21 de agosto, de 2022 | 10:30
Empréstimos consignados do Auxílio Brasil devem começar mês que vem e economista faz alerta
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Makáliston Brito destacou que o primeiro passo para quem for fazer empréstimo consignado é prestar atenção na taxa de juros
Makáliston Brito destacou que o primeiro passo para quem for fazer empréstimo consignado é prestar atenção na taxa de jurosA partir do próximo mês deve ter início os empréstimos consignados para beneficiários do Auxílio Brasil. A informação foi divulgada pelo ministro da Cidadania, Ronaldo Bento, na semana passada. O empréstimo consignado é aquele concedido pelas instituições financeiras com desconto automático das parcelas em folha de pagamento do salário ou benefício. Com isso, os beneficiários do Auxílio Brasil precisam ter alguns cuidados ao contratar esse empréstimo. O alerta é do economista Makáliston Brito, que atua no Vale do Aço, em entrevista ao Diário do Aço.
Conforme divulgado pelo Ministério da Cidadania, os beneficiários do Auxílio Brasil poderão fazer empréstimos de até 40% do valor do benefício e autorizar a União a descontar o valor da parcela dos repasses mensais.
O programa social tem valor mínimo de R$ 400, mas de agosto a dezembro deste ano o benefício será de R$ 600.
O economista Makáliston Brito destacou que o primeiro passo para quem for fazer empréstimo consignado no Auxílio Brasil é prestar atenção na taxa de juros que for estabelecida pela instituição financeira. A taxa de juros é mais importante que o valor que vai ser retirado, o custo total e a quantidade de parcelas, ou seja, mais importante que tudo. Atualmente vivemos em um cenário de Selic (taxa básica de juros) muito elevada, em 13,75%, o que significa que todos os empréstimos estão mais caros. Dessa forma, o cenário atual não é benéfico para pegar empréstimo”, afirmou.
Previsão
Com essa alta da Selic, o economista acredita que a taxa de juros do empréstimo consignado do Auxílio Brasil vai ser, no mínimo, 3,90%, podendo chegar até 5,9% ao mês, o que é caro na avaliação dele. Vai ter essa taxa elevada não só porque o banco quer, mas porque a taxa Selic está alta atualmente. Por isso, sempre que estiver planejando fazer algum empréstimo, em qualquer momento da vida, é preciso prestar atenção na Selic”, destacou.
Segundo detalhe
Conforme Makáliston Brito, o segundo detalhe a observar, antes de contrair um empréstimo, é analisar se realmente precisa fazer isso em um cenário de juros altos. A economia já sinaliza para daqui um ano e meio ter uma taxa Selic mais normalizada, e os especialistas já deixam muito claro que até meados de 2024 a Selic estará em patamares bem mais baixos. Então o indivíduo precisa pensar se realmente o que ele precisa comprar ou pagar tem que ser feito agora. Mas se a pessoa está pegando empréstimo para começar um negócio rentável, que vai dar um retorno mensal maior que 5%, então vale a pena pegar empréstimo para começar a empreender e fazer esse dinheiro rodar”, ressaltou.
Valores
Caso a pessoa esteja precisando com urgência de contrair um empréstimo, o economista orienta a colocar no orçamento o valor da parcela mensal a ser paga como custo fixo. Tem que pensar que o dinheiro que pegou, em todo mês, vai ser preciso repor ele de alguma forma. No entanto, quando falamos de um crédito injetado para famílias carentes fica muito complicado. Se uma pessoa hoje com o Auxílio Brasil pegar empréstimo de R$ 3.000, com uma taxa de 4,70%, para pagar em 48 vezes, ela vai ter parcelas mensais de R$ 160, aproximadamente. Ao todo, vai pagar cerca de R$ 4.680 de juros, o que é muita grana. Portanto é preciso ter muito cuidado para não ficar inadimplente ou devedor”, alertou.
Programa de transferência
O Auxílio Brasil é um programa de transferência de renda criado em outubro de 2021 e que substituiu o Bolsa Família. O Auxílio Brasil é voltado a famílias em situação de vulnerabilidade econômica e social. Para que sejam habilitadas, elas precisam atender critérios de elegibilidade, como apresentar renda per capita [por cabeça] classificada como situação de pobreza ou de extrema pobreza, ter os dados atualizados no Cadastro Único nos últimos 24 meses e não ter informações divergentes entre as declaradas no cadastro e as de outras bases de dados federais. A seleção é feita de forma automática, considerando a estimativa de pobreza, a quantidade de famílias atendidas em cada município e o limite orçamentário anual do Auxílio Brasil.
Lei sancionada
No dia 4 de agosto deste ano, o presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionou a Lei nº 14.431/2022 que libera o crédito consignado a beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de programas federais de transferência de renda, como o Auxílio Brasil. A medida também amplia a margem de crédito consignado aos empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e aos segurados da Previdência Social.
A lei foi publicada no Diário Oficial da União e teve origem na Medida Provisória 1.106/2022, editada em março deste ano. Já o texto foi aprovado no Congresso em julho. De acordo com a matéria, a responsabilidade sobre a dívida será direta e exclusiva do beneficiário. A União não poderá ser responsabilizada, ainda que subsidiariamente, em qualquer hipótese”, determina a lei.
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