25 de fevereiro, de 2022 | 17:55
Por que a Rússia invadiu a Ucrânia?
William Passos*
"A desintegração da Rússia histórica sob o nome de União Soviética foi a maior catástrofe geopolítica do século XX". Esta frase foi proferida no início da década de 2000 por Vladimir Putin, espião da KGB (antiga agência de inteligência soviética) por 16 anos e o segundo líder russo (alternando-se como presidente e primeiro-ministro) desde a desintegração da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1991.Putin assumiu como presidente interino, após a renúncia de Boris Yeltsin em 1999, e, menos de quatro meses depois, foi eleito para seu primeiro mandato como presidente da Rússia. Com isso, o ex-espião da KGB tornou-se o líder mais longevo no Kremlin desde Joseph Stalin, falecido em 1953.
Entretanto, a Rússia dos dias atuais tem muito menos a ver com o socialismo real da antiga superpotência União Soviética do que com a recuperação da Rússia Imperial dos tempos dos czares, em aliança com a Igreja Ortodoxa, herança dos gregos bizantinos, e os conservadores valores da família tradicional”.
Ao avançar por terra, ar e mar em direção a Ucrânia, sob um premeditado e enorme nível de coordenação, Vladimir Putin deixa claro que não quer entregar a Ucrânia bovinamente à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), abrindo flanco para a instalação de mísseis na cola da fronteira russa.
Segundo maior território do continente europeu, com pouco mais de 45 milhões de habitantes, a Ucrânia é uma ex-república soviética, cuja independência, oficializada meses antes da desintegração da URSS, não é reconhecida pelo premiê russo.
"A guerra é a continuação da política por outros meios”. A famosa definição atribuída a Carl Von Clausewitz (1790-1831), militar prussiano e autor do mais famoso tratado sobre o tema da guerra no Ocidente (Da Guerra”, ou Sobre a Guerra” do alemão Vom Kriege”), serve para se referir que o Oriente (leia-se Rússia em aliança com a China) avança pelas brechas deixadas pelo enfraquecimento (ou fraquejamento) do Ocidente (leia-se EUA, Reino Unido e Europa, esta última, especialmente Alemanha e França), redesenhando as áreas de influências e os polos de poder inscritos no mapa da Europa desde o fim da Guerra Fria (1945-1991).
Naquela época, a ordem bipolar distribuiu os países do Oeste e do Leste Europeu, respectivamente, pelas alianças militares da Otan e do Pacto de Varsóvia. Com a dissolução deste último, em consequência do fim do bloco socialista, a Otan passou a avançar em direção a Rússia, chegando a incorporar Letônia, Estônia e Lituânia, as três Repúblicas Bálticas vizinhas a Ucrânia.
Em 2014, uma onda de protestos nacionalistas, chamada Revolução Euromaidan, depôs um governo pró-Moscou, dando início à aproximação ucraniana com o Ocidente. No mesmo ano, Putin anexara a península da Criméia, situada ao sul do território ucraniano.
Na nova ordem”, ou nova (des)ordem”, territorial europeia, desenvolveu-se o acordo tácito de que a Ucrânia foi entregue à influência russa, enquanto o restante da Europa Continental, de Portugal às Repúblicas Bálticas, seriam propriedade do Ocidente. Isso ajuda a explicar a reação das potências ocidentais, limitadas ao anúncio de sanções econômicas sobre a Federação Russa e ao apelo pela retirada imediata das tropas russas sobre o território ucraniano.
No momento em que este artigo está sendo escrito, apenas dois dias após o início da invasão ordenada por Vladimir Putin, a capital ucraniana, Kiev, já se encontra sob forte cerco russo, que avançou até o centro-norte do território do país vencendo fraca resistência. Possivelmente, Moscou substituirá o governo ucraniano em poucas horas, reabilitando parte da idealização da Rússia czarista e soviética em torno da Grande Mãe Rússia”.
*Geógrafo, doutorando pelo IPPUR/UFRJ e colaborador do Jornal Diário do Aço. Email: [email protected]
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]
















Tião Aranha
25 de fevereiro, 2022 | 22:28Tá mais para declínio coletivo. Ou quem sabe é o Anticristo que Já chegou. Tá todo mundo temendo o homem. Risos.”