27 de novembro, de 2018 | 21:30

CPI dos Medicamentos é suspensa por denúncia envolvendo relator

Na apuração dos fatos, até então, um dos indícios é que há uma diferença considerável entre o valor lançado de medicamentos no sistema

Divulgação
Os trabalhos da CPI foram suspensos para que as partes envolvidas na acusação entreguem documentos que sustentam suas afirmações  Os trabalhos da CPI foram suspensos para que as partes envolvidas na acusação entreguem documentos que sustentam suas afirmações

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Medicamentos, em Timóteo, ouviu várias pessoas para esclarecimento de fatos investigados de acordo com as denúncias envolvendo a compra de remédios sem a devida entrega ao município. A investigação começou há cerca de três meses por conta de denúncias. Na apuração dos fatos, até então, um dos indícios é que há uma diferença considerável entre o valor lançado de medicamentos no sistema (R$ 1,937 milhão) e o que está na nota de saída (R$ 946 mil).

Conforme a nota divulgada pela assessoria de Comunicação da Câmara de Vereadores de Timóteo, os trabalhos da CPI foram suspensos por 24 horas após uma denúncia envolvendo o relator da comissão, Geraldo Gualberto. Antes disso, a expectativa era ouvir sete pessoas na parte da manhã e da tarde desta terça-feira (27). “Porém, duas não foram localizadas e uma alegou impossibilidade de comparecimento. Estavam agendadas para a parte da manhã S.S.S, R.M.M.S, L.Q, e D.S.N. Apenas D.S.N não foi ouvido, pois não foi localizado para a entrega da convocação”, afirmou.

Testemunhas

Na nota divulgada pela Câmara, a primeira testemunha ouvida foi S.S, que trabalhou como contratada no período de fevereiro de 2017 até quando o então prefeito Geraldo Hilário saiu da administração, em maio desse ano. Ela trabalhou como coordenadora do almoxarifado, fazendo parte do segundo escalão do governo. “Acerca do seu serviço, S.S disse que ela e os demais colegas do setor conferiam cada item nas notas fiscais. O relator da CPI, vereador Geraldo Gualberto, questionou que, mesmo assinando as notas fiscais, ela não percebeu falhas que mostrassem a falta da entrega de medicamentos. S.S disse que não e que o procedimento era que quando faltasse algum medicamento os funcionários eram orientados a não receber e nem assinar a nota fiscal”, ressaltou.

Segunda testemunha

Já a segunda testemunha ouvida foi R.M, funcionária efetiva há quase 11 anos como auxiliar administrativa, conforme a assessoria da Câmara. “Em seu depoimento, R.M disse que algumas vezes presenciou a chegada de medicamentos sem nota fiscal e que então deram entrada direta no sistema, ou seja, quando não tem o valor”, afirmou a nota.

Questionada pelo relator se isso era normal, a servidora afirmou que já trabalhou outras vezes no almoxarifado e que não acontecia isso em outras gestões, nem na atual. “R.M afirmou que isso ocorreu várias vezes o que dificultava o trabalho no almoxarifado, porque assim os servidores não tinham como ter o controle.

Acusação

Conforme a assessoria da Câmara, a terceira testemunha do dia, L.Q, começou a ser ouvida às 14h. Porém, antes do depoimento, o seu advogado, Jonair Cordeiro, interrompeu os trabalhos com novas informações. Jonair afirmou que sua cliente, L.Q, foi procurada pelo relator da CPI, vereador Gualberto, “querendo provas de corrupção contra Hilário e que em troca lhe daria um emprego. O advogado pediu a suspensão da CPI e o afastamento do relator”.

Gualberto afirmou que foi acusado de uma situação gravíssima. “Tenho provas que essa mulher entrou aqui para mentir. Vocês vão saber de toda a verdade. Vou até as últimas instâncias”, rebateu o relator.

Diante do acontecido, a sessão e os trabalhos da CPI foram suspensos para que ambas as partes entreguem documentos acerca da acusação, em 24 horas. Depois, com o parecer jurídico, o presidente da CPI, vereador Nanico, irá decidir sobre o pedido do afastamento do relator e a continuidade dos trabalhos da comissão. As outras testemunhas agendadas para a parte da tarde serão convocadas de novo posteriormente.

Já publicado:

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Comentários

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Ronaldo

28 de novembro, 2018 | 07:54

“Se existe classe tao safada quanto a do politico, e a do advogado de defesa.”

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