02 de outubro, de 2022 | 10:00
Efeito da pandemia: seis a cada dez jovens relatam ter passado por ansiedade
A vacinação foi muito importante para que a pandemia de covid-19 fosse controlada. A partir da imunização, os números de mortes e de casos da doença foram caindo e, aos poucos, a sociedade tem se empenhado a colocar as coisas no lugar”. Mas, mesmo com o abrandamento da pandemia, muitos ainda têm precisado lidar com os efeitos emocionais e psicológicos dos dois anos intensos de medo, perdas e isolamento.
Dados da 3ª edição da pesquisa Juventudes e a Pandemia: E Agora?”, realizada em 2022, coordenada pelo Atlas das Juventudes, revelaram dados importantes sobre a saúde mental dos jovens do Brasil.
O levantamento ouviu 16.326 jovens, com idade entre 15 a 29 anos, do dia 18 de julho a 21 de agosto. Os dados foram coletados em todos os estados do país.
Ao serem perguntados sobre os efeitos negativos como resultado direto ou indireto da pandemia na saúde, 63% relataram ansiedade, 53% o uso exagerado de mídias sociais, 50% exaustão e/ou cansaço constante, 44% falta de motivação ou interesse por atividades cotidianas, 36% insônia e 33% ganho ou perda exagerada de peso.
Pelo menos 9% dos jovens declaram que nos últimos 12 meses experienciaram pensamentos suicidas ou automutilação como efeito direto ou indireto da pandemia.
Preocupações
Os jovens participantes também confidenciaram suas principais preocupações atualmente e, nitidamente, é perceptível que a pandemia está ligada às inseguranças. A maior delas é de perder familiares ou amigos devido à covid-19 (53%). Em seguida vem a preocupação com a possibilidade de outras pandemias (37%), passar dificuldade financeira (35%) e agravar ou desenvolver problema de saúde física ou emocional (32%).
Estudos científicos
O psiquiatra da infância e adolescência, André Martins, que atua em Governador Valadares, afirma que os dados coincidem com diversos estudos científicos. Que mostram o aumento dos transtornos mentais em crianças e adolescentes, especialmente os quadros de ansiedade e a depressão”, informou.
No exercício da profissão de psiquiatra, ele vê os impactos da pandemia na saúde emocional das pessoas. Em nossa prática clínica, observamos que a pandemia causou um aumento significativo do sofrimento mental”.
Tratamento médico
André Martins defende que é preciso garantir tratamento médico e psicológico para evitar consequências maiores. Com o retorno das atividades e dos encontros presenciais vimos uma melhora dos casos de ansiedade e depressão em jovens”.
Orientações
Para concluir, o médico apresenta algumas orientações importantes. Precisamos dar atenção e escutar os jovens. É preciso que eles tenham uma rotina de estudos, boa alimentação, sono de qualidade, uma prática de exercícios físicos e bom convívio familiar e com os amigos”, indicou.
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