30 de outubro, de 2019 | 14:37

Vacina é um dos temas do Fórum realizado na Unimed Vale do Aço

A médica cooperada e pediatra Naiara Ferreira conduziu a palestra

O Brasil e outros países estão registrando a volta de doenças consideradas erradicadas. Para especialistas, esse retorno se deve tanto pela resistência da população em se imunizar, quanto à queda da cobertura vacinal pelo Estado. Pautado nesse assunto, o Fórum 2° Opinião, realizado pelo Núcleo de Desenvolvimento Humano da Unimed Vale do Aço, trouxe para debate o tema “Vacinas, Conflitos Atuais e Situações Especiais”.

A médica cooperada e pediatra Naiara Ferreira conduziu a palestra. Durante sua apresentação, ela destacou os motivos pelos quais o movimento antivacina se iniciou. “Uma pesquisa feita por Andrew Wakefield e publicada pela revista científica The Lancet, em 1998, apontava que a vacina tríplex (sarampo, caxumba e rubéola) desencadearia o autismo. O médico chegou a ser punido, impedido de exercer a profissão e a revista precisou se retratar em decorrência da publicação do material. Porém, até hoje, temos pais de crianças autistas que acreditam nessa teoria e deixam de imunizar os filhos. Com isso, o movimento antivacina se iniciou e consequentemente o Sarampo, doença apontada na pesquisa, voltou a ter seu vírus circulando. Além de ser prejudicial para o controle de enfermidades, o movimento antivacinas não é reconhecido pela ciência como válido, mas sim como algo que vai contra a saúde pública”, afirmou a pediatra.

Ainda, de acordo com a médica, além do movimento, há outros fatores que contribuem com a queda da imunização. “Por parte de muitos pais, há o esquecimento do calendário vacinal. Em outros casos, há a cultura da desvalorização da vacina, em que as pessoas creem que como as doenças já estão erradicadas, os surtos não voltarão a ocorrer. Nesse sentido, é típico do ser humano se preocupar e ir atrás de prevenção apenas diante da iminência do risco, como foi o caso da febre amarela há menos de cinco anos atrás”, acrescentou a médica.

A pediatra ainda reforçou a importância de todas as áreas médicas apoiarem a vacinação. “O objetivo do profissional de saúde não é tratar doença, mas sim preveni-las. A demanda fica maior para o pediatra, mas as demais especialidades médicas devem entender a importância das vacinas e também orientar os pacientes. O que mais vemos é desinformação e cabe ao médico ser esse porta-voz e aliado no combate às doenças que podem ser prevenidas pela vacinação”, afirmou a médica.
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