26 de março, de 2022 | 09:00
Precariedade da BR-381 faz aumentar custos e tempo gasto com transporte da Indústria do Vale do Aço
Divulgação
No período em que o trecho da rodovia em Nova Era ficou intransitável, os gastos com frete foram ainda maiores
No período em que o trecho da rodovia em Nova Era ficou intransitável, os gastos com frete foram ainda maiores Desvios, buracos, acidentes frequentes e pista simples em alguns trechos. Passar pela BR-381 é um desafio para os profissionais que realizam o transporte de carga. Diante da situação precária da estrada, o tempo gasto no trajeto aumenta e o serviço de frete acaba ficando mais caro.
Segundo levantamento realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), durante o período em que o trecho em Nova Era ficou interditado, devido ao estufamento do asfalto no Km 321, houve um aumento de R$ 2 milhões no frete cobrado diariamente nas entregas saídas do Vale do Aço com destino a Belo Horizonte.
Flaviano Gaggiato, presidente da Fiemg Regional Vale do Aço, explica como a federação chegou ao número. Esse levantamento foi uma pesquisa rápida que realizamos juntos às principais indústrias da região no impacto que estava tendo o desvio passando por Juiz de Fora, quando houve a interdição tanto da BR-381 quanto da BR-262 (em Abre Campo), mas isso era uma coisa pontual, daquele momento, e que hoje já não reflete este mesmo valor”, afirmou.
Tempo de deslocamento
O diretor da Thermon Indústria Mecânica, João Batista Alves, sentiu no caixa da empresa o aumento do custo do frete durante a interdição. A solução encontrada pelo empresário foi renegociar os prazos de entrega. Durante a interrupção do trânsito em Nova Era, aumentou o custo em 50%. E esse custo foi arcado pela empresa”, contou.
Mesmo diante da liberação do trecho em Nova Era, os valores gastos com o transporte não são mais os mesmos. Na empresa de João Batista, por exemplo, o frete representa um gasto de 5% a 8%. O tempo de transporte e o custo aumentaram. O custo do transporte aumentou em 15%”, declarou.
A BR-381 é tão importante para o trabalho desenvolvido pela empresa do diretor que ele a comparou às artérias, aqueles vasos sanguíneos que garantem o transporte do sangue do coração para diferentes partes do corpo humano. A rodovia é para nós hoje como se fosse uma artéria, é vital. Tanto para escoar a produção quanto para receber a matéria-prima. Se romper essa artéria, o corpo morre”, analisou.
O empresário depende de forma significativa da estrada. Pelo menos a metade da matéria-prima que chega até a empresa de João Batista vem de Belo Horizonte. Tenho 180 funcionários e, se eu não tiver matéria-prima, eu não posso mandá-los embora”, afirmou.
Para nós do Vale do Aço, a 381 é de uma importância vital, uma vez que ela é o corredor de escoamento de produtos das principais âncoras da nossa região e também um corredor para trazer as matérias-primas e muitos insumos por meio rodoviária”, destacou o presidente da Fiemg Regional Vale do Aço.
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Flaviano pontua alguns problemas da BR-381: Estrada antiga, muito sinuosa, muito malconservada, com vários buracos, obras iniciadas e não terminadas da duplicação, o que traz mais transtornos ainda”, pontuou.
O diretor da Thermon Indústria Mecânica acredita que não há outra solução a não ser seguir com o projeto de duplicação. Acredito que o Vale do Aço é a região de maior rentabilidade produtiva de Minas Gerais e tem a pior estrada. O pior movimento rodoviário é o do Vale do Aço, o pior desenho de estrada. Pequenas reformas não dão mais e é preciso seguir com o projeto de duplicação”, disse.
Dnit e Ministério da Infraestrutura
Em nota, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que o órgão é responsável por quatro de um total de 11 lotes de obras da duplicação. Explicou que dois lotes estão em execução, um já foi 100% duplicado e outro (3.1 no Vale do Aço) deve ser concluído em agosto de 2022. Desde 2019 já foram liberados cerca de 55 km”, declarou. O órgão informou também que tem atuado de maneira prioritária na recuperação dos trechos afetados pelas chuvas nas rodovias federais de Minas Gerais. O trabalho do Dnit ocorre de maneira ininterrupta, desde o final de dezembro de 2021”.
Em relação aos outros lotes, que ainda aguardam pela duplicação, o Diário do Aço procurou o Ministério da Infraestrutura, que respondeu em nota que os lotes previstos no projeto de concessão rodoviária serão reestruturados para que se chegue a uma nova modelagem mais atrativa para os investidores”. A obra ficará a cargo da iniciativa privada, no contexto do projeto de concessão da rodovia. Programada para janeiro deste ano, o leilão para a concessão foi suspenso (pela quarta vez), por falta de interessados e o edital passa por adequações para ser republicado.
Ainda na nota, o Ministério da Infraestrutura acrescentou que o tema é prioridade para o Governo Federal: o edital deve ser publicado ainda no primeiro semestre de 2022, com leilão até o fim do ano”.
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Reinaldo Vieira Cardoso
26 de março, 2022 | 14:50lamentavelmente o vale do aço fica assim uma rodovia necessária para desenvolvimento da região, completamente abandonada nesses mais de 30 anos , quantos políticos já se passaram pela região e nada foi feito, as mentiras e promessas são as mesmas.”