23 de setembro, de 2022 | 07:20

Brasil corre risco de reintrodução da poliomielite

Segundo a especialista, a cobertura vacinal contra a poliomielite está abaixo de 80% em quase toda a América do Sul

Fernando Frazão/Agência Brasil
 A poliomielite prejudica principalmente crianças com menos de cinco anos de idade A poliomielite prejudica principalmente crianças com menos de cinco anos de idade

Os baixos níveis de vacinação contra a poliomielite podem trazer de volta os registros de casos da doença ao país. O alerta foi feito pela diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa Etienne, em coletiva à imprensa, nesta semana.

Segundo a especialista, a cobertura vacinal contra a poliomielite está abaixo de 80% em quase toda a América do Sul e, 12 países das Américas correm risco “alto” ou “muito alto” de sofrer um surto, dentre estes países está o Brasil.
“A Comissão Regional de Certificação da Pólio Endgame na Região das Américas, em julho, listou o Brasil, a República Dominicana, o Haiti e o Peru, como de altíssimo risco para reintrodução da pólio. E também mencionou a Argentina, Bahamas, Bolívia, Equador, Guatemala, Panamá, Suriname e a Venezuela como alto risco”, informou Carissa Etienne.

População desprotegida
A diretora da Opas lembrou que já faz 30 anos desde que a região das Américas se tornou a primeira região global a acabar com a poliomielite selvagem e atribuiu esse feito à vacinação. “Graças a campanhas de vacinação abrangentes e coordenadas”, afirmou.

Por outro lado, a médica também precisou abordar a redução das taxas de vacinação. “A diminuição das taxas de vacinação agravada pela pandemia da covid-19 deixou muitas de nossas populações desprotegidas”. Os baixos níveis, segundo ela, podem dar espaço para o retorno da doença.

Prevenção
Carissa Etienne fez questão de enfatizar a importância da vacinação contra a pólio. “A poliomielite não é uma doença tratável, a prevenção é a única opção, e a prevenção só é possível com vacinas”, salientou a doutora. E recordou os impactos da doença antes da produção da vacina. “A poliomielite incapacitou gerações antes do desenvolvimento das vacinas, condenando milhares de crianças a uma vida inteira de dor e incapacidade”.

Brasil
Os dados da vacinação deste ano, no país, confirmam que a adesão à imunização realmente é baixa. No dia 6 de setembro deste ano, o Ministério da Saúde prorrogou a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite. O prazo foi estendido para 30 de setembro, com objetivo de aumentar a cobertura vacinal.

Até a data da prorrogação, apenas 35% das crianças na faixa etária de um a cinco anos de idade haviam sido imunizadas contra a poliomielite. De lá pra cá, o número aumentou, mas está longe da meta. Nesta quinta-feira (22), a cobertura vacinal estava em 50,35%.

Conscientização dos pais
A infectologista que atua em Ipatinga, Carmelinda Lobato, avalia que a queda no número da cobertura vacinal de poliomielite é preocupante. “Bastante preocupante porque a melhor forma que nós temos de prevenir a poliomielite, a contaminação pelo vírus da pólio, é através da vacinação”, afirmou.

Carmelinda acrescentou que a baixa imunização é um problema extremamente sério. “Porque a gente pode ter sim a reintrodução do vírus de pólio aqui no Brasil e nós vamos ter problemas muito graves de saúde pública se isso de fato, acontecer”.

A médica deixou um recado importante para os pais: “É fundamental, é essencial que os pais tenham a consciência de vacinar os seus filhos, vacinar conforme o calendário nacional, uma vacina que se inicia na primeira infância e tem os reforços subsequentes”, finalizou.
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