09 de julho, de 2022 | 11:00
Em Minas, um belo horizonte para Zema
William Passos*
A pesquisa Genial/Quaest de julho, realizada entre os dias 2 e 5 deste mês, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos e registrada na Justiça Eleitoral sob os números MG-00322/2022 e BR-01319/2022, amplia a "surra" nas urnas de Zema sobre Kalil, em comparação à medição feita em maio.Se, cerca de dois meses atrás, na pesquisa estimulada, o atual governador de Minas Gerais batia o ex-prefeito de Belo Horizonte por 11 pontos de diferença (41% a 30%), agora o ocupante do Palácio da Liberdade coloca 18% de distância (44% a 26%), pavimentando o caminho da vitória no primeiro turno.
Realizada presencialmente, o tipo de coleta de metodologia de pesquisa de intenção de votos mais confiável, 1.480 eleitores mineiros foram entrevistados face a face, garantindo ao levantamento 95% de confiança, ou seja, caso a mesma pesquisa fosse repetida 100 vezes, pelo menos 95 apresentariam os mesmos resultados dentro da margem de 2,5% para mais ou para menos.
Carlos Viana (PL), com 2%; Vanessa Portugal (PSTU), Renata Regina (PCB), Miguel Corrêa (PDT), Marcus Pestana (PSDB) e Lorene Figueiredo (PSOL), com 1% cada, completam o quadro eleitoral assumindo o papel de retardatários na corrida ao governo estadual.
Os indecisos representam 15%, enquanto os que não pretendem votar ou irão votar em branco ou nulo somam 9%. Descontando todos eles, Zema bateria Kalil por 60% a 40% por votos válidos, no segundo turno.
As urnas mandarão um importante recado
não apenas aos eleitos por Minas Gerais:
eficiência administrativa e percepção de
honestidade também importam”
A emergência de Zema no cenário político brasileiro, após o bolsonarismo, talvez seja a maior novidade dos últimos quatro anos. Diferentemente do discurso antissistema do capitão de baixa patente que ocupa o Palácio do Planalto, em Brasília, nascido em São Paulo, mas fruto da velha e atrasada política carioca de direita herdeiras do udenismo e do lacerdismo, a "nova política" do Partido Novo de Romeu Zema abandonou o fisiologismo imperial da política mineira tradicional, simbolizado pela extravagância das 32 empregadas domésticas e 7 aeronaves à disposição do governador de Minas, da época de Fernando Pimentel, e o substituiu pela austeridade da doação integral do salário do chefe do executivo estadual, pela eliminação do uso pessoal do patrimônio do estado pelo governador e pela profissionalização da máquina administrativa, com a ocupação da burocracia de estado por pessoal da iniciativa privada selecionado por concurso, em substituição à tradicional distribuição até mesmo de cargos técnicos a apadrinhados políticos.
À "moralização" administrativa, no caso de Zema, somou-se ainda a percepção de eficiência governamental, com o equacionamento da dívida estadual e o retorno, após cinco anos, do fim do parcelamento dos salários dos servidores estaduais.
Caso a reeleição de Zema se confirme, o que deve ocorrer em 2 de outubro, as urnas mandarão um importante recado não apenas aos eleitos por Minas Gerais: eficiência administrativa e percepção de honestidade também importam.
Ao contrário do que prega o Partido Novo, naturalmente, num país subdesenvolvido, atrasado, periférico, dependente e portador de profundas desigualdades sociais, nossa burguesia empresarial servil aos interesses das grandes potências estrangeiras está muito longe de ser a nossa última tábua de salvação.
O governo Zema, dos ricos, com os ricos e para os ricos, vai encerrar seus primeiros quatro anos sem ter apresentado qualquer programa social. Coerente com quem crê no dogma de que o mercado, sozinho, desenvolve a economia e a sociedade e de que gerar oportunidades de trabalho basta para combater a pobreza, ignorando toda a vasta literatura científica da ciência econômica e das ciências sociais que, provam, categoricamente, o contrário. Também coerente com a biografia de um pequeno empresário de um médio município do Triângulo Mineiro que conseguiu escalar seu negócio para toda a Minas Gerais, dobrando a concorrência das elites de Belo Horizonte, mas absolutamente inadequado às nossas necessidades de fazer o bolo crescer distribuindo, ao mesmo tempo.
De qualquer forma, é preciso observar atentamente como o espelho do Brasil”, de Guimarães Rosa, reflete o país.
* Geógrafo, doutorando pelo IPPUR/UFRJ e colaborador do Diário do Aço. E-mail: [email protected]
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Pliveira
11 de julho, 2022 | 05:40O Zema é mais do mesmo, veja como foi a escolha do Presidente da Cemig.”
Tião Aranha
09 de julho, 2022 | 16:29? mais fácil um pobre ajudar um outro pobre, do que um rico ajudar um pobre. Pior que hoje a Esquerda neste país virou Situação. Sem falar que ela é especialista em fazer Demagogia. Tem gente que ainda acredita. Risos.”