14 de julho, de 2022 | 12:00

Na onda da inflação, imóveis também sobem de preço

Adson Almeida *

Os imóveis novos estão mais caros. Na onda da inflação decorrente da alta dos combustíveis, da escassez de fertilizantes russos e de outros produtos comercializados no mercado global, sobrou também para a construção civil no país. O setor é um dos que enfrentam um momento de inchaço dos preços, e há um bombardeio de motivos para explicar isso.

No atual momento, o principal responsável é o custo da mão de obra, que sofreu uma elevação de 4,37% só no mês de junho. Por isso, o Índice Nacional de Custo da Construção, o medidor da inflação no setor, monitorado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontou um aumento de 2,81% em junho, acumulando alta de 7,20% desde o início de 2022 e de 11,75% nos últimos 12 meses.

É um cenário que preocupa? Sim, mas ao mesmo tempo sugere que é um problema que pode ser superado. Tanto que, só no mês de junho, foram criadas 35 mil novas vagas na construção civil em todo o país, como mostra o Cadastro Geral de Empregados e desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Previdência. Os meses anteriores também têm registrado saldo positivo no número de contratações. Mas há mais variáveis em jogo.

Os preços dos materiais, equipamentos e serviços tiveram um reajuste mais brando, de 1,40% em junho ante 1,55% observado em maio. Vale lembrar que o processo de valorização dos insumos ocorre quase que concomitantemente ao início da pandemia, em março de 2020. Desde então, a construção civil manteve-se numa gangorra constante, na qual os preços se elevavam, mas o crédito imobiliário oferecia condições atraentes para os consumidores.

“A locomotiva da construção
civil está com a caldeira ainda
bem aquecida, e trafegando por
um trecho sem muitos percalços”


Há um ano, a Taxa Selic era de 4,25%. Àquela altura, o índice já havia iniciado o movimento de elevação, que ainda hoje não se encerrou. Agora o panorama é diferente. Além da pressão sobre os custos da construção civil, o combate à inflação à moda brasileira levou a Selic a operar atualmente em 13,25% ao ano, o que significa que o acesso ao crédito está mais caro.

Não por acaso, a FGV projeta um desempenho do setor para o restante de 2022 que deverá terminar com um aquecimento bastante discreto em relação a 2021. Ainda assim, o Índice de Confiança da Construção, também medido pela Fundação, foi elevado em 1,2 ponto em junho, alcançando os 97,5 pontos. Reflexo de investimentos feitos na construção civil.

Por isso, qualquer avaliação mais apaixonada sobre o setor tende a ser excessiva. Os custos com mão de obra, aliados à própria realidade econômica que se apresenta aos brasileiros, pode sugerir um cenário instável, mas ainda estamos longe de cravar que um dos motores do PIB brasileiro está em crise. A locomotiva da construção civil está com a caldeira ainda bem aquecida, e trafegando por um trecho sem muitos percalços.

* Engenheiro e Gerente Comercial da Projelet - [email protected]

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