14 de setembro, de 2022 | 08:40
45% das mulheres dizem que já tiveram o corpo tocado sem consentimento, revela pesquisa
Levantamento mostrou também que 32% das mulheres passaram por importunação ou assédio sexual no transporte público
Uma pesquisa realizada pelo Ipec e Instituto Patrícia Galvão, com apoio da Uber, divulgada segunda-feira (12), mostrou dados assombrosos sobre práticas invasivas e de controle, importunação, perseguição, assédio sexual e violência doméstica. Entre as constatações uma realidade preocupante: enquanto 45% das mulheres no Brasil já tiveram o corpo tocado sem consentimento em local público, apenas 5% dos homens admitem já ter feito isso.
O levantamento inédito revelou ainda que 32% das mulheres já passaram por importunação ou assédio sexual no transporte público. Por outro lado, entre os entrevistados, nenhum reconheceu a prática desse tipo de violência. Para o Instituto responsável pela pesquisa, uma conta que não fecha.
Outros números também chamaram a atenção: 31% das brasileiras já sofreram tentativa ou abuso sexual e 41% delas já foram xingadas ou agredidas por dizerem não” a uma pessoa que estava interessada nelas.
A advogada Ana Maria Vieira, que atua na área do enfrentamento à violência doméstica há mais de 15 anos e ocupa o cargo de presidente da OAB Mulher em Timóteo, acredita que o homem ainda vê as mulheres como um objeto. Ele vê a mulher como um objeto, a tem como um objeto, a possui quando quer. É um absurdo, mas é a realidade. Nós precisamos mudar essa cultura machista de que o homem tem poder sobre a mulher”, declarou.
Importunação, assédio e abuso
Arquivo pessoal
''A vítima tem que romper o silêncio, romper o medo'', afirmou a advogada timoteense Ana Maria Vieira
''A vítima tem que romper o silêncio, romper o medo'', afirmou a advogada timoteense Ana Maria VieiraAna Maria esclareceu a diferença dos três tipos de crime: a importunação, o assédio e o abuso. Segundo a advogada, o assédio sexual normalmente acontece no ambiente de trabalho. Geralmente é o superior hierárquico que comete o crime. Ele assedia a vítima em função da sua superioridade. A vítima se sente constrangida, mas não denuncia em função do medo de perder o trabalho”, explicou.
E completou com as outras duas definições. O abuso sexual é a utilização de forma mais ampla, que são os atos de violação sexual em que não há o consentimento da vítima. Em relação a importunação sexual, ele tem aí a natureza, o ato de importunar a vítima, a mulher, por exemplo, em praça pública, apalpar, tocar”, informou.
Romper o silêncio
A presidente da OAB Mulher em Timóteo, defende que para reverter esse quadro e fazer com que as mulheres não sejam mais vítimas de assédio, importunação ou abusos, é preciso enfrentamento.
A vítima tem que romper o silêncio, romper o medo. O principal é evitar não se esconder. Em todos os três casos, não há outra forma, a não ser o enfrentamento, a não ser dizer não a violência e oferecer sim a denúncia e reunir provas para que ela consiga oferecer a denúncia”, orientou.
Pesquisa
A pesquisa Percepções sobre controle, assédio e violência doméstica: vivências e práticas, entrevistou por telefone 1.200 pessoas (800 homens e 400 mulheres), com 16 anos ou mais, entre 21 de julho e 1º de agosto de 2022, em todo o território nacional. A margem de erro é de três pontos percentuais.
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