28 de setembro, de 2019 | 09:40
Pesquisa aponta crescimento populacional na região
Belo Oriente registra o maior crescimento nos últimos anos no colar metropolitano
Gedesson Ferreira
Do ponto de vista demográfico, Belo Oriente está entre os municípios atraentes, com população em crescimento
Do ponto de vista demográfico, Belo Oriente está entre os municípios atraentes, com população em crescimentoA população de Belo Oriente cresceu 14,12%, analisando o período entre 2010 e 2019, e alcançou 26.700 residentes nesse ano, o que corresponde a um incremento médio anual de 1,66%. Ao longo desses anos, os habitantes dos 24 municípios do Colar Metropolitano do Vale do Aço subiram de 264.230 para 272.869 moradores, um crescimento de apenas 3,27%. No mesmo período, os quatro municípios da Região Metropolitana (Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso) cresceram 10,04%, enquanto a população estadual cresceu 8,02% e a população brasileira 10,17%.
Pingo DÁgua, Ipaba e Naque, por sua vez, também cresceram, registrando, respectivamente, expansão de 11,79%, 11,37% e 10,33%. Logo atrás, Caratinga (8,00%), Iapu (6,68%), Jaguaraçu (4,78%), Entre Folhas (3,77%), Vargem Alegre (3,27%) e Marliéria (0,67%) integram um grupo de municípios que apresentaram crescimento positivo, porém fraco. Os dados foram calculados a partir das estimativas populacionais municipais 2019, do Instituto brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pelo Observatório das Metropolizações, projeto de extensão vinculado à pesquisa de Doutorado desenvolvida pelo geógrafo William Passos, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ), com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
William Passos avalia que a dinâmica populacional do Vale do Aço refletiu um fraco crescimento da região na década, o que exige a necessidade de maior atenção e da formulação de ações específicas das autoridades. Ele explica que os 14 municípios restantes apresentaram perda de população, sendo os casos mais dramáticos Joanésia, Dionísio e Córrego Novo, que tiveram suas populações reduzidas, respectivamente, em 15,71%, 11,56% e 11,38%.
Ações
Ele avalia ser necessária uma maior atenção, monitoramento e implementação de ações por parte das autoridades governamentais, possivelmente associadas à fragilidade econômica e consequente dificuldade de retenção de população desses municípios na década. É importante destacar que as estimativas populacionais municipais do IBGE são um dos parâmetros utilizados para o cálculo do Fundo de Participação dos estados e municípios, constituindo uma importante referência para o repasse de recursos para as prefeituras. Nesse caso, a perda de população acaba significando também perda de arrecadação, cujo impacto financeiro torna-se ainda maior em momentos de crise. A maioria dos municípios brasileiros de porte menor é altamente dependente das transferências da União, que constituem, na maior parte dos casos, sua principal fonte de receita”, reitera.
Para o geógrafo, ações como o fortalecimento e o desenvolvimento das economias locais por meio da identificação de suas potencialidades ou vocações e o estímulo às mesmas poderiam ser saídas a serem tomadas. Além disso, a ampliação da renda e redução da pobreza da população local, por meio de políticas de transferência de renda ou de renda mínima, como o Bolsa Família (muitos municípios no Brasil têm "bolsas família" locais), e o fortalecimento do mercado consumidor local, com estímulo ao consumo, poderia ser outra saída.
Todos esses apontamentos, porém, são muito genéricos. Cada município ou grupo de municípios costuma exigir ações específicas, a partir de suas particularidades. Essas ações devem fazer parte de uma política de planejamento do desenvolvimento, que, no caso dos municípios do Colar Metropolitano, devem partir tanto do governo estadual quanto da Agência Metropolitana do Vale do Aço, que deve ter autonomia para este tipo de ação. Fortalecimento econômico destes municípios gera fortalecimento demográfico, redução de perda populacional e desenvolvimento para toda a região”, aponta.
Conurbação
William Passos salienta que alguns dos municípios da região possuem fortes ligações com a conurbação Ipatinga-Timóteo-Coronel Fabriciano, o que acabará conduzindo, cada vez mais intensamente, a necessidade de atualização dos limites normativos da Região Metropolitana do Vale do Aço, que, cada vez mais, expressam-se como artificiais. A conubarção é fenômeno urbano da unificação de duas ou mais cidades que, devido ao seu crescimento geográfico, fundem-se umas às outras. O processo é um dos responsáveis pela formação das regiões metropolitanas.
Em síntese, ele aponta que os municípios do colar, do ponto de vista demográfico, estão assim distribuídos, na década de 2010: municípios atraentes (população em crescimento): Belo Oriente, Pingo dÁgua, Ipaba e Naque. Municípios letárgicos (população estável): Caratinga, Iapu, Jaguaraçu, Entre Folhas e Marliéria. Municípios esvazientes (população em redução): Bugre, Antônio Dias, Dom Cavati, Bom Jesus do Galho, Periquito, São José do Goiabal, Braúnas, Sobrália, São João do Oriente, Mesquita, Açucena, Córrego Novo, Dionísio e Joanésia.
Estudo
O geógrafo informa que tem acompanhado também o comportamento demográfico em outras regiões de Minas Gerais, no interior do Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Mas Minas é um caso original, em sua opinião, porque concentra uma quantidade grande de municípios com pouquíssima população. Sobre a redução populacional, ele acredita que os municípios podem diminuir, perder população, mas não acabar.
A dinâmica populacional dos municípios sempre caminha na direção de um equilíbrio demográfico. Quando esse equilíbrio está baseado em economias muito frágeis, a tendência é a migração dos mais jovens, em busca de trabalho e renda, e a permanência dos mais velhos. Quando esses jovens envelhecem, tendem a retornar, num processo que chamamos de migração de retorno, justamente ao município de origem. O que se dá pelos vínculos afetivos e familiares estabelecidos com e naquele lugar, o que compõe parte do fenômeno que eu denomino como aprisionamento ou prisão geográfica”, conclui.
(Bruna Lage - Repórter)
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Barrabas
28 de setembro, 2019 | 11:37Quanto mais cresce a populacao cresce tambem os problemas.”