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25 de agosto, de 2020 | 09:00

No Dia Internacional da Igualdade Feminina, profissionais falam dos direitos garantidos e das lutas ainda em andamento

Arquivo pessoal
Sarah Suzan é fisioterapeuta e militante do coletivo ''Mulheres que Lutam''Sarah Suzan é fisioterapeuta e militante do coletivo ''Mulheres que Lutam''

Nesta quarta-feira (26) é comemorado o Dia Internacional da Igualdade Feminina. Na data são relembradas as lutas históricas da mulher por direitos de igualdade entre gêneros e as conquistas já obtidas durante esse processo. A fisioterapeuta, militante do coletivo “Mulheres que Lutam”, Sarah Suzan e a psicóloga Clínica e integrante do Grupo de Trabalho Gênero e Diversidade, Raísa Soares Souza, relatam sua percepção sobre o cenário da luta feminina em 2020.

Sarah Suzan, que faz parte da coordenação nacional da pastoral da Juventude pela Regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e articuladores da campanha nacional de enfrentamento aos ciclos de violência contra mulher, explica que o coletivo “Mulheres que Lutam” conta com participação de mulheres de todo Vale do Aço e de vários bairros.

Além desse coletivo, participa da articulação da campanha nacional de enfrentamento aos ciclos de violência contra mulher, campanha que foi criada em 2017 pela Pastoral da Juventude.

“Percebo que muitos direitos já foram conquistados pela classe feminina, mas foram por meio de muita luta. Todos os direitos que hoje as mulheres têm são fruto de muita resistência e persistência das companheiras. Porém, infelizmente ainda há misoginia, desigualdade social, machismo, patriarcado e, enquanto houver todas essas situações que destroem a vida das mulheres, elas nunca poderão viver na sua integralidade”, avalia Sarah.

Arquivo pessoal
Raísa Soares Souza é psicóloga Clínica e participa do Grupo de Trabalho Gênero e Diversidade Raísa Soares Souza é psicóloga Clínica e participa do Grupo de Trabalho Gênero e Diversidade
Já Raísa Soares afirma estar atenta a essas questões e diz que não poderia ser diferente na prática da sua profissão. “Participo do Grupo de Trabalho Gênero e Diversidade, onde trabalhamos questões acerca dessas urgências sociais, promovemos espaços de troca e informação, de ter um olhar atento aos direitos das mulheres e das questões de gênero é urgente, cada vez mais vemos a psicologia se posicionando e fazendo um trabalho de promoção de saúde. Precisamos usar do nosso espaço para contribuir no enfrentamento das desigualdades e violência que incidem sobre as mulheres, questionando o modo como as determinações de gênero impactam nossas vida, subjetividade e saúde mental”, pondera.

Lutas locais

No Vale do Aço, Sarah percebe que muitos homens ainda se veem superiores às mulheres, tanto profissionalmente quanto socialmente. “Na região, as mulheres ainda são vistas como objetos sexuais, por alguns, e percebo que a gente precisa avançar nesse sentido. Essa conjuntura reflete, por exemplo, nos nossos locais políticos, onde nas câmaras municipais e nas prefeituras as minorias são as mulheres. Tudo isso reflete a necessidade de avançarmos nas paridades de gênero. Sei que conseguiremos, temos muitas lideranças femininas fortes por aqui, muitas delas negras. Destaco ainda mais a importância da valorização dessas mulheres, e também uma geração de jovens meninas com crescente consciência de classe. Enquanto houver uma de nós sofrendo, nós estaremos lá para ajudar. Elas por elas”, assegura.

Raísa acrescenta que tem percebido maior interesse e envolvimento das pessoas sobre a importância dos movimentos e conquistas feministas, o que favorece a informação, provoca reflexões e como consequência, mudanças sociais. “Entretanto, cito aqui Simone de Beauvoir, que disse há décadas e, nesse sentido, pouca coisa mudou: ‘basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados’. O que quero dizer é que nosso trabalho deve ser constante, ainda há muito o que se trabalhar sim. Precisamos cada vez mais articular nossas lutas às minorias e tornar presente nosso diálogo”, reforça.

Em âmbito regional, ela vê o Vale do Aço como preconceituoso, mas ainda há esperança. “As pessoas estão mais engajadas e interessadas nesse sentido. Acompanho o trabalho de muitas mulheres que estão se posicionando de forma a gerar informação e empoderamento, sei de uma movimentação em grandes empresas da nossa região com programas de diversidade, que promove discussões e mudanças a favor da equidade de gênero, grupos como o ‘troca de saberes’ (que nesse momento está on-line) e promove encontro para abordar temas diversos, onde mulheres são a voz prioritária. Há muito trabalho bacana sendo feito, há uma carência quando pensamos na presença política, mas acredito que estamos no caminho certo”, conclui.
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