13 de abril, de 2020 | 16:00
Errou por quê?
Fernando Rocha
A passagem do técnico venezuelano Rafael Dudamel pelo Atlético, de onde foi demitido após dez partidas apenas, ao ser eliminado em duas competições importantes, a Sul-Americana e Copa do Brasil, para adversários de pouco ou nenhuma tradição como o argentino Unión Santa Fé e o Afogados, de Pernambuco, continua rendendo assunto até hoje.Agora foi o jogador Nathan, em entrevista à Rede Record, que criticou abertamente o trabalho de Dudamel, acusando-o de autoritarismo no relacionamento com os jogadores e de ser confuso na hora de passar suas ideias táticas ao grupo de jogadores, o que teria incomodado e despertado a má vontade de alguns medalhões do grupo.
Dudamel respondeu Natan em tom igualmente áspero, chamou suas declarações de covardes” e revelou a existência do que chamou de clube social” dentro da Cidade do Galo.
Que o trabalho de Dudamel, na sua curta passagem pelo Galo, foi péssimo, disso não temos dúvidas, mas essa discussão traz aos holofotes o que já se sabe que acontece na maioria dos grandes clubes, onde os jogadores fazem o que bem querem e derrubam o treinador que ousar intrometer-se na sua quota de privilégios.
Natan, um jogador apenas mediano, perdeu um pênalti que poderia ter mudado a história da vergonhosa desclassificação do Galo diante do time do Afogados da Ingazeira e, talvez, teria até salvo a pele de Dudamel se tivesse feito o gol.
Agora fica a dúvida no ar: ele errou porque quis ou, como dizia o filósofo Neném Prancha, porque o pênalti é tão importante que deveria ser cobrado pelo presidente”?
Só dúvidas
Mais uma semana e as incertezas continuam quanto ao futuro do futebol no mundo, e consequentemente, aqui no Brasil.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, deu declarações sinalizando que as competições só deverão começar quando houver total segurança de que o futebol não será um complicador na guerra contra o Covid-19.
Mas, como e quando poderá haver esta retomada é a pergunta que não quer calar e, ao mesmo tempo, sem resposta neste momento.
O problema é que não há uma definição de prazo para a volta das competições, e a cada dia que passa fica mais difícil encontrar soluções. O resumo desta ópera bufa pode ser descrito pela famosa frase atribuída ao filósofo grego Sócrates (399/470 a.C): - Só sei que nada sei.
FIM DE PAPO
A CBF segue na mesma toada da FIFA, obedecendo às recomendações do governo federal na linha da Organização Mundial de Saúde. Isto quer dizer que as atividades do futebol só voltarão depois que o país retomar a vida normal. A resposta sensata da entidade preocupa os dirigentes, que estão numa outra linha, preocupados muito mais com a parte econômica do que propriamente em preservar vidas humanas.
O Flamengo, por exemplo, já está querendo retomar os treinos na próxima segunda-feira, dia 20, quando terminam as férias coletivas dadas aos seus jogadores. Amanhã haverá uma reunião na Federação Paulista de Futebol, com todos os clubes que disputam o campeonato estadual de lá, cujas decisões poderão repercutir em outros estados, onde há um desejo geral de retomar a disputa dos estaduais no início de maio.
Claro que esta é apenas uma esperança, a meu juízo, difícil de concretizar, pois a CBF, alinhada com a FIFA, não trabalha nesta vertente dos clubes, e sim, numa retomada a médio e longo prazo, indicando que o futebol só deve voltar quando não houver mais o risco do contágio. E não precisa ser um médico infectologista para saber que isso não vai acontecer na semana que vem. Ou nas próximas...
Por isto é que a incerteza no futebol tende a continuar. No momento, o mais importante é salvar o máximo de vidas humanas, pois é fato que a rede pública de saúde não dará conta de atender a demanda dos casos graves de infectados, se o desrespeito ao isolamento continuar. Quando for possível voltar, o futebol terá grandes chances de recuperar o tempo e o dinheiro perdidos com esta pandemia. (Fecha o pano!)
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Tião Aranha
13 de abril, 2020 | 22:11Se essa quarentena for até junho, depois de julho a gente nem vai saber andar na rua mais; só com a bengala.”