21 de agosto, de 2022 | 06:00
Fora da curva
Fernando Rocha
A grande atração de hoje é o clássico fora da curva” entre Grêmio x Cruzeiro, às 16h, em Porto Alegre, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro/Série B.Dois gigantes do futebol brasileiro, com vários títulos nacionais e continentais conquistados - até mesmo um Mundial de Clubes foi levantado pelo tricolor gaúcho -, hoje experimentam o sabor amargo de ter que disputar a 2ª divisão, no caso do Grêmio pela segunda vez em sua história, enquanto o Cruzeiro está ralando pela terceira vez consecutiva.
Com 53 pontos, o time celeste é o líder absoluto da competição e sua torcida faz contagem regressiva para o retorno à Série A, enquanto a do tricolor gaúcho, na terceira posição, com 43 pontos e um ponto a menos que o vice-líder Bahia, também, conta com o acesso este ano.
A expectativa é de um bom jogo, com grande público, pois a torcida gremista esgotou todos os ingressos colocados à venda, na esperança de ver o seu time vencer e continuar no caminho do acesso, enquanto o tranquilo Cruzeiro tenta encerrar um tabu de cinco jogos sem vencer o time gaúcho jogando em Porto Alegre.
Tudo normal
A Copa do Brasil foi o destaque do último meio de semana, quando foram conhecidos os quatro semifinalistas que farão os seguintes confrontos: Fluminense x Corinthians; Flamengo x São Paulo.
A segunda competição mais importante do calendário do nosso futebol chega à reta final transformada quase em um Torneio Rio/SP”, com a predominância dos times desse eixo onde estão as maiores empresas do país, que investem a maior parte de suas verbas de patrocínio em seus grandes clubes.
Ganhar deles nas principais competições nacionais nunca foi tarefa fácil, pois, além de terem times bem superiores, as equipes de fora do eixo precisam jogar acima do normal, e, sobretudo, contar com a lisura da arbitragem e do VAR, algo que não se vê por aí.
Na prática, o que acontece é exatamente o contrário, pois, na dúvida, o apito amigo” dos assopradores de apito e do VAR tende a decidir sempre a favor dos poderosos times do eixo Rio/SP.
Encontram na mídia apoio quase irrestrito e incentivo para agirem com parcialidade, sob o beneplácito da direção da CBF que, também, não se interessa em mudar essa situação que perdura há décadas em nosso futebol.
FIM DE PAPO
O Fortaleza perdeu o primeiro jogo em casa para o Fluminense, por 1 x 0, mas conseguiu fazer 2 x 0 no início do 1º tempo e estava se classificando, no Maracanã lotado por cerca de 60 mil torcedores do tricolor carioca. Mas aí entrou em ação o apito amigo” do goiano Ilton Sampaio que, com a ajuda do VAR, marcou um pênalti maroto a favor dos cariocas e deixou de anular um gol de impedimento claro do Fluminense, que acabou se classificando pelo placar agregado.
Na Arena da Baixada”, em Curitiba, o escalado pela CBF foi o discípulo mais perfeito que já se viu do ex-árbitro carioca, José Roberto Wright, de triste memória para os torcedores do Galo e do futebol brasileiro. O paulista Raphael Klaus não cometeu nenhum erro grosseiro, mas tratou de amarrar o jogo, inverteu faltas - todas a favor do Flamengo -, intimidou o quanto pôde os jogadores do Athletico/PR, que acabou eliminado. A impressão que ficou é: se o Flamengo não tivesse um time muito superior ao paranaense ou jogasse mal venceria do mesmo jeito, pela ação da arbitragem. Talvez, não à toa, Klaus e Sampaio são os dois árbitros brasileiros que irão à Copa do Mundo, no Qatar. No Independência, com atuação semelhante, o catarinense Bráulio Carvalho fez a sua parte, ajudando o São Paulo a eliminar o América.
Acho o português Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, no momento, o melhor treinador em atividade no Brasil. Também, é o mais chato, insuportável, ridículo à beira do gramado com seus chiliques ou ataques histéricos, ao reclamar, insistentemente e exageradamente, das marcações de nossos péssimos árbitros e do VAR. Ainda tem um agravante dos mais desagradáveis, ao querer dar aulas a jornalistas, dirigentes e, por último, aos seus colegas de profissão, como fez recentemente com o Cuca.
Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Esta reação em cadeia contra ele, por parte de nossos técnicos tupiniquins - Cuca, Mano Menezes e Jorginho -, a meu juízo soa como inveja, quando deveriam, isto sim, botar a viola no saco e reconhecer que, em sua maioria, os nossos professores” pararam no tempo e só melhoraram depois que aqui aportaram nomes como Jorge Jesus, Jorge Sampaoli e o próprio Abel Ferreira. Uma das grandes dificuldades da maior parte das pessoas, em qualquer atividade, é a de ter uma profunda admiração, uma inveja saudável, por profissionais da mesma área, e de ter a humildade para aprender e reconhecer que o outro pode ser melhor, pelo menos, em algumas características”. Tostão. (Fecha o pano!)
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