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24 de março, de 2021 | 09:51

Sindicato patronal do comércio defende redução salarial para evitar demissões em massa

Dirigente de entidade dos empresários propõe uma negociação regional com os representantes dos comerciários

Emmanuel Franc /Divulgação
Entidade alega que, para que não haja demissões nas lojas, é necessário um programa ou uma negociação de redução salarial que abranja os comerciáriosEntidade alega que, para que não haja demissões nas lojas, é necessário um programa ou uma negociação de redução salarial que abranja os comerciários

Impedidas de receber clientes nas três maiores cidades da região, as lojas dos segmentos classificados como “não essenciais” devem começar a demitir funcionários em breve. É que o prevê o Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Bens e Serviços (Sindcomércio) do Vale do Aço, em nota enviada à imprensa na manhã desta quarta-feira (24). "Sem um programa de redução de salários que abranja os comerciários, a entidade acredita que os empresários de Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo não terão outra saída e já deverão dispensar parte dos funcionários nas próximas semanas", alerta a direção do Sindcomércio.

“Sem vender, como vamos pagar as contas? Intensificamos o trabalho nas nossas lojas on-line, que avançou na pandemia, mas o que é comercializado pela Internet ainda representa muito pouco do faturamento da maioria das empresas”, explica o presidente do Sindcomércio, José Maria Facundes.

O dirigente sindical lembra que, em abril do ano passado, por meio da Medida Provisória 936, o Governo Federal criou o Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda, conhecido como BEM. Nele, foi possível a suspensão de contratos e redução de jornada de trabalho, com pagamento de parte dos salários pelo governo. “Há a expectativa de que a MP 936 seja reedidata, mas, por enquanto, estamos sem qualquer tipo de medida trabalhista complementar para enfrentamento do estado de calamidade pública que vivemos”, lamenta Facundes.
Divulgação
"Há a expectativa de que a MP 936 seja reeditada, mas, por enquanto, estamos sem qualquer tipo de medida trabalhista complementar para enfrentamento do estado de calamidade pública que vivemos", lamenta Facundes

Negociação regional

Com a lentidão do Governo Federal em se posicionar sobre a reedição da MP 936, o Sindcomércio Vale do Aço enviou, no início da tarde de segunda-feira (22), aos sindicatos que representam os comerciários em Ipatinga, Fabriciano e Timóteo, uma proposta que prevê — entre outras medidas — a suspensão de até 90 dias do contrato de trabalho para empregados do grupo de risco. Neste período, a empresa pagaria 60% do salário, mas como uma espécie de abono, ou seja, a título de verba indenizatória, de maneira a não incidir impostos sobre o valor.

Na proposta, o Sindcomércio ainda solicita a redução da jornada de trabalho e salarial em 25% também por até 90 dias. Sugere-se, ainda, a antecipação de férias individuais e coletivas, até a segunda quinzena de junho. “Temos conversado com os representantes laborais e esperamos que haja bom senso e flexibilidade, pois só assim será possível manter as nossas empresas abertas sem demissão. Se o que estamos propondo for aceito, acredito que será possível garantir a manutenção dos empregos”, conclui Facundes.

Entenda

Por determinação do governador Romeu Zema, o Vale do Aço, assim como o restante do Estado, está enquadrado no estágio mais avançado do programa estadual Minas Consciente, a onda roxa. Assim, as lojas consideradas "não essenciais" estão impedidas de receber clientes. No entanto, podem realizar vendas on-line e operar com sistema de entregas em domicílio ou retirada no balcão.

Os impactos das medidas implementadas foram avaliadas na terça-feira, em uma reunião dos representantes do setor produtivo mineiro, com o governador Romeu Zema.
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