16 de julho, de 2020 | 12:06

Uma oportunidade de ouro

Iniciativa cultural educativa da Orquestra Ouro Preto tem 14 novos músicos

"São 14 oportunidades, 14 novos sorrisos, 14 pequenos milagres". É assim que Rodrigo Toffolo, maestro e diretor artístico da Orquestra Ouro Preto, define os novos integrantes da Academia Orquestra Ouro Preto, projeto sócio educacional da formação orquestral mineira.

Criada em 2019, a Academia tem a proposta de aperfeiçoar e lapidar o talento de jovens violinistas, violistas, violoncelistas, contrabaixistas e percussionistas. "São músicos já iniciados, mas que encontram obstáculos para realizar sonho de se tornarem profissionais, sobretudo devido ao alto custo dos investimentos", explica Toffolo.

Íris Zanetti/ACS OOP
Estudar na Academia é uma oportunidade para seguir carreira na músicaEstudar na Academia é uma oportunidade para seguir carreira na música
No início do ano, a Academia lançou um edital para selecionar novos integrantes. E em meio à quarentena, a boa notícia surpreendeu 14 jovens talentos que estavam em casa, vivendo em distanciamento social, muitos deles sem trabalho.

"Ampliamos o número de alunos bolsistas da Academia, que poderão dar continuidade aos seus sonhos profissionais e caminharem junto com a Orquestra no aprendizado e na troca de experiências", disse o maestro.

O projeto agora conta com 42 músicos. Os 14 novos alunos foram informados sobre a aprovação por meio de vídeochamada com o maestro Rodrigo Toffolo e as aulas tiveram início na segunda quinzena de junho.

Felicidade por aprender
Kennedy Guedes é um dos novos integrantes. O jovem de 23 anos, morador de Contagem, é contrabaixista. Ele se inscreveu em 2019 e não foi aprovado. Este ano ele se inscreveu outra vez e se surpreendeu com o resultado. “Só acreditei que fora aceito quando o maestro fez a vídeochamada. Foi uma notícia muito boa e em casa todos comemoraram", disse.

O músico avalia positivamente as primeiras aulas da Academia. "Estou crescendo, aprendendo com músicos profissionais e ótimos instrumentistas. Quero estudar para tocar próximo a eles", diz Kennedy, que estuda música na UFMG e vê na Academia um meio para concretizar o seu sonho. "Quero crescer na música e tocar em uma orquestra. Fazer mestrado e doutorado na música também está nos meus planos".

Um futuro possível
A jovem Talitha Marinho, de 21 anos, violoncelista que mora em Sarzedo, região metropolitana de BH, conta que a paixão pela música surgiu de modo natural. "Era criança e minha mãe me inscreveu em um projeto de música da prefeitura, e aos poucos descobri a paixão pela música. Eu me inscrevi na Academia porque queria participar de uma orquestra profissional".

Talitha também é estudante de música na UFMG e diz que começar os estudos durante a quarentena foi ótimo. "As aulas estão sendo um estímulo. Estava desaminada por causa da pandemia e a Academia veio em uma boa hora". Para o futuro, ela tem altos planos. "Quero seguir a trajetória acadêmica, viajar pelo país tocando violoncelo e ser professora de música", diz.

Porta de entrada
A Academia Orquestra Ouro Preto é uma porta de entrada para transformar realidades sociais por meio da cultura. Com aulas semanais na sede no Sesc Palladium, em Belo Horizonte, os alunos, entre 18 e 28 anos, recebem uma bolsa de R$700 por mês, além de material didático gratuito, num formato inédito de incentivo para estudo e prática da música no país.

Com a pandemia, as atividades da Academia Orquestra Ouro Preto estão sendo realizadas virtualmente. "Criamos um sistema de ensino a distância para os alunos da Academia estudarem. Eles gravam, mandam aos instrutores e eles retornam com as avaliações. As bolsas continuam sendo pagas e esse contato tão rico entre alunos e instrutores permanece", conclui Rodrigo Toffolo.
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