01 de setembro, de 2018 | 10:45

No “cheirinho”

Fernando Rocha

Divulgação
Na Copa Libertadores, o Cruzeiro vai agora enfrentar o Boca Juniors, com o primeiro jogo na Argentina, dia 19, e o segundo no Mineirão. O que, de certa forma, dá aos celestes alguma tranquilidade, pois terá novamente a chance de decidir em casa, com a China Azul ao seu lado.

Achei estranha a postura do Flamengo no segundo confronto do Mineirão, muito passiva para quem precisava de dois gols no mínimo, facilitando as coisas para a Raposa, que foi levando o jogo em banho-maria e mineiramente comeu pelas beiradas, não se descontrolando nem mesmo após ter sofrido o gol no segundo tempo, deixando o rubro-negro carioca outra vez só com o “cheirinho” de um título.

Vida que segue. O Cruzeiro volta o foco principal agora para o Brasileirão, e hoje tem um jogo interessante diante do vice-líder, o Internacional, no Mineirão, para depois fazer dois jogos fora de casa, contra Botafogo e Sport.
Na fila das prioridades, o Brasileirão ficou em terceiro plano e o objetivo não é mais o título, mas apenas alcançar a melhor posição possível na parte de cima da tabela.

Time frouxo
Em sua coluna de quarta-feira na “Folha de São Paulo”, o sempre brilhante Tostão escreveu sobre o esquema tático utilizado no momento pelos principais clubes do futebol mundial.

Para o ex-craque e tricampeão mundial no México, “time que deixa o outro jogar é frouxo, e geralmente perde”. Disse mais: “É essencial marcar bem, pressionando quem está com a bola, seja mais à frente, mais atrás ou em uma posição intermediária (...), e quando recuperar a bola, tratá-la com carinho, imaginação, técnica e eficiência”.

Citei o que disse Tostão para fazer uma analogia com a forma atual de jogar do Atlético, um time sem pegada, frouxo, com um esquema confuso, lento, excesso de troca de passes horizontais no meio de campo, defesa quase sempre exposta aos contra-ataques dos adversários, daí ser uma das mais vazadas, enquanto o ataque perde mais gols do que faz, embora seja o mais positivo do Brasileirão.

A fórmula do sucesso, como escreveu Tostão, passa por “saber planejar, executar e explicar porque fez”, o que também não me parece ser o caso do técnico Thiago Larghi, que mexe muito no time por questões técnicas ou por necessidade, o que dificulta ainda mais a formação de uma base consistente para brigar pelo título.

FIM DE PAPO
• O Cruzeiro vai passar por outra sobrecarga de jogos este mês, nove no total, por conta de disputar três competições ao mesmo tempo: Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores. A culpa é dos próprios clubes, que querem abraçar o mundo com as mãos. Recentemente, o São Paulo foi eliminado na Copa Sul-Americana pelo inexpressivo Colón, da Argentina, mas ao invés de críticas, recebeu elogios absurdos da mídia paulista, sob o argumento de que poderá agora se dedicar totalmente à conquista do Brasileiro, onde é o líder no momento.

• Chegou a ser patética, de tão engraçada, a reação de alguns colegas das TVs cujas sedes ficam no eixo Rio/SP, com as eliminações de Corinthians e Flamengo da Copa Libertadores na última quarta-feira. Por se tratar dos clubes de maior torcida do país, os dois eliminados são uma espécie de “galinha dos ovos de ouro” dos canais de TV fechados e abertos, daí o desespero diante de um iminente prejuízo financeiro, num momento de crise do setor. E tome chororô, que ainda ecoa pelos cansativos programas de debates e mesas redondas.

• Meu personagem da semana, pelo seu gesto corajoso, inusitado, diante da desclassificação do Santos na Libertadores e das cenas de barbárie e selvageria praticadas pela torcida do clube no Pacaembu, trata-se do técnico Cuca. Na coletiva pós-jogo ele pôs o dedo na ferida, não poupando críticas à direção do Santos pelo erro grave e banal que foi a escalação irregular do jogador Sanchez, motivando a punição da Conmebol.

Cuca é o que chamamos aqui nos nossos grotões de “costas largas”, mas como é muito experiente ele já deve saber que, assim que a poeira baixar, sofrerá retaliações da diretoria santista. A carapuça também serve para os nossos colegas da crônica paulista, que deixaram a paixão clubística subir à cabeça e incentivaram o vandalismo da torcida no Pacaembu, quase resultando numa tragédia.

• Há uma semana, quando o Cruzeiro derrotou o Fluminense no Mineirão por 2 x 1, o técnico Mano Menezes travou à beira do gramado uma acalorada discussão com o técnico tricolor, Marcelo Oliveira, transmitida ao vivo pela TV, acusando o tricolor carioca de retardar o andamento da partida propositalmente.

Agora, na decisão com o Flamengo pela Libertadores, o site de estatísticas ‘Footstats’ apurou um dado no mínimo curioso: o jogador que teve mais posse de bola durante o jogo foi nada menos que o goleiro Fábio, com 19,07%. O segundo foi o rubro-negro Éverton Ribeiro, com 13,23%. Na coletiva pós-jogo Mano Menezes não tocou no assunto, até porque não lhe perguntaram nada a respeito ou porque “pimenta nos olhos dos outros é refresco”. (Fecha o pano!)
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