04 de abril, de 2019 | 06:03
Timoteense toma posse como Juiz do Trabalho nessa sexta-feira
O agora magistrado relata que, diante da condição social da sua família, nunca havia pensado em fazer um curso superior
Está agendada para sexta-feira (5), a posse dos 146 candidatos aprovados nos sete Tribunais Regionais do Trabalho para ocupar vagas de juiz do trabalho substituto. Esses novos magistrados foram selecionados no I Concurso Público Nacional Unificado para ingresso na carreira da Magistratura do Trabalho, em um concurso que, segundo nota do TST, foi "muito difícil e selecionou os mais preparados, por meio de provas de conhecimentos específicos, conhecimentos gerais, provas orais, provas de títulos, dentre outras etapas".
Entre os aprovados estão dois nomes do Vale do Aço. Um deles já foi entrevistado pelo Diário do Aço e trata-se do advogado ipatinguense Walace Heleno Miranda de Alvarenga, de 31 anos. O outro é o timoteense Carlos Ney Pereira Gurgel, de 38 anos. Em entrevista ao Diário do Aço, Carlos Ney conta que sempre estudou em escolas públicas. Iniciou a vida escolar na Escola José Moreira Bowem, no bairro Ana Rita. Da 5ª à 8ª série, estudou na Escola Estadual São Sebastião, no bairro Santa Cecília, onde residia. Cursou o ensino médio no Instituto Municipal de Ensino Técnico de Timóteo (IMETT), onde se formou em Técnico em Eletrônica. Como grande parte dos jovens nascidos em Timóteo, Carlos conta que, até então, seus planos profissionais incluíam o trabalho na antiga Acesita (hoje Aperam), ou na Usiminas ou na Cenibra.
O agora magistrado relata que, diante da condição social da sua família, nunca havia pensado em fazer um curso superior, pois trabalhar numa das empresas citadas já seria uma conquista extraordinária. Ocorre que, após a formatura no curso técnico de eletrônica, em 1998, Carlos não conseguiu emprego em nenhuma das empresas com as quais sonhava e viveu de "bicos" até o ano de 2002.
Divulgação
O timoteense Carlos Ney Pereira Gurgel conta história de superação até chegar à nomeação para magistrado do trabalho
O timoteense Carlos Ney Pereira Gurgel conta história de superação até chegar à nomeação para magistrado do trabalho As dificuldades só aumentavam e, por um impulso que ele considera divino, mesmo sem qualquer tipo de incentivo, resolveu fazer um curso superior, mesmo com parcos recursos necessários para iniciar uma vida acadêmica.
"Fato é que, naquela época os valores sociais ainda estavam invertidos, visto que as universidades públicas eram privilégio de filhos de famílias abastadas, e os filhos dos pobres tinham que arcar com os custos de uma faculdade particular. Como eu era pobre, filho de pobre, parti em busca de um curso superior em uma das faculdades particulares no Vale do Aço e decidi pelo curso de Direito na Fadipa, no primeiro semestre de 2002", relata.
Estudou ou trabalho?
Carlos precisou trabalhar para pagar a faculdade e deparou-se com um dilema: ou trabalhava ou estudava. A jornada laboral dele era em turno de revezamento e no trabalho à noite, não podia ir à faculdade. Diante da situação precisou buscar outro emprego. "Foi quando minha amiga Fabiana me sugeriu fazer o concurso para ingresso no Banco do Brasil. Fiz a prova e fui aprovado, e tomei posse no Banco do Brasil em maio de 2004, como escriturário".
"Me formei em Direito no segundo semestre de 2006, mas não conseguia advogar justamente pelo trabalho que já me ocupava todo o tempo. Mas, em 2011, o Banco do Brasil abriu uma seleção para escolha de funcionários para atuarem no Jurídico do Banco, oportunidade na qual fui escolhido e comecei a atuar como advogado do Banco do Brasil em 2012, na cidade de São Paulo (SP). Em 2015, fui transferido para a Assessoria Jurídica do Banco do Brasil em Belo Horizonte, onde trabalhei até o dia 22 de março desse ano, quando me desliguei do emprego", detalha.
Carlos Ney explica que sempre gostou de atuar como advogado, mas sentia que poderia contribuir mais para a sociedade, e a magistratura me proporcionaria isso. Com isso em mente, em 2014 iniciou a preparação em busca da aprovação no concurso para a magistratura. "Nessa época já era casado e já tinha um filho de dois anos de idade, além de trabalhar oito horas por dia. Comecei minha preparação estudando cerca de quatro horas por dia, lendo livros da área, resolvendo provas anteriores e assistindo vídeo-aulas das matérias cobradas no edital. Com o passar dos meses senti quem precisava estudar mais, para alcançar o objetivo da aprovação mais rápido. Então comecei a acordar às 5h e estudar até às 8h, depois que chegava do trabalho estudava de três a quatro horas, inclusive, nos fins de semana e feriados estudava o dia inteiro", relembra.
Percalços
No andamento da preparação, Carlos Ney ainda teve que lidar com imprevistos, como a morte de seu pai, em outubro de 2015. O advogado confessa que foi acometido pelo desânimo de continuar no ritmo de preparação, pois isso sacrificava seus relacionamentos, o convívio familiar e momentos de lazer. "Busquei forças em Deus e consegui continuar", pondera.
Em 2017, outro percalço no caminho do sonho. A pressão dos estudos e do ritmo de estudo atingiu-lhe a saúde. Teve que procurar tratamento para depois seguir com os estudos. O esforço foi recompensado, acrescenta. "Graças a Deus fui aprovado nesse, que foi o 1º Concurso Nacional Unificado para ingresso na Magistratura do Trabalho. Hoje, já como aprovado e nomeado Juiz do Trabalho posso refletir um pouco mais no desafio que será atuar na seara trabalhista diante da atual situação do País. Certo é que, o magistrado é o ponto de equilíbrio das relações sociais, principalmente nas relações trabalhistas, onde há uma constante luta entre a força de trabalho e o capital. "particularmente não demonizo a Reforma Trabalhista ocorrida no final de 2017, pois considero que algumas coisas (poucas, na verdade) eram necessárias para que houvesse segurança jurídica, como por exemplo, a padronização da prescrição (art. 11 e 11-A, CLT) e regulamentação (parcial) do tele trabalho (art. 75-A ao 75-E, CLT), dentre outros", descreve Carlos Ney.
O juiz observa, entretanto, que outras situações foram alteradas em detrimento a direitos já conquistados pelos trabalhadores, como é o caso do fim da estabilidade econômico-financeira (art. 468, CLT), instituição de honorários de sucumbência (o trabalhador deve pagar as custas da causa, se perder uma disputa trabalhista), os quais, em princípio, eram proibidos na Justiça do Trabalho (art. 791-A, CLT), aumento da dificuldade de acesso ao benefício da justiça gratuita (art. 790, §3º, CLT), entre outras. "E no meio desse imbróglio está o Juiz do Trabalho, que deverá, com isenção e sem ideologias, julgar as causas que lhe são postas, fundamentando suas decisões na Lei e nos Princípios que regem o Sistema Jurídico Brasileiro", aponta.
TRT-SP
O timoteense explica que, inicialmente, vai trabalhar no Tribunal Regional do Trabalho do Estado de São Paulo, existindo a possibilidade de, futuramente, voltar a Minas Gerais. Ao fim da entrevista, Carlos Ney faz um agradecimento: "Quero registrar meus agradecimentos, primeiramente a Deus pelas oportunidades e pela força para aguentar até o fim. Agradeço também minha esposa Michelle, que sempre esteve ao meu lado; ao meu filho Mateus, que soube, mesmo pequeno, entender a falta de tempo do pai; a minha mãe, Dona Lia, minha intercessora de todas as horas, e a todos familiares e amigos, que de uma forma ou de outra, contribuíram para que eu chegasse à realização do sonho da Magistratura", concluiu.
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Jhonny
20 de maio, 2020 | 22:29Parabéns Carlos Ney sempre exemplo de dedicação forte abraço, saudades”
Evandro Lucio
10 de abril, 2019 | 11:49Parabéns Dr. Carlos Ney! Que Deus o ilumine nesse novo desafio!!”
Analécia
08 de abril, 2019 | 14:26Parabéns Carlos Ney pela nobre conquista! Ler essa matéria me faz sentir orgulho das nossas origens desde o José Moreira Bowen, São Sebastião e IMETT, você é a prova viva que é possível realizar nossos sonhos quando há Fé em Deus, uma família abençoada, foco e disciplina. Parabéns à você, sua esposa e seu filho pela conquista!”
Danielle Alves
07 de abril, 2019 | 12:52Sua vitória nos incentiva a sonhar e ter certeza que eles se realizam, vc fez sua parte e Deus fez a Dele!! Vc é um orgulho !!!! Homem simples e humilde e de um caracter inquestionável !!!? Parabéns”
Sandra
06 de abril, 2019 | 21:50Parabéns Carlos Ney .... que Deus abençoe vc e sua família grandemente em nome de Jesus .”
Cleide Leoni
04 de abril, 2019 | 22:09Parabéns nobre amigo.Conquista merecida.Também concordo em a Câmara Municipal de Timóteo emetir a moção de Aplausos para ele.Você é um grande vencedor!??????????????????”
Edilene Neves
04 de abril, 2019 | 12:21Parabéns com louvor....a Câmara deveria fazer uma moção de aplausos....honra ao mérito leva-lo as escolas públicas e municipais pra incentivar os jovens ....SÓ se vence na vida com trabalho e honestidade e principalmente muito estudo....Deus o abençoe...”
Kassiana
04 de abril, 2019 | 09:25Deus abençoe, vimos sempre o esforço, dedicação e muito temor a Deus! Merecido!! Mais uma vez parabéns!!”
José Carlos Oliveira
04 de abril, 2019 | 08:48No meio de tanta notícia ruim, essa reportagem de hoje é um bálsamo. Parabens ao moço pela conquista da magistratura. Que ele faça parte de uma nova geração do Judiciário, cuja imagem não anda nada boa.”