03 de fevereiro, de 2020 | 15:18

Outro tropeço

Fernando Rocha

Divulgação
Fernando RochaFernando Rocha
O Atlético tropeçou mais uma vez em casa, ao só empatar com o Tombense, 1 x 1, além de deixar o Independência reclamando muito da arbitragem, a quem acusa de validar um gol irregular do time da Zona da Mata, e de não marcar um pênalti claro em Patric, que poderia ter-lhe dado a vitória.

São duas vitórias e dois empates até aqui sob o comando do venezuelano Rafael Dudamel, 66% de aproveitamento no Campeonato Mineiro, o que é pouco pela enorme diferença técnica e financeira sua em relação, sobretudo, aos times do interior.

Só uma zebra descomunal poderá tirar Atlético, Cruzeiro e América da decisão do título mineiro, mas o problema é que o tempo passa depressa e estes “treinos de luxo” ficarão para trás a partir desta quinta-feira (6), quando o Galo vai fazer o jogo de estreia com a obrigação de começar bem na Copa Sul-Americana.

O adversário será o Union de Santa Fé, um time modesto da província de Santa Fé, na Argentina, mas de onde as lembranças não são boas para o alvinegro, que foi eliminado da competição no ano passado pelo Colón, que é o maior rival deste que agora será seu oponente.

Novo líder
Em condições normais, não faria muita ou nenhuma diferença para o torcedor celeste comemorar a liderança do Campeonato Mineiro, conquistada em Juiz de Fora no último domingo com uma goleada de virada, 4 x 2, sobre o Tupynambás, último colocado e pior time da competição.

Nas atuais circunstâncias, entretanto, a liderança com um ponto à frente do maior rival, e com um jogo a menos, dá sim, moral e confiança ao atual time celeste, formado em sua maioria por garotos da base. O que não tem faltado ultimamente na vida do Cruzeiro são coisas estranhas, e em Juiz de Fora teve de tudo, até o goleiro e ídolo Fábio falhando num chute de longe que resultou no primeiro gol do “Baeta”.

E teve também o tento mais bonito até aqui neste estadual, um golaço marcado por Maurício, a maior revelação entre os jovens lançados no time principal, com a contribuição do estreante Roberson, que antes da conclusão havia dado um chapéu no adversário.

FIM DE PAPO
• Além de um novo líder - Cruzeiro, 9 pontos ganhos e um jogo a menos -, a 4ª rodada do Campeonato Mineiro teve um jogo adiado, Boa Esporte e URT, que vão se enfrentar em Varginha no dia 19 próximo. Ao menos desta vez foram marcados muitos gols, 14, nos cinco jogos disputados, uma média de 2,8. Na rodada anterior, com a média de meio gol por partida, foi registrado o recorde negativo nos 104 anos de existência do Campeonato Mineiro.

• Entre feliz e também apreensivo, o torcedor atleticano assiste a uma mudança radical de rumos da política de contratações do clube para esta temporada. Todo dia surge na mídia um nome novo no radar do Atlético, e agora os mais falados são os dos venezuelanos Savarino e Soteldo, além de Tardelli. É tanto nome, tanta badalação por parte da imprensa alvinegra, que nem se comenta mais o fato do orçamento aprovado em dezembro pelo Conselho Deliberativo prever apenas R$ 20 milhões na contratação de reforços.

• Para justificar este momento, o que se ouve dos dirigentes e dos entusiasmados setoristas do microfone e dos laptops é que o clube está recebendo a “ajuda de investidores”. Sem querer bancar o chato ou ser o advogado do diabo, ficam no ar duas perguntas básicas e óbvias: qual é a real porcentagem de participação destes investidores e do clube nos negócios em vista? E qual deles vai pagar o salário desta leva de jogadores recém-contratados?

• Há um ditado popular aqui dos nossos grotões que se aplica a esta situação: “Santo quando vê muita esmola, desconfia”. Os dois principais “parceiros” ou “investidores” anunciados são um banco e uma construtora do ramo imobiliário, ranqueados entre os maiores do continente. Mas vale lembrar que a plataforma política e ações da atual diretoria comandada pelo presidente Sérgio Sette Câmara se basearam até aqui em economizar para pagar e reduzir a dívida atleticana, que é uma das cinco maiores entre os clubes nacionais.

• Reforços são benvindos e necessários para conquistar títulos, e a torcida agradece. O estádio, sonho maior de todo atleticano, está virando realidade, mas é preciso se acautelar porque, historicamente, banqueiros e empresários visam lucro e não saem por aí fazendo gracinhas com o seu dinheiro. Em tempo de culto à boa música da MPB, principalmente do Clube da Esquina, a letra do clássico “Sol de Primavera”, do mineiro Beto Guedes, pode servir como um “para casa” aos dirigentes atleticanos: “A lição sabemos de cor/ Só nos resta aprender”. (Fecha o pano!)
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