22 de outubro, de 2022 | 09:33

Deixou pra trás

O torcedor atleticano que vê com olhos da razão e não da paixão a situação atual do time já coloca em dúvida até mesmo sua capacidade para conquistar a vaga na pré-Libertadores, faltando seis rodadas para terminar o Campeonato Brasileiro.

O treinador Cuca diz que sim, que vai conseguir, mas não me convence que esteja realmente convicto disso, e sua fala mais me parece um gesto para tentar ficar de bem com a massa alvinegra.

Amanhã o Galo fecha esta 33ª rodada enfrentando fora de casa o Fortaleza, que tem a segunda melhor campanha do returno, depois de figurar na lanterna quase todo primeiro turno.

Assim como os quatro outros perseguidores do Galo, - América, São Paulo, Botafogo e Santos -, o “Leão do Pici” é inferior tecnicamente ao Galo, mas todos têm em comum qualidades que o atual campeão brasileiro e da Copa do Brasil/2021 deixou no caminho: intensidade, vibração e competitividade.

Outro fake
Desde a minha infância, nos grotões de Tarumirim, ouço alguém dizer: “querer não é poder”. Pura verdade, mas que infelizmente se aplica ao Cruzeiro, nessa questão de um possível acerto para administrar o Mineirão.
Seguiria o exemplo do Rio de Janeiro, onde o Maracanã saiu do controle do estado e de uma concessionária e foi parar mãos da dupla Fla-Flu.

São situações opostas, pois ao contrário dos cariocas, aqui existe um contrato em vigor com validade de 27 anos e possibilidade de prorrogação por mais oito, firmado antes da Copa de 2014 pelo ex-governador Aécio Neves (PSDB).
Como não há razões contratuais para motivar uma rescisão unilateral, quem quiser chutar o balde, seja a concessionária Minas Arena ou o governo de Minas, terá de pagar à vista todas as multas e penalidades previstas na cláusula 43 do contrato existente que chegam a R$ 400 milhões.

Não acredito que o atual governador esteja disposto a se desgastar politicamente e pagar esta multa milionária, só para beneficiar o clube estrelado, enquanto tanta gente passa fome aqui nos nossos grotões.

FIM DE PAPO
· Após conquistar o acesso e o título do Campeonato Brasileiro/Série B, o Cruzeiro não soube mais o que é vencer. Na noite da última terça-feira, perdeu para o Guarani por 1 a 0, no Mineirão. Foi o quarto resultado decepcionante para a torcida, que viu o time de Paulo Pezzolano perder a invencibilidade dentro de casa e também a cabeça. Três jogadores expulsos sem necessidade e o preparador físico, mas todo o time se mostrou excessivamente nervoso e errando jogadas que normalmente executava com facilidade.

· Na entrevista coletiva, Paulo Pezzolano disse que ficou “impossível tirar algo mais dos jogadores que não vão ficar” para a disputa da Série A. O quadro de ansiedade e nervosismo se instalou nos jogadores do Cruzeiro, algo que se agravou ainda mais na véspera do jogo com o Guarani, depois que o deputado estadual bolsonarista e vice-presidente da Rede Itatiaia, João Vítor Xavier (Cidadania), sem revelar nomes, divulgou a existência de uma lista interna onde apenas sete jogadores do atual elenco seriam aproveitados para disputar a próxima temporada. Até mesmo jogadores que se julgavam intocáveis, como o jovem meia Daniel Junior, volante Machado e o atacante Edu se sentiram pendurados na brocha, o que talvez possa explicar suas expulsões infantis que acabaram prejudicando a equipe.

· Péssimo exemplo para o grupo no aspecto disciplinar, o técnico Paulo Pezzolano desta vez não deu trabalho à arbitragem do horroroso assoprador de apito carioca, Vagner Nascimento. Ao que tudo indica, o uruguaio já entendeu como funcionam as coisas no futebol brasileiro, mas terá ainda de percorrer um bom chão para mudar a imagem que ele mesmo construiu de “mala sem alça” à beira do gramado. Neste quesito, o “grande mala” é Abel Ferreira, técnico português que dirige o Palmeiras.

· Lamentável as cenas recorrentes de violência, registradas na última semana envolvendo torcedores do Ceará e Sport Recife cujos estádios, - Castelão e Ilha do Retiro -, foram interditados. Chamou atenção também a velocidade e a qualidade das ações de punições impostas aos clubes pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A pergunta que não quer calar: por que o STJD não agiu com mesmo rigor contra o Santos, que só foi punido com perda de público na Vila Belmiro por dois jogos, além de multa de R$ 35 mil, pelas invasões bem parecidas ao gramado no clássico contra o Corinthians, no dia 13 de julho, pela Copa do Brasil. A pena máxima era de dez partidas ou interdição do estádio, e a multa poderia chegar em R$ 100 mil. Pior ainda: a pequena punição ao Santos só será cumprida a partir da Copa do Brasil/2023. O STJD é useiro que se resume numa frase atribuída ao ex-presidente Tancredo Neves: “Aos amigos a lei, aos inimigos o rigor da lei”. (Fecha o pano!)

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