16 de setembro, de 2018 | 09:15

A evolução do processo

Alex Ferreira*

Wôlmer Ezequiel
Alex Ferreira integra a equipe da redação do Diário do Aço desde 2007 e atualmente é o editor-chefe Alex Ferreira integra a equipe da redação do Diário do Aço desde 2007 e atualmente é o editor-chefe
É uma honra integrar a equipe que se encarrega de produzir o jornal nesse momento em que completa 40 anos de fundação. Cheguei à redação em 2007, depois de me graduar em Comunicação Social e Jornalismo pelo Unileste, saindo de uma vivência de 12 anos no jornalismo da Rede Itatiaia de Rádio. Fui convidado pelo então editor-chefe, João Senna dos Reis em uma situação incomum, uma comemoração de aniversário do jornalista, quando em um momento de descontração informei que estava deixando o rádio e provavelmente iria para uma emissora de TV, atuar como produtor. " Não, você vai é para o Diário do Aço", sentenciou o Senna. Apresentado aos diretores Valter Oliveira e Waldecy Castro, minha contratação foi decidida em menos de 24 horas.

Um amigo comum, Paulo Sobreira, de saudosa memória, afiançou minha vinda para o DA com a seguinte recomendação: “Se vai trabalhar com o Valter Oliveira (na época, já diretor geral), que empenhe sua palavra e seu comprometimento em cumprir o que acordar com ele. É um homem que não aceita voltar atrás, conquanto seja o mais humano com quem já convivi”.


Aportei no jornal sem saber que viveria nos anos seguintes as grandes transformações pelas quais a comunicação social experimentaria, no contexto social, econômico e tecnológico. A solução foi adaptação ao momento e transpor os óbices que surgiam de todo lado. O que se aprendia num mês, no seguinte já não tinha validade.

Adaptação ao digital

Quando em 2008 fui chamado pelo diretor Waldecy Castro para comandar o investimento na versão digital topei o desafio e, para isso, contei sempre com as novas gerações que chegavam carregando familiaridade com esse mundo digital. Em pouco tempo o DA estava inserido em todas as mídias sociais. Em 2008, confesso que dava cinco anos de vida para o impresso. Entretanto, em respeito aos leitores do antigo formato, mantivemos um trabalho em paralelo.

Enquanto no digital incentivávamos os bons profissionais a serem multimídia, pois não bastava mais ao leitor apresentar um texto e uma foto, no impresso procuramos diversificar a pauta. Em vez de apenas relatos objetivos, por que não aprofundar o como e o porquê dos fatos? Por que não produzir textos com relatos históricos, com os anônimos da história?

Com esse pensamento, grandes reportagens foram produzidas pela equipe. Fatos levantados nas páginas do Diário do Aço ganharam, posteriormente, destaque nacional. Cometeria aqui, injustiça, se fosse elencar fatos, classificando-os por sua importância, mas considero marcante o caso da Família Nunes, de Timóteo, que enfrentou o Estado em busca de seu direito de educar os filhos em casa, recurso não reconhecido pela Lei de Diretrizes da Educação Brasileira. Também vimos uma família injustiçada, condenada à revelia, à beira do despejo de sua residência, impenhorável segundo a legislação, mas que por uma sequência de mazelas seria jogada ao olho da rua. Uma notícia que decidimos destacar no jornal mudou toda essa história.

Sobressaímos no cipoal
Um velho ditado lá da Zona da Mata mineira aplica-se à reviravolta para explicar um certo descrédito nos meios virtuais e a sobrevivência do impresso quarentão. “Quem nunca comeu melado, tanto come como se lambuza”. Decisivamente, muitas pessoas não estavam preparadas para lidar com o potencial das ferramentas disponibilizadas pelas mídias sociais. Inundada por “fake News” e todo tipo de baboseira, num complexo cipoal, é inegável o abalo que a plataforma digital sente. Ter credibilidade nesse meio é para poucos. E o diariodoaco.com dá conta desse recado. A recomendação é: ou se apura um fato por inteiro ou não se publica coisas pela metade. Só tenho a agradecer a confiança dos leitores que souberam entender essa proposta. E não são poucos, posso assegurar, analisando o painel de controle do Google Analytics.

Por fim, passados dez anos depois da escalada do meio virtual, é nítido que muitas pessoas ainda preferem o impresso por saberem que, quem assinou aquela notícia da qual gostou, tem nome, CPF e registro profissional, obrigatoriamente apurou o como e o porquê do fato e não agiu apenas como o cidadão (ainda que sem consciência disso) lançou algo sem apuração num grupo de WhatsApp e provocou um tumulto, uma histeria coletiva sem razão. Vida longa ao DA, em todas as versões!

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Comentários

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William Trevizani

17 de setembro, 2018 | 11:29

“Boa reflexão de uma linda trajetória: sua e do Diário do Aço. Vida longa a ambos!”

Cleuzeni Torres

16 de setembro, 2018 | 20:20

“Sabias palavras, meu amigo. Fã para sempre.”

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