o incômodo jejum de seis rodadas do Cruzeiro sem vencer na competição de pontos corridos, além de elevar o moral do time, cujo foco total agora passa a ser a decisão de amanhã, no Mineirão, contra o Flamengo, que vale a passagem para as quartas de final da Copa Libertadores.O técnico Mano Menezes usou o que tinha de melhor à sua disposição, mas o time não fez um bom primeiro tempo, que terminou empatado, para melhorar na etapa final o suficiente para obter a vitória sobre o jovem time do tricolor carioca.
Se há várias rodadas o foco era nitidamente outro, a Libertadores, agora só se fala e respira esta decisão, onde chega com a expressiva, perigosa e indefinida vantagem de perder até por um gol de diferença, para passar às quartas de final da maior competição continental.
Teatro de horrores
No Barradão, em Salvador, o time de melhor ataque no campeonato, Atlético, se deu mal contra a equipe de pior defesa, o Vitória, proporcionando um verdadeiro teatro de horrores para os torcedores que pagaram ingresso para assistir a partida.
Logo a um minuto de jogo, Ricardo Oliveira perdeu um gol cara a cara com o goleiro baiano, dando o tom do que seria o time alvinegro em toda a partida. Elias também perderia outros dois gols feitos, cabendo ao colombiano Chará a patetada do dia, ao perder uma bola no meio de campo, fato que originou o contra-ataque e o gol que deu a vitória ao time baiano por 1 x 0.
É fato que o torcedor atleticano merece uma equipe melhor do que esta, um treinador melhor e mais experiente, mas a realidade é bem outra. É em jogos assim, contra times fracos, como é o caso do Vitória, que é possível aferir até onde uma equipe grande, como é o caso do Galo, pode chegar.
Então, diante do que está se vendo, é inevitável dizer que, com este time aí, se o Atlético conseguir ficar entre os seis primeiros, ou até o quarto lugar, o que lhe garantiria uma vaga direto na fase de grupos da Libertadores, o torcedor alvinegro pode levantar as mãos para o céu, agradecer e até comemorar como se fosse um título.
FIM DE PAPO
A 21ª rodada do Brasileirão, disputada no fim de semana, registrou algo raro: nenhuma vitória de visitante e apenas um empate, embora sem gols e exatamente no jogo mais esperado, entre Internacional e Palmeiras, que sob o comando de Felipão há nove jogos não toma gols. O Colorado gaúcho também não sabe o que é isso há seis jogos, portanto, o placar de 0 x 0 já era meio que esperado.
A rodada foi do tricolor paulista, que passou dificuldades, mas venceu o vice lanterna, Ceará, dentro de casa, por 1 x 0, sendo beneficiado pelos empates do vice-líder Inter e do terceiro colocado, Flamengo, aumentando a diferença para três pontos à frente de um e quatro adiante do outro.
O Galo manteve a sexta posição, com 34 pontos ganhos, o Cruzeiro subiu para o sétimo, com 30, o América chega ao nono lugar, com 26. A rodada teve 21 gols marcados e 19 mil torcedores em média, por jogo. O Palmeiras entrou no G4 e o Grêmio saiu. A Chapecoense foi parar novamente na zona da degola e o Atlético Paranaense pulou fora.
O América conseguiu um honroso empate de 2 x 2 com o Flamengo e bateu o próprio recorde de público nos seus jogos disputados no Independência: 12.887 pagantes. Poderia ter superado o recorde geral do estádio, mas sua diretoria age de forma amadora e pensa pequeno.
Limitou aos dez por cento do regulamento da competição a carga de ingressos destinada ao torcedor do Flamengo, clube de maior torcida do país e que onde joga leva multidões. O resultado disso é que milhares de rubro-negros não puderam assistir a partida e o América, mandante e dono de toda a renda, ficou no prejuízo. São estes mesmos cartolas que vivem eternamente reclamando da falta de dinheiro ou coisa parecida.
Mas se serve de consolo para os torcedores, sobretudo neste momento o atleticano, que aqui nos nossos grotões anda desanimado, chateado com o seu time, saibam que ainda existe coisa pior: o futebol pernambucano. Por lá, o torcedor do Sport sofre pois o Leão” não vence há 11 jogos na Série A; os torcedores do Náutico e Santa Cruz passarão mais uma temporada na famigerada Série C e os do Salgueiro viram o time ser rebaixado para a 4ª divisão no fim de semana. Além disso, três times de Pernambuco já haviam sido eliminados na primeira fase da Série D.
Agora, o mais irônico dessa situação: alheio à draga dos clubes e do futebol no seu estado, o presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Carvalho, lampeiro e pimpão, se prepara para viajar aos Estados Unidos, para fazer turismo com direito a todas as mordomias possíveis e impossíveis, escolhido pela CBF para chefiar a delegação brasileira nos próximos amistosos caça-níqueis da Seleção, contra os EUA e El Salvador, nos dias 7 e 11 de setembro. (Fecha o pano!)
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