02 de fevereiro, de 2020 | 09:05

Celular na mão e dinheiro no bolso

Empreendedoras driblam a crise com seu talento e um aparelho de telefone

Wôlmer Ezequiel
Mirian Araújo antes atendia com no máximo três tipos de esmalte, realidade que ficou no passadoMirian Araújo antes atendia com no máximo três tipos de esmalte, realidade que ficou no passado
(Bruna Lage - Repórter)

Em tempos de mídias sociais, o acesso a conteúdos diversos está ao alcance de todos. A divulgação de produtos e serviços tem sido facilitada por meio de aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, que possibilitam marcação de horários de atendimentos, a exposição de um trabalho ou a venda de quitandas. Esse é o caso da manicure Mirian Dias Guimarães Araújo e da cake design Andreia Rodrigues, que faz bolos decorados e ministra cursos de confeitaria.

Driblar a situação econômica do país tem sido um desafio praticado pelo brasileiro e empreender tem sido a saída para muitos. Oficialmente, a taxa de desemprego é fornecida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é trimestral. A média anual de desocupados completou 2019 com menos 215 mil pessoas em relação ao ano anterior. Com o recuo de 1,7%, ficou em 12,6 milhões de pessoas.

E com o celular, Mirian e Andréia vencem o desemprego e fazem seu negócio prosperar. Seja por meio de um perfil no Instagram e Facebook, ou por conversas no WhatsApp. Quem trabalha com a divulgação online tem ferramentas como o WhatsApp Business, aplicativo gratuito para download e desenvolvido especialmente para os proprietários de pequenas empresas. Com isso, é possível criar um catálogo para exibir produtos e serviços, conectar com seus clientes e agilizar respostas às mensagens. O Instagram também tem a conta comercial, assim como Facebook permite impulsionamentos de publicações e a criação de páginas. São algumas das possiblidades que podem ser exploradas, gastando pouco ou quase nada.

Mirian Araújo é natural de Governador Valadares e tem 25 anos. A manicure veio para Ipatinga há dois anos e atende em sua residência, no bairro Veneza 2, ou a domicílio. “Há 10 anos ganho a vida como manicure. Utilizo muito as redes sociais para divulgar o meu trabalho com o intuito de atrair mais clientes, também peço a elas para publicarem o resultado do meu trabalho, me marcando nas redes sociais, isso tem ajudado muito. Eu tenho um ponto de atendimento aqui em casa e circulo aqui na região, no bairro mesmo e no Caravelas, com isso acabo não tendo despesas. Só lucro”, destaca.

Algumas de suas clientes gostam de fazer pé e mão em casa, no conforto do lar, enquanto outras não se incomodam de sair e encontrar com Mirian em sua residência. “E tem também quem goste de salão, porque aproveita e faz cabelo, depila, e etc, e por isso acabam não fazendo a unha comigo, mas tudo bem. Tenho minha clientela, atendo feriado, sábado e à noite. Tenho quem venha 19h, porque trabalha o dia todo”, exemplifica.

A manicure tem vontade de crescer no seu segmento e sonha. “Já fiz unha com dois, três tipos de esmalte, apenas e tinha duas clientes. Mas hoje isso mudou, tenho variedade de produtos e mais gente, graças a Deus. Agora tenho vontade de fazer curso de podologia, quero expandir. É meu sonho. Quando cheguei em Ipatinga cobrava R$ 20, atendi em dois salões, mas não achei lucrativo. Hoje cobro R$ 25, para pé e mão simples ou unha decorada. Marco as unhas por meio de mídias sociais. Meu foco é aqui nas redondezas do bairro mesmo, mas tudo é questão de negociar, né?”, assegura.

Dom de Deus
Wôlmer Ezequiel
Andreia Rodrigues faz uso de mídias sociais como o WhatsApp, que facilita a negociação e entrega de seus produtos Andreia Rodrigues faz uso de mídias sociais como o WhatsApp, que facilita a negociação e entrega de seus produtos
Andreia Rodrigues, de 34 anos, é moradora do bairro Vila Celeste e começou a fazer bolos no ano de 2016. Ela ganha a vida com a produção dos bolos, que faz por encomenda, e também com cursos de confeitaria. Para divulgar tudo isso, as mídias sociais são suas aliadas. “Trabalho via Instagram, Whatsapp e Facebook, além do boca a boca. Meus clientes foram surgindo assim. O que posto são os produtos que já foram vendidos, sabe? E isso chama a atenção de outras pessoas, que me contratam, indicam, e por aí vai. Empreender é mais fácil com esses meios, não sei o que faria sem”, relata.

A cake design acrescenta que, caso não pudesse contar com esses canais, teria que pensar em outras alternativas, mas que seriam custosas. “Hoje essas possibilidades todas facilitam muito a minha vida. Se não houvesse o Whats e os meios de comunicação, como iria divulgar? Só por meio de ligação e seria difícil, porque o cliente quer ver foto de um bolo e precisaria de vir até a minha casa. Mas isso não é necessário, já que por meio do WhatsApp as pessoas podem conhecer o que faço e negociamos por lá mesmo. Por isso que capricho, porque só de ver a foto, gera interesse”, acredita.

Antes de ingressar na confeitaria, Andreia trabalhava em um restaurante, mas se reinventou após ser demitida do emprego. À época, Andreia chorou, sofreu, mas não pensava em fazer bolos. Só encarou o desafio porque acredita ter sido escolhida por Deus. “Quatro meses após sair do trabalho, espalhar currículo e nada acontecer, marquei um culto na minha casa e tive que pensar num lanche. Fiz um bolo, decorei, tudo com muita dificuldade, e aquele foi o primeiro. Tempos depois minha irmã marcou o casamento e disse, ‘você vai fazer meu bolo’. Eu seria a madrinha e faria o bolo. Passei mal, fiquei nervosa, não tinha confiança. Mas naquele dia eu conversei com Deus e fiz um acordo: se Ele me ajudasse a terminar antes de determinado horário, eu faria todos os que chegassem por encomenda. Não importando se fosse um ou 15. E no mesmo dia tive uma encomenda, seriam dois bolos para terminar antes de meio dia. E deu certo. Desde então não parei mais. O bolo da minha irmã foi minha entrada para a confeitaria. Quando Deus te dá um dom, você tem que agarrar”, conclui.


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