31 de março, de 2019 | 08:05
Professores ressaltam a necessidade de se conhecer o regime militar
No dia 31 de março de 1964 os militares, com apoio do setor empresarial, assumiram o comando do país
Arquivo Nacional
Educador afirma que as grandes cidades sofreram mais os efeitos práticos do regime militar, ao passo que no interior não havia manifestações
Educador afirma que as grandes cidades sofreram mais os efeitos práticos do regime militar, ao passo que no interior não havia manifestaçõesConsiderado um dos períodos mais conturbados na história do Brasil, a ditadura militar, ou regime militar, como algumas pessoas preferem, teve início há exatos 55 anos. No dia 31 de março de 1964 os militares, com apoio do setor empresarial, assumiram o comando do país. Pensava-se que seria um período célere de transição, mas o regime terminou apenas em 1985.
Durante 21 anos não houve eleição para a Presidência da República e direitos fundamentais do cidadão foram suspensos. Em entrevista ao Diário do Aço, dois professores de História defenderam a importância de as pessoas estudarem a ditadura militar e seus reflexos, para que tenham consciência sobre o que esse período representou, de fato, para o país.
Conforme o professor de História, Breno Martins Zeferino, que leciona em uma escola privada em Ipatinga, o entendimento é que houve sim, um Golpe Militar, em 1964, com a supressão da democracia, em que as forças armadas tomaram o poder no Brasil, até então governado pelo presidente, João Goulart, eleito democraticamente.
"Na época, o então presidente João Goulart se aproximava muito dos sindicatos e pretendia fazer reformas populares. E de tal forma, que naquele contexto, a direita e os militares viram tudo isso como uma suposta ameaça comunista, já que na época, também ocorria a Guerra Fria entre os Estados Unidos e União Soviética. Nesse contexto todo, os militares do Brasil articularam um golpe militar com apoio de governadores, entre eles, o próprio José de Magalhães Pinto, que governava Minas Gerais na época. Além disso, os militares receberam apoio dos EUA, que também queriam evitar a suposta ameaça comunista no Brasil", explicou.
Perda dos direitos
Álbum pessoal
Breno Martins acredita que a sociedade precisa sempre se lembrar do que ocorreu no regime militar para não se repetir os mesmos erros
Breno Martins acredita que a sociedade precisa sempre se lembrar do que ocorreu no regime militar para não se repetir os mesmos erros Breno Martins explica que, no regime militar, foi suspenso a Constituição Brasileira e foram decretados, ao todo, 17 atos institucionais, dos quais, os cinco primeiros serviram como base para a ditadura. "Vale ressaltar que até o AI-5, era considerada uma ditadura militar disfarçada, pareciam que queriam esconder. Mas depois do AI-5, já ficou algo escancarado, no qual os militares assumiram a verdadeira intenção no país", disse.
O professor Breno ressalta que as capitais e cidades grandes tiveram um impacto maior com a ditadura militar, ao contrário das cidades do interior. "Por isso, que muitas pessoas falam que nunca perceberam a diferença nas ruas durante o regime militar, porque moravam em cidades pequenas. Como nas capitais era mais forte o sindicalismo, então a repressão atuava mais intensa nesses lugares. No entanto, a maioria da população não apoiava o comunismo, muitos apenas queriam os direitos de volta, principalmente, os direitos para votar em presidente e governador, o que retornou apenas em 1989. Já nas capitais e cidades estratégicas, não existia voto para prefeito, era por indicação. Isso tudo passou a valer depois do AI-3", informou.
Economia
O educador acrescenta que, nos primeiros anos da ditadura militar, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chegou a atingir quase 14% ao ano. Era efeito também do crescimento econômico mundial, até acima dos índices brasileiros. Com isso havia geração de empregos, obras e investimento de empresas no país, além do crescimento do agronegócio.
"No entanto, em 1973 teve a crise do petróleo no mundo. Isso trouxe um impacto muito grande para o Brasil a longo prazo. No início da década de 1980 se instalou uma crise econômica. Foram anos de recessão, que causou demissões e aumento da inflação. Foi um caos para economia brasileira, que durou toda a década de 1980. Tanto que no fim da ditadura, a inflação chegava a 200% ao ano, em média. Só no governo de Fernando Henrique que houve uma melhora", destacou.
Já publicado:
Ditadura nunca mais
A democracia deve ser a ordem do dia
Pouco conhecimento
Na avaliação do professor, as pessoas têm pouco conhecimento acerca da ditadura militar e do que ocorreu nesse período. "É preciso aprender mais e lembrar sempre o que aconteceu, porque se não há memória, estamos fadados a cometer os mesmos erros. E o dia 31 não é lembrado por isso. Está acima de ideologias e partidos políticos. A memória da ditadura precisa ser preservada. Além disso, há muitas situações que não foram esclarecidas, o que geram muitas dúvidas e buscas por respostas. Então ainda há muito o que se explicar", reforçou.
Celebração da data
Tiago Araújo
Para a professora Débora de Castro não se deve festejar o Golpe Militar, porque a partir dele houve um período de mortes, torturas e perseguições
Para a professora Débora de Castro não se deve festejar o Golpe Militar, porque a partir dele houve um período de mortes, torturas e perseguições A professora de História, Débora de Castro Andrade, que trabalha em uma escola pública em Ipatinga, ressaltou na entrevista ao Diário do Aço que a data de 31 de março não merece ser celebrada ou comemorada. "Eu penso que essa data jamais deve ser esquecida. Agora festejar ou glorificar esse acontecimento é algo inaceitável, porque foi um período de mortes, torturas e perseguições políticas a quem pensava diferente de quem estava no poder", pontuou.
Para a professora, as pessoas que apoiam a ideia de comemorar a data do Golpe Militar mostram uma possível falta de conhecimento acerca desse período. "Eu como historiadora me sinto triste quando vejo alguém apoiando. E atribuo isso a falta de valorização da memória em nosso país. Por exemplo, na África do Sul, houve o período do Apartheid (segregação racial) até 1990, mas é possível encontrar museu sobre o Apartheid. Na Alemanha é mesma coisa, lá tem o Museu do Holocausto, um memorial para as vítimas judias do Nazismo. Já aqui no Brasil não tem um museu da ditadura. Então apagar a memória é uma forma de as autoridades não deixarem a população saber o que aconteceu. Até porque muito dos envolvidos nos crimes da ditadura estão no poder até hoje", enfatizou.
Fatos inesquecíveis
Conforme a professora Débora, os principais fatos que jamais devem ser esquecidos são o autoritarismo da ditadura e o fim dos direitos civis. "Durante a ditadura, a Constituição deixou de valer. O país era governado pelos atos institucionais, sendo que o pior foi o AI-5. A partir dele ficou autorizado a tortura de pessoas e a censura à imprensa e às artes. Além disso, os próprios policiais podiam prender as pessoas de acordo com a avaliação deles, sem direito a julgamento depois ou apresentação de defesa. Então a perda dos direitos e o autoritarismo são fatos inesquecíveis", ressaltou.
Consciência
Para a professora de História, a população precisa estudar e pesquisar mais para ter consciência acerca do que ocorreu no país durante a ditadura militar. "Hoje temos fatos históricos sendo tratados como questão de opinião, ou seja, as pessoas falam eu acho que não foi bom o regime militar, mas não existe achismo quando temos fatos comprovados. Por exemplo, a reunião que aconteceu para escrever o AI-5 foi gravada e é de domínio público. Nela, os próprios militares falam que estão instituindo a ditadura, e ainda temos hoje pessoas que afirmam que não tivemos uma ditadura no país", concluiu. (Tiago Araújo)
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Leoncio Simoes
02 de abril, 2019 | 06:34Gracas a deus I obrigado aos militaris
Nao somos Venezuela
So teve problemas quem era problemas.
Nao tinhamos tantos bandidos dentro I fora da politica.”
Helena A.nogueira
31 de março, 2019 | 23:20viva os militares . quando o pt. e comunistas assumiram o poder deu no temos aí.. só corrrupção, propinas de todos os lados, ladroagem... desemprego. por que os manifestantes eram presos ? invandir bancos, quebrar patrimonios publicos é demonstrar amor ao país. mereceram ser presos... ladroes de bancos... viva 31 de março.”
Paulo
31 de março, 2019 | 15:39Obrigado militares... Por nos livrar do comunismo... Por me permitir estar acessando a rede mundial de computadores, por ter carro do ano, por ter celular touch, por não ser alienado ignorante... Viva 6quatro!!!”
Gildázio Garcia Vitor
31 de março, 2019 | 15:07Venho acrescentar mais dois grandes livros, que estão na lista do G1, sobre a implantação e "execução" (por isso tantas mortes?!) da Ditadura Civil-Militar no Brasil: 1964: a conquista do Estado, um clássico, e Combate nas trevas. O 1º está emprestado, desde 1989, à Professora Ana "do Brasil"l, da Faculdade de Caratinga, e o 2º, há um bom tempo, também, à Professora Luzia Henrique, do CSFX, companheiras de lutas e de sonhos por uma educação que valorize o conhecimento histórico. Afinal, "quem conhece a História entende o presente".”
Gildázio Garcia Vitor
31 de março, 2019 | 09:51O problema do Brasil não é só de falta de memória, é, também, e muito, inclusive para vários professores de Ciências Humanas, de leituras além dos livros didáticos, e isto não é "coisa" de Comunista. Segundo a minha grande amiga e mestra Margarete, atualmente no Fibonacci, "quem lê muito, sabe muito, quem lê pouco, sabe pouco, e quem não lê nada, não sabe nada". Venho, portanto, oferecer uma pequena bibliografia a quem se interessar: Brasil: Nunca Mais, Mulheres que que foram à luta armada, O Que é Isso, companheiro?, Os Senhores das Gerais e os cinco livros sobre a Ditadura - a que realmente existiu, cassou, torturou, assassinou e desapareceu com mais de 400 brasileiros - do jornalista Elio Gaspari. E para quem gosta de poesia, leia o poema "Noturno do Paraná do Ramos", de Thiago de Mello, o Poeta mais utópico de todos. Parabéns Brenão, te admiro demais! Continue espalhando grandes lições por onde passar.”
Aluecir Rezende Sant'ana
31 de março, 2019 | 09:27Um povo que não conhece o seu passado, a sua cultura, é facilmente engando pelos detentores do poder. Acredito que é necessário ter uma visão holística dos fatos ocorridos na nação brasileira. Não dá para esquecer.”