14 de setembro, de 2022 | 07:00
Preço do gás de cozinha tem redução, mas queda ainda não chegou ao bolso do consumidor
O reajuste representa uma queda de 4,7%. Sobre o preço original incidem custo de frente, impostos e lucro das revendedoras
A Petrobras anunciou que a redução do preço médio do gás liquefeito de petróleo (GLP), cobrado junto às distribuidoras, está em vigor desde terça-feira (13). De acordo com a estatal, o valor do quilo passa de R$ 4,23 para R$ 4,03. O reajuste representa uma queda de 4,7%. Sobre o preço original incidem custo de frente, impostos e lucro das revendedoras. Em Ipatinga, a redução ainda não chegou ao bolso do consumidor. O botijão era comercializado nesta terça-feira por R$ 127, em média.
Essa é a segunda redução consecutiva no preço do GLP, também conhecido como gás de cozinha. Em abril deste ano, houve uma queda de R$ 0,25 no valor do kg. Antes, no entanto, os preços mantinham trajetória de alta. Em julho do ano passado, houve aumento de 6%; em outubro de 7,2% e em março deste ano de 16,1%.
Conforme Junior Souza, gerente de uma empresa que revende gás em Ipatinga, a redução de centavos ainda não chegou. Isso deve ocorrer em breve, ainda está muito recente e temos um bom estoque no pátio. À medida em que formos vendendo e os botijões forem sendo repostos, o valor praticado não pode cair sim”, informou.
A gerente da outra empresa de Ipatinga, Juliana Silva, também justifica que o estoque está grande e que o valor não deve baixar tão rápido e chama a atenção para outro fato. Quando o anúncio é de aumento, não demora muito para que o valor de venda aumente e o consumidor seja prejudicado, mas quando o assunto é redução, aí o papo é outro”, lamenta.
Valor
Segundo a Petrobras, o preço médio de 13 kg, correspondente à capacidade do botijão de uso doméstico, sofrerá uma redução de R$ 2,60, ficando em R$ 52,34. Contudo, não é possível precisar o valor final que será cobrado do consumidor, já que outros fatores exercem influência como os tributos que incidem sobre o GLP e as margens de lucro das distribuidoras.
Além da redução no GLP, a Petrobras anunciou nas últimas semanas quedas na gasolina, no diesel, no querosene de aviação e na gasolina de aviação. Os reajustes refletem as variações do mercado internacional, conforme a Política de Preços de Paridade de Importação (PPI) adotada pela estatal desde 2016. Na semana passada, o preço do barril de petróleo tipo brent, usado como referência, caiu abaixo de US$ 90 pela primeira vez desde fevereiro.
Em nota, a Petrobras informa que a redução acompanha a evolução dos preços de referência e é coerente com a sua prática. A estatal sustenta que busca o equilíbrio com o mercado, sem repassar a volatilidade conjuntural das cotações e da taxa de câmbio. "De forma a contribuir para a transparência de preços e melhor compreensão da sociedade, a Petrobras publica em seu site informações referentes à formação e composição dos preços de combustíveis ao consumidor", acrescenta o texto.
Consumidor
Conforme o último levantamento divulgado pela Petrobras, realizado entre 28 de agosto e 3 de setembro, o botijão de gás de 13 kg estava custando ao consumidor em média R$ 111,57. A estatal calcula ser responsável apenas por 49,2% desse valor. Atualmente, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Produtos (ICMS), tributo estadual, responde por 10,6%. O restante do preço é de responsabilidade das distribuidoras, que leva em conta os gastos logísticos e a margem de lucro.
Essa composição do preço leva em conta a suspensão da incidência dos impostos federais sobre o GLP de uso doméstico. Uma medida provisória que abre essa possibilidade foi assinada em março do ano passado pelo presidente Jair Bolsonaro, sendo posteriormente aprovada no Congresso Federal. Foram zeradas as alíquotas dos programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
Sem mudanças significativas na política de preços da Petrobras, a desoneração tem sido o caminho adotado pelo governo federal para baixar os preços não apenas do GLP, mas também da gasolina, do etanol, diesel e do Gás Natural Veicular (GNV). Outra lei proposta pelo governo federal entrou em vigor no final de junho limitando as alíquotas do ICMS que incidem sobre itens considerados essenciais.
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