08 de julho, de 2022 | 12:00
Cigarro eletrônico aumenta em duas vezes as chances de disfunção erétil
Carlos Vaz *
Em todo lugar vemos pessoas fumando cigarros eletrônicos. O famoso vaper” virou uma epidemia que caiu no gosto da população e tomou conta de baladas, bares e até mesmo as ruas. Dos jovens aos adultos, o dispositivo eletrônico é uma bomba que afeta vários órgãos do corpo humano, sobretudo o coração, pulmão, a boca e até o sistema reprodutor.Para os homens, o uso diário do aparelho que funciona como um tabaco aquecido” vem acompanhado de grandes riscos para a saúde sexual: as chances de desenvolver disfunção erétil aumentam em duas vezes, é o que mostra estudo da revista médica American Journal of Preventive Medicine, que comparou homens fumantes e não fumantes acima de 20 anos. Já no caso dos idosos acima de 65 anos, as chances de disfunção aumentam ainda mais: são 2,4 vezes maiores.
Fato é que apesar de serem vendidos como produtos inofensivos”, o cigarro eletrônico é carregado de nicotina, composto que atua diretamente na inflamação do organismo, danificando os vasos sanguíneos e prejudicando a circulação - essa, que é fundamental para o funcionamento do aparelho reprodutor masculino. Sem uma boa vascularização do órgão, não há ereção e está instaurada a disfunção.
Não é raro receber pacientes adultos e saudáveis no consultório, sobretudo aqueles que possuem comportamentos que, mesmo com a pouca” idade, indicam problemas no que diz respeito às questões sexuais. Oocorre que a maioria dos casos tratados nessa faixa etária, dos 20 aos 50 anos, são motivados pelos hábitos prejudiciais adquiridos durante a vida, causando danos cumulativos. Nesse caso, a prevenção é o melhor caminho para quem ainda tem tempo de mudar.
"Apesar de serem vendidos como produtos 'inofensivos',
o cigarro eletrônico é carregado de nicotina, composto
que atua diretamente na inflamação do organismo"
Um projeto de lei que tem como objetivo proibir o uso de cigarros eletrônicos em Belo Horizonte (MG) está em tramitação na Câmara dos Vereadores da capital, tendo em vista a febre do dispositivo e os potenciais prejuízos à saúde. A verdade é que os danos são percebidos a curto e longo prazo, portanto, os próximos anos dirão como de fato o cigarro compromete a saúde e qualidade de vida de seus usuários, deixando a situação ainda mais preocupante.
No entanto, quando o homem já se encontra diagnosticado devido ao uso dessas substâncias altamente tóxicas é necessário parar imediatamente o uso dos dispositivos eletrônicos e começar um tratamento de acordo com o grau de disfunção - se mais leve ou mais severa. O mais comum é tratarmos com medicação, mas em alguns casos pode ser necessário apelar para intervenções mais severas, como a injeção de medicamentos no local e até mesmo cirurgia.
* E médico pela UFMG, urologista, fellow em cirurgia laparoscópica e robótica em Paris, mestre em oncologia e diretor presidente do Hospital Urológica.
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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