27 de março, de 2021 | 06:00

Maratona de jogos

Fernando Rocha

Divulgação
Fernando RochaFernando Rocha
A CBF divulgou as tabelas das Séries A e B do Campeonato Brasileiro 2021, possibilitando aos clubes fechar o planejamento da temporada, que terá um dos mais inflados calendários de jogos de todos os tempos.

Se conseguir chegar à final de todas as competições que irá disputar, em 2021, aí incluindo o Campeonato Mineiro, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro Série A, Libertadores ou Sul-Americana, caso fique em terceiro lugar na fase de grupos da primeira, o Atlético fará 76 jogos na temporada, 20 a mais do que na anterior.

Para piorar, já se sabe que até a metade do Campeonato Brasileiro, cujo título persegue há quase meio século, o time jogará desfalcado de vários titulares importantes, que deverão ser convocados para servir não só à Seleção da CBF, mas, sobretudo, às dos países vizinhos, que vão disputar as eliminatórias da Copa do Mundo 2022 e Copa América, além dos amistosos de preparação.

Caso a pandemia de Covid-19 permita, os nossos intrépidos e cavernosos cartolas do continente vão promover um “balacobaco” de primeira, com autênticas maratonas por diversos países em partidas - que vejo como desnecessárias - envolvendo as seleções.

Tiro no pé
A obediência cega dos clubes à CBF e Conmebol, entretanto, é coisa que desafia a nossa inteligência, na tentativa de decifrar o que está por trás disso tudo.

Por que os cartolas tupiniquins aceitam passivamente ver suas equipes desfalcadas e prejudicadas nas competições que disputam, por causa dos jogos de seleções que só beneficiam as federações e confederações?

Por último, acho que deram um tiro no pé ao aprovar uma mudança no regulamento do próximo Campeonato Brasileiro, que os impedirá de demitir o treinador mais de uma vez durante a competição.

A ideia, que em tese parece ser boa, poderá trazer sérias consequências para os clubes no futuro, já que eles se mostram incapazes de planejar e executar uma temporada do início ao fim.

Ou alguém acha que os dirigentes dos clubes brasileiros serão capazes de manter o treinador no cargo, mesmo que ocorra uma sequência de derrotas com ameaça de rebaixamento batendo à porta?

FIM DE PAPO
• O texto com a novidade no regulamento do Brasileirão 2021 ainda não está pronto, mas será preciso que haja muita clareza nele, pois o que não vai faltar é gente para burlá-lo, exercitando o famoso “jeitinho brasileiro”. A princípio, os clubes só poderão demitir o técnico uma vez, que, por sua vez só podem pedir demissão também uma vez, sob pena de não dirigir outro clube no mesmo campeonato.

• Até aí, tudo bem. Mas, na prática, pode ser que vejamos evidências claras de clubes que, debaixo dos panos, farão acordos para que os treinadores comuniquem oficialmente que pediram demissão, pois neste caso poderiam contratar outro profissional para ocupar o cargo. Pode acontecer que, ainda com mais ‘cara de pau’, os clubes contratem um técnico como "coordenador" e o auxiliar apenas assine a súmula.

• Extrapola os limites da racionalidade, o que tem sido feito pela CBF e Federação Paulista de Futebol, para não paralisar os jogos da Copa do Brasil e do Campeonato Estadual de São Paulo. Com o agravamento da pandemia da covid-19, as filas de espera por um leito crescendo nas UTI’s e enfermarias, recordes sucessivos de mortos em todas as regiões do país, a insistência em manter jogos de futebol fora dos padrões normais provoca nos cidadãos de bom senso e respeito à vida um sentimento de repugnância.

• Há pouco mais de um ano, a CBF disse ter “respeito à vida” e suspendeu as competições nacionais por tempo indeterminado, por conta da pandemia de coronavírus. E agora, mudou completamente o discurso. Acredito que a entidade deveria, isto sim, olhar para o próprio umbigo e planejar um calendário racional, prevendo uma pré-temporada decente com menos partidas de campeonatos estaduais e respeito às datas FIFA.

Neste momento, se nada mudar nos calendários de FIFA e Conmebol, serão 19 jogos com esse tipo de interferência, ou um turno inteiro do Campeonato Brasileiro. Nem a CBF nem a sua coadjuvante, a Federação Paulista, admitem discutir o que seria atacar a causa da pior "doença", que está na estrutura federativa do futebol brasileiro, com seus campeonatos estaduais inchados, obsoletos, que inviabilizam qualquer modernização da estrutura existente. “O futebol brasileiro não é para gente séria”, já dizia o mestre Telê Santana. (Fecha o pano!).
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