11 de agosto, de 2021 | 09:00
Psicóloga diz que educadores e pais precisam estar atentos ao comportamento dos estudantes na volta às aulas
Nesta quarta-feira, 11 de agosto, quando se comemora o Dia do Estudante, a psicóloga/psicanalista e especialista em Psicanálise e Saúde Mental, Juliana Corrêa Andrade, fala sobre os efeitos e interferências da pandemia de covid-19 na vida do estudante agora que muitas escolas têm retornado com as aulas presenciais.
Funcionária do Sus que atua na área da saúde mental infantojuvenvil, Juliana destaca como a escola é um lugar de troca, e não só de aprendizagem para crianças e adolescentes. Por isso, pais e educadores precisam estar atentos e observar os estudantes neste retorno, já que uma análise concreta dos efeitos e perdas no aprendizado ainda não pode ser concluída.
Como a pandemia tem mudado o comportamento dos estudantes mesmo com o retorno das aulas presenciais?
O fato de estarmos muito próximos de algo que nos aproxima da morte, do adoecimento, sem saber exatamente o que virá no próximo dia, afeta diretamente a vida de qualquer estudante. Se a gente pensar também nos jovens que iniciaram uma faculdade, mas, que não tiveram aula presencial, ainda nem ocuparam os espaços e a oportunidade do saber de uma profissão. Os adolescentes que estavam em processos seletivos para programas de Jovem Aprendiz, do primeiro emprego, como isso também interfere na construção de sonhos, dos projetos de vida. O momento é de delicadeza, de acolher do jeito que vier, considerando as limitações necessárias nesse contexto e observar.
Professores e demais profissionais precisam de treinamentos e orientações específicas para receber os alunos?
Os estudantes precisam de uma atenção especial mesmo que esse retorno seja gradual, porque não sabemos como cada um vivenciou esse período, como o isolamento fez efeito, quais as perdas, se houve perda de algum familiar. Mesmo quando não há essa perda de parentes, houve essa perda do convívio social. Aquelas avaliações diagnósticas são necessárias e toda a comunidade escolar precisa de treinamentos e acredito que já deve estar ocorrendo, muitas escolas usaram esse período para planejamento e esses momentos são importantes para dar fala para os educadores pensarem novas formas, pois é um recomeço, tudo muito novo.
Todo esse cenário de mudanças ainda causa insegurança e pode interferir no aprendizado?
Com certeza, exatamente por ser um cenário de mudanças que ainda não foram finalizadas, mas que ainda estão ocorrendo. Se antes tínhamos um ambiente mais organizado, hoje nós estamos vivendo um processo de mudança. Não quer dizer que todos vivenciarão essa dificuldade, ainda sim esses alunos não irão voltar para a mesma escola, a forma de ocupar o espaço será diferente, as relações corporais. E não se aprende apenas com o professor falando. Cada um pode ter uma reação negativa ou positiva, é o estudante que vai dizer, a escola precisa estar muito atenta e muita aberta, vamos ter que reconstruir escutando a experiência do estudante.
Como os pais podem perceber essas mudanças e necessidade de um apoio psicológico?
Ficar um ano e meio junto com a família e depois sair desse espaço e ainda sabendo da existência de um vírus contagioso pode ser visto com medo pelos alunos. Esse medo pode interferir no processo de aprendizado. Aquela criança que não quer ir para escola, que antes aprendia com facilidade e hoje não aprende mais, quando ela deixa de participar das atividades com os amigos e hoje se isola mais. Então é importante que a família fique muito atenta, converse junto com a escola, relate para os responsáveis da escola como o filho tem vivenciado a pandemia, se houve perda de algum familiar ou pessoa próxima. E observar como a criança irá acolher esse retorno para a escola e se o momento está difícil, se existe algum sofrimento, o estudante deve ser escutado.
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