20 de outubro, de 2018 | 10:05
Aposta certa
Fernando Rocha
A manchete do site UOL, no dia seguinte à conquista do hexa celeste na Copa do Brasil, disse tudo: Cruzeiro apostou alto e se deu bem”.De fato, o clube manteve um elenco caro herdado da diretoria anterior, reforçando-o com jogadores experientes, o que inflacionou ainda mais a folha salarial; manteve o técnico Mano Menezes, que completou dois anos no cargo, facilitando e apoiando a implementação do seu estilo de jogo pragmático, mas vencedor; honrou pelo que se sabe todos os compromissos assumidos com jogadores e comissão técnica, fator primordial para o sucesso de qualquer clube.
E o resultado apareceu com a conquista do sexto título da Copa do Brasil, que o coloca na condição de maior vencedor do torneio, o primeiro a ganhar duas vezes seguidas o título, além de reforçar o caixa com aproximadamente R$ 60 milhões da premiação destinada pela CBF ao campeão.
Estão de parabéns os jogadores, comissão técnica, o presidente Wagner Pires de Sá e todo o staff diretivo, mas, sobretudo, deve-se elogiar o diretor de Futebol, Itair Machado, que mostrou competência nos momentos cruciais que dependiam de intervenção da diretoria.
Itair foi fundamental na liberação do zagueiro Dedé junto à Conmebol, para o segundo jogo contra o Boca Juniors, pela Libertadores; no esforço para trazer de volta ao país o próprio Dedé, depois de defender a Seleção Brasileira, em amistoso nos Estados Unidos; e por último, o bem sucedido retorno ao Brasil do atacante Arrascaeta, após servir a seleção do Uruguai em amistoso no Japão, à tempo de participar da final contra o Corinthians e ainda ser premiado com o gol do título.
Queda prevista
O técnico Thiago Larghi foi demitido às vésperas de completar o 50º jogo à frente do Atlético, com aproveitamento de 55%, curiosamente, abaixo dos 60% de quando era interino no cargo. A queda estava prevista, sobretudo após os últimos maus resultados e a falta de perspectiva em relação a obter uma melhoria no rendimento da equipe.
A diretoria agiu rápido, e logo anunciou a contratação de um velho conhecido do torcedor atleticano, Levir Culpi, que deixou o clube em 2014, faltando três rodadas para terminar o Brasileirão, chateado com a diretoria anterior, que passou a procurar outros treinadores estando ele no cargo após ter conquistado títulos importantes como a Copa do Brasil e Recopa Sul-Americana.
Só nos últimos três anos, nada menos do que sete treinadores passaram pelo Atlético, sem sucesso, o que sugere uma culpa maior da diretoria pelos fracassos, já que os dirigentes alvinegros têm sido useiros e vezeiros em meter os pés pelas mãos na hora de contratar e montar as equipes.
FIM DE PAPO
O gol do título na Copa do Brasil, marcado pelo cruzeirense Arrascaeta, contou dentro de campo com a colaboração do jovem Raniel, autor do passe milimétrico que o colocou em condições para marcar.
Do lado de fora, foi essencial a participação do técnico Mano Menezes, que soube precisar o momento certo para colocar os dois atacantes na partida. O Departamento Médico do clube também merece um elogio especial, pelo êxito obtido no tratamento e recuperação do zagueiro Dedé, que voltou jogando em altíssimo nível, ao ponto de merecer de novo a convocação para a Seleção Brasileira.
O Cruzeiro gastou cerca de R$ 60 mil para alojar Arrascaeta na primeira classe do voo com duração de 25 horas que o trouxe de volta ao Brasil. Além disso, combinou com a companhia aérea para que suas refeições fossem servidas no horário brasileiro, a fim de facilitar sua adaptação ao nosso fuso horário. E assim o uruguaio desembarcou em São Paulo em boas condições físicas, pronto para entrar no segundo tempo e fazer o gol do título, que rendeu ao clube mais de R$ 60 milhões.
Se a festa feita no Mineirão na primeira partida da decisão foi digna dos maiores elogios, a festa do Itaquerão, organizada pelo Corinthians, não ficou atrás. Foi emocionante a participação do ex-goleiro Dida, ídolo das duas torcidas, precedendo a entrada dos times em campo. O único ponto negativo foi um show fraquinho, sem nenhum brilho, de uma cantora italiana que, ainda por cima, cantou em espanhol. Nada a ver com nada.
Não há porque tirar o mérito da conquista do Cruzeiro, com 100% de aproveitamento fora de casa, que no placar agregado venceu de 3 x 1 e comparativamente tem o melhor elenco disparado, e por isso tornou-se campeão merecidamente. Mas, a CBF é tão ruim que consegue desmoralizar até o árbitro de vídeo (VAR).
Senão vejamos: nos dois lances capitais da partida, o pênalti que resultou no gol corintiano e o gol de Pedrinho a favor do time paulista, que poderia ter mudado os rumos da disputa, o VAR foi consultado e induziu o árbitro carioca, Vagner Nascimento, ao erro. Se na Europa e países de outros continentes aonde este recurso tecnológico já vem sendo utilizado há algum tempo, o seu uso tem sido um facilitador da arbitragem, aqui nos nossos grotões a CBF está conseguindo transformá-lo em um dificultador. (Fecha o pano!)
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