28 de setembro, de 2019 | 16:00

Time bipolar

Fernando Rocha

Divulgação
Fernando RochaFernando Rocha
O que mais impressiona no atual time do Atlético é a sua bipolaridade, alternando a cada jogo brilharecos que vão do bom ao mau futebol em minutos, predominando na maior parte do tempo as péssimas atuações.
Foi assim também nesta eliminação da Copa Sul-Americana, ocorrida na última quinta-feira (26) diante de 45 mil torcedores no Mineirão, para o modestíssimo time do Colón, da Argentina, bem definido pelo comentarista da “Super FM” de BH, Lélio Gustavo, como um “Avaí portenho”.

Com um plantel composto em sua maioria por jogadores rodados, “cascudos” ou velhos mesmo, alguns já com prazo de validade vencido e mesmo assim todos incapazes de passar tranquilidade aos mais jovens, o Galo precisa iniciar urgentemente o planejamento da próxima temporada, que deve passar por uma reformulação completa do time para não repetir os mesmos vexames deste ano.

O Galo precisa não só de um novo treinador, à altura das suas tradições, mas, sobretudo, de um diretor de futebol competente, pois esse gaúcho Rui Costa mostrou apenas boa conversa na hora de dar entrevistas, atirando na lata de lixo cerca de R$ 50 milhões ao contratar jogadores de qualidade duvidosa e sem a mínima condição de vestir a gloriosa camisa alvinegra.

“Nêgo Véio”
No seu blog, o jornalista Mauro Betting lembrou o treinador Rubens Minelli, hoje com 90 anos de idade, campeão brasileiro dirigindo o Palmeiras em 1969, tricampeão brasileiro consecutivo em 1975 e 1976 pelo Internacional, e em 1977 pelo São Paulo, que dirigiu o Galo em 1995 por um curto período, e que dizia ser o futebol “o único lugar onde o empregado manda no patrão”.

A frase de Minelli serve muito bem para ilustrar, o que aconteceu com o técnico Rogério Ceni, demitido pela diretoria do Cruzeiro após bater de frente com os chamados “Nêgo Véio”, ou seja, os jogadores mais experientes e caros do elenco.

Até o fechamento desta coluna, vários nomes eram citados para o lugar de Ceni, entre eles o de Felipão. Mas a continuar nessa toada, acho que nem precisava contratar um novo técnico, pois basta dar a prancheta ao líder dos “Nêgo Véio”, Thiago Neves, que em conjunto com seus auxiliares de confiança, Dedé, Edílson, Fred, Egídio e outros, teriam totais condições para escalar e pôr o time em campo.

FIM DE PAPO
• Claro que o técnico Rogério Ceni cometeu erros e não sai ileso de culpa pelo fracasso. Antes estilingue, agora virou vidraça. Em 2012, quando ainda era goleiro do São Paulo, Ceni bateu de frente com o então técnico do tricolor paulista, Ney Franco, descontente com mudanças feitas no elenco. Na época, Ceni venceu a queda de braço com Ney Franco, que acabou demitido e saiu atirando contra o ex-goleiro são-paulino, a quem acusou de querer ser o “dono do São Paulo”. Vale agora o ditado popular aqui dos nossos grotões: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”.

• Verdade seja dita, o modesto Colón da província de Santa Fé, na Argentina, voltou para casa merecidamente classificado. O Atlético desta vez não tem do que reclamar da arbitragem, sempre muito parcial a favor dos “hermanos”, pois tanto no jogo de ida como na volta os assopradores de apito não interferiram no resultado das partidas. Além de muita luta e disposição, o Colón tem um bom goleiro e um meio-campista diferenciado, Pulga, que deitou e rolou em cima dos jogadores atleticanos, e nos dois jogos.

• Daqui a dois meses serão completados cinco anos que o Atlético conquistou a Copa do Brasil, sob o comando de Levir Culpi, vencendo o Cruzeiro, que era comandado por Marcelo Oliveira. Foi a primeira e única vez que uma competição importante a nível nacional foi decidida por dois times mineiros, atraindo para o estado todas as atenções da mídia nacional. Em 2013, o Galo já havia conquistado a Libertadores, enquanto o Cruzeiro vinha de duas conquistas consecutivas (2013-2014) do Campeonato Brasileiro.

• A façanha do futebol mineiro, nesse período, ganhando as principais competições nacionais e continentais, surpreendeu por conta da distância quilométrica para as equipes do eixo Rio/SP, no tocante às receitas financeiras, que são bem menores.

Esta lembrança se torna ainda mais significativa tendo em vista a realidade atual, com a dupla Galo/Raposa convivendo com sérias dificuldades financeiras, problemas para quitar as folhas de pagamento, erros graves de gestão e, principalmente, péssimos resultados dentro de campo. O Galo é apenas o 10º colocado no Brasileirão, com 27 pontos ganhos, enquanto o Cruzeiro faz campanha ainda pior, atualmente na 17ª colocação, com 19 pontos ganhos, convivendo há várias rodadas com a ameaça concreta de rebaixamento. (Fecha o pano!)
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