30 de junho, de 2021 | 10:00

Bandeira tarifária de julho custará R$ 9,4 a cada 100 quilowatts/hora

Geógrafo avalia aumento na conta de luz como ''pagamento'' pelo desenvolvimento sem preocupação com sustentabilidade

Bruna Lage
Custo da energia, que já não estava baixo, ficará ainda mais caro  Custo da energia, que já não estava baixo, ficará ainda mais caro
(Bruna Lage - Repórter do Diário do Aço)
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (29) a resolução que estabelece as faixas de acionamento e os adicionais das bandeiras tarifárias a partir de 1º de julho, esta quinta-feira. O valor da bandeira tarifária patamar 2 referente a julho de 2021 será de R$ 9,492 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. O geógrafo e pós-graduado em Gestão Ambiental de Ipatinga, Alessandro de Sá, explica que a sociedade está pagando pelo desenvolvimento urbano e econômico social, feito sem se preocupar com a sustentabilidade da cadeia ecológica.

O Operador Nacional do Sistema (ONS) vem registrando sucessivos recordes históricos de níveis críticos na quantidade de chuva sobre os principais reservatórios desde setembro de 2020, quando começou a última temporada hidrológica úmida nas principais bacias hidrográficas com empreendimentos de geração de energia elétrica no Brasil. Alguns meses nesse intervalo registraram as piores afluências de que se tinha conhecimento até então, cuja referência inicia-se em 1931.

Simulações conduzidas pela Aneel, a partir das condições de contorno estabelecidas pelo ONS no âmbito dos Programas Mensais da Operação (PMO) de junho e de julho de 2021, confirmaram conjuntura de excepcional severidade hidrológica para o segundo semestre de 2021. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) declarou situação crítica de escassez quantitativa de recursos hídricos na bacia hidrográfica do rio Paraná, uma das principais do país, mediante a edição da Resolução ANA nº 77, de 1º de junho de 2021.

Simulações da Aneel demonstraram que os valores anteriormente estimados em Consulta Pública, realizada para a contribuição da sociedade para o cálculo da atualização das bandeiras em 2021, seriam insuficientes para cobrir os custos de compra de energia das distribuidoras.

Quadro alarmante

Alessandro de Sá pondera que a questão hídrica, em sua essência, é fruto dos efeitos das condições climáticas e do custo que a sociedade está pagando pelo desenvolvimento urbano e econômico social. “O termo sustentabilidade tem que ser aplicado na execução das políticas públicas. A crise hídrica está relacionada ao baixo índice de chuva, ou chuva com precipitação mal distribuída dentro de uma determinada região e que antes caia durante quatro ou cinco dias, seja resumida a um índice de pluviosidade de 80, 90 milímetros, mas em três horas. Essa tempestade cai onde não existe bacia ou represa que fortaleça a matriz energética de produção de energia”, observa.

Ele acrescenta que há uma ruptura onde precisaríamos ter grandes coberturas de extensão de terra, mas ocorre desmatamento. “Crise hídrica está relacionada ao uso do solo e condições climáticas. Porque nossa atmosfera não tem fronteiras, o que ouvimos falar de desmatamento na floresta amazônica e no Pantanal, no Parque Estadual do Rio Doce – mesmo que numa escala pequena -, tudo isso afeta a questão climática e diretamente a distribuição e formação de chuva”, avalia o geógrafo.

Baixa renda

A incidência dos adicionais de bandeiras tarifárias na conta de luz dos consumidores que possuem direito à Tarifa Social de Energia Elétrica segue os mesmos percentuais de descontos que são estabelecidos por faixa de consumo. Tais famílias, inscritas no programa de Tarifa Social, pagam as bandeiras com os mesmos descontos que já têm nas tarifas, de 10% a 65%, dependendo da faixa de consumo.

“É necessário entender que a questão toda está resumida ao uso do solo. É aplicação da política pública que tem que ser levada a sério pelos órgãos competentes e empresas. É preciso ter cobertura vegetal, unidades de conservação. Isso tudo tem que existir para manter o clima mais adequado, o índice pluviométrico e cursos d’água, para que tenhamos um ciclo hidrológico em perfeito estado de funcionamento”, conclui Alessandro de Sá.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Marcos Guimarães

30 de junho, 2021 | 13:13

“Sempre o mesmo Blá, blá blá.. que a falta de chuvas, que a Matriz energética, que os cursos d`água, a floresta amazônica e o povo se FERRANDO para manter o Estado.
Temos uma carga de impostos severamente alta incluída na conta de Luz, água, combustíveis em geral e alimentação, fora o imposto de renda cobrado nos salários da maioria dos brasileiros que batem cartão, criamos um monstro e trabalhamos apenas para subsistir.
A Pandemia quebrou muitos setores da economia e com isso o endividamento interno cresceu e todos agora pagam pelo auxilio emergencial, os roubos, os desvios de verbas e talvez até vacinas.
No pano de fundo uma CPI sob a lona do circo onde um elefante equilibra um palhaço do executivo e toda a corja que mama nas tetas da vaca chamada Brasilia.
Soltos nos pastos, jumentos e tantos Gados trocam chifradas e coices, na contra-mão, se amontoam os pobres cadáveres de quem desistiu mesmo, até de viver.
O Brasil não tem conserto, e Minas não tem remendo.
Mas somos de luxo BEM!
O Estado mais caro da Nação também é onde se diz:
UAI??? aumentaram de novo?
Cemig, pague em dinheiro o que você lesou em dinheiro. Eu não paguei conta de luz com bala doce.”

Envie seu Comentário