02 de agosto, de 2022 | 07:00
Orgulho quadricolor
Fernando Rocha
A vitória no último sábado, de 2 x 1 sobre o Boa Esporte, em Varginha, trouxe de volta às ruas de Ipatinga o orgulho de torcer pelo Tigre, vestir e desfilar com a sua camisa quadricolor, o que há 11 anos não se via, desde o rebaixamento à 2ª Divisão do Mineiro.Fundado pelo ex-presidente Itair Machado, em 1998, o Tigre logo se tornou um clube vitorioso, protagonista meteórico no início deste século, quando se sagrou campeão estadual (2005), vice no ano seguinte, semifinalista da Copa do Brasil (2006), oitavo colocado um ano depois, integrante das Séries A e B nacional, entre outros feitos importantes.
Porém, ao longo da sua curta história, o Ipatinga Futebol Clube sofreu inúmeras quedas, desmoralizações, devido à má gestão financeira de suas contas que até hoje reflete negativamente no seu dia a dia.
Dessa vez, por pouco não desistiu de disputar o Modulo II”, pois faltava uma semana para o início da competição e, sem dinheiro até para pagar o registro de atletas junto à Federação Mineira, a diretoria cogitou pedir licença da competição, o que lhe acarretaria severas punições.
Superou tudo
Mas, ao que se sabe, do nada, surgiu um investidor” com o dinheiro para bancar as despesas. Também, a torcida voltou a comparecer em grande número ao Ipatingão, até conquistar este improvável acesso à 1ª Divisão em 2023.
Méritos dos jogadores e, sobretudo, do técnico Jorge Castilho, de 40 anos, desconhecido no futebol mineiro, que brilhou ano passado levando o Maringá (PR) a um vice-campeonato paranaense e, agora com um elenco reduzido, conseguiu o acesso do Tigre à elite do Campeonato Mineiro.
A diretoria do Ipatinga, comandada pelo presidente Nicanor Pires, jovem na idade, mas experiente e já rodado no futebol do interior de nosso estado, teve coragem, persistência e competência para conduzir o barco até o fim com sucesso e, por isso, também, merece elogios.
FIM DE PAPO
Agora é virar a página dessa tenebrosa 2ª Divisão e pensar no futuro, pois as dificuldades para montar um elenco forte, que garanta no mínimo a permanência na divisão principal do ano que vem, serão ainda maiores. A principal receita dos clubes do interior, que é a verba da TV pelos direitos de transmissão dos jogos, caiu consideravelmente. O Tigre vai precisar de apoio não só das grandes empresas da região, mas também dos políticos, que agora postam fotos nas redes sociais comemorando a volta do clube à 1ª Divisão.
O futebol é o esporte mais popular do planeta por conta dessas coisas inusitadas que acontecem. Manhã de sábado no interior de Santa Catarina, Cruzeiro líder da Série B joga mal e sairia derrotado pelo Brusque, mas, no último lance da partida, o atacante Gabriel Taliari do time da casa escorrega na cobrança de um pênalti, levanta tufo de grama e grande quantidade de terra, e comete irregularidade ao dar dois toques na bola. O árbitro de campo que havia confirmado o gol volta atrás e anula a marcação, após revisão do VAR. Vida que segue para garantir logo o retorno à Série A e acabar com toda essa ansiedade que tem atrapalhado o rendimento do time em campo.
Deu ruim na estreia do técnico Cuca à frente do Galo, derrotado pelo Internacional no Beira-Rio, por 3 a 0. O time do Galo mostrou a mesma falta de contundência” ofensiva e defensiva dos tempos de Turco Mohamed. Quando chegou para substituir Sampaoli, em 2021, Cuca também levou umas sapatadas e, na época, pediu dez dias de prazo para arrumar a equipe. Acabou dando certo e o Galo ganhou quase tudo pela frente. Agora, ele não estipula prazo para ajustar o time e prefere dizer apenas que sabe o caminho das pedras e vai arrumar a casa do Galo.
Em 1985, ao chegar para a noite de autógrafos do livro Anatomia de uma derrota”, onde o jornalista Paulo Perdigão narra o dramático insucesso brasileiro na Copa do Mundo de 1950, o técnico da seleção do fracasso e homem forte do nosso futebol até a metade do século XX, Flávio Costa, foi abordado por uma desinformada repórter de TV: O senhor é o autor? - perguntou ela. Não, eu sou a derrota - respondeu com bom humor. O técnico Turco Mohamed saiu do Atlético como símbolo do fracasso e Cuca retorna como sinônimo de sucesso, para corrigir os erros e trazer os títulos de volta. No futebol não existe fórmulas prontas e tudo pode acontecer, inclusive nada. (Fecha o pano!)
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