31 de agosto, de 2022 | 14:21

MANAPANÁ DOURADO...

Nena de Castro *

Havia naquele descampado, sobre uma pedra que se misturava com a terra seca, uma revoada de borboletas. Muitas. Todas amarelas. Algumas em amarelo intenso, puro ouro. Outras, amarelo-claro, asas diáfanas a permitir o brilho do sol. Elas voavam, cruzavam o caminho umas das outras, subiam e desciam, pousavam... Muitas. O panapaná em amarelo, preparava-se para alguma ação, segundo sua natureza... Era talvez um deslumbre vangghiano, pedaços de estrelas, herança do sol em partículas voadoras... Volta e meia, um vento brincalhão soprava em espiral e no turbilhão cor de ouro, as borboletas se balançavam sem perder a formação..

Em plenitude, deixavam para trás os tempos em que eram lagartas horrorosas e voavam...

O homem observava o manapaná filtrando a beleza com os olhos semicerrados, tentando compreender e aprender o que lhe diziam aquelas flores amarelas em alvoroço. Percebeu então, que o que lhe parecia um alvoroço desorganizado, tinha um objetivo: elas começaram a voar, formando uma nuvem salpicada de ouro que se movia em voo gracioso pelos ares. E se foram. E eram tantas naquela formação que a brisa às vezes atrapalhava, às vezes conduzia, e seu voo deixava um rastro de luz...

Registrou a beleza do momento em suas retinas, o encanto percorrendo seu corpo como uma descarga elétrica, fazendo sentir-se vivo e participante de um milagre.

Com um arrepio, lembrou-se dos venenos lançados aos ares, do ar impregnado de coisas tóxicas que os ditos humanos dos quais fazia parte produzem, usam e fingem ignorar as consequências advindas de suas maldades.

“Incompreensível uso da
inteligência para o mal,
poluindo a água, destruindo
o verde, criando desertos...”


Um dia, Gaia vai cobrar com juros o que lhe fazem, e vai ser uma destruição sem fim. A única rosa que teremos será a de Hiroshima e pelo ar voarão remanescentes partículas negras de destruição. Acorda homem, enterra a ambição, abre os olhos enquanto há tempo!.

As borboletas voavam, lindas, leves, felizes, buscando sua direção. O homem, atordoado pela nuvem em amarelo-ouro, seguiu com os olhos aquela explosão de vida e beleza, suspirou fundo e seguiu seu caminho.

E nada mais digo, a não ser que manapaná é coletivo de borboletas. Tenha uma semana abençoada! Z Au revoir

* Advogada, escritora e Encantadora de Histórias
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Comentários

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Tião Aranha

31 de agosto, 2022 | 16:35

“Tá mesmo faltando mesmo muita luz para reencontrar o paraíso perdido. Risos.”

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