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27 de dezembro, de 2019 | 08:25

Bióloga aponta impactos negativos na natureza causados pelo desmatamento

Em muitos casos, o incêndio florestal teve causa criminosa, com o intuito de aumentar a área para plantio e pastagem

Wôlmer Ezequiel
Cláudia Diniz destacou que não são apenas os animais prejudicados com os desmatamentos, mas também as pessoas são atingidas   Cláudia Diniz destacou que não são apenas os animais prejudicados com os desmatamentos, mas também as pessoas são atingidas

O desmatamento foi um dos destaques na mídia ao longo ano, devido ao elevado número de ocorrências de incêndios florestais registradas no país. Várias áreas de vegetação foram destruídas pelo fogo. O Vale do Aço também registrou várias queimadas, inclusive, no Parque Estadual do Rio Doce (Perd), que é considerada a maior área contínua de Mata Atlântica preservada no Estado, com uma rica biodiversidade e árvores centenárias.

Conforme os dados do Centro Integrado de Informações de Defesa Social (CINDS) e dos Registros de Ocorrências, o número de incêndios florestais, entre janeiro e novembro desse ano, foi de 17.782, em Minas Gerais.

Em muitos casos, o incêndio florestal teve causa criminosa, com o intuito de aumentar a área para plantio e pastagem. Em entrevista ao Diário do Aço, a bióloga Cláudia Diniz apontou os prejuízos do desmatamento para a fauna e flora. “Os prejuízos são muito grandes, porque o animal necessita de uma área de vida, que ofereça um suporte para ele desenvolver todas suas habilidades e potencialidades. Ou seja, o animal precisa ter seu território preservado. Quando é reduzido, aumenta-se a competição, aumenta-se o impacto e a tendência é que boa parte desses animais saiam da sua área verde e acabem invadindo as cidades e fazendas, causando prejuízo ao ser humano também”, afirmou.

Pragas e doenças
A bióloga também ressaltou que os animais que conseguem sobreviver ao desmatamento, geralmente, são aqueles que acabam se tornando pragas, como roedores e serpentes, que conseguem se adaptar mais facilmente a essas alterações. “Entretanto, incomodam a população e dão prejuízos para os donos de lavouras. Aumenta-se também a incidência de carrapatos pela falta dos animais, que são controladores. Tem registro de ataques de animais ferozes, como onças, que invadem as fazendas e atacam o gado.

Então traz prejuízos para aquele que desmata também. Portanto, é muito importante que a sociedade se conscientize de que é necessário manter as florestas, não só para animais, mas para o controle de pragas e evitar disseminação de doenças”, salientou.

Outros impactos
Na entrevista, a bióloga apontou outros impactos na natureza causados pelo desmatamento. “Em muitos casos, costuma-se ter uma compactação do solo, na área desmatada, o que contribui para o surgimento de processos erosivos nas áreas de pastagens. No entanto, já existe tecnologia para minimizar esse problema e ter uma produção na pecuária mais sustentável, sem que tenha a necessidade de agredir o meio ambiente. Além disso, precisamos recuperar as áreas destruídas, para evitar todos esses impactos negativos. Espero que a população tenha uma maior conscientização nesse próximo ano”, pontuou Cláudia Diniz.
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