12 de novembro, de 2022 | 06:00
Sofrimento continua
Fernando Rocha
Depois da vitória sobre o Cuiabá, o Atlético vai a campo hoje motivado para a decisão” contra o Corinthians, em São Paulo.Nenhum atleticano poderia imaginar, no início deste ano, que faltando um jogo apenas para terminar o Brasileiro, o time estivesse fazendo contas e projeções para conquistar uma das oito vagas na Libertadores do ano que vem, podendo inclusive terminar em 10º lugar e ficar de fora da maior competição continental.
Devido à atual campanha pífia, sobretudo, após a chegada do técnico Cuca, o Galo está empatado em número de pontos, 55, com o Athletico-PR, que é o sexto colocado, por possuir uma vitória a mais, e o primeiro time dentro da fase de grupos da Libertadores.
Neste momento, o alvinegro estaria classificado para disputar a pré-Libertadores, mas terá ainda de conseguir minimamente um empate hoje, no Itaquerão. Mas, para chegar à fase de grupos, terá de vencer o Corinthians, além de torcer por tropeços de muitos adversários diretos.
Com um dos elencos mais caros do futebol brasileiro, tudo isso poderia ter sido evitado caso não tivesse perdido para Botafogo, Athletico Paranaense, Goiás, além dos empates contra Bragantino, Ceará, entre outros resultados negativos e surpreendentes no Mineirão. Dizem os mais fanáticos que esta é a sina dos atleticanos: se não sofrer, não é Galo”.
Pode contribuir
A convocação do veterano lateral direito Daniel Alves (39 anos) para defender a seleção brasileira, dentro de alguns dias no Catar, continua sendo muito contestada.
Entendo os argumentos de quem defende convocações com base no momento vivido pelos atletas, mas acho que é preciso também levar em conta a história, a importância para o grupo, a qualidade técnica, e tudo isso pode fazer a diferença no conjunto da obra.
Por isso, acho justa a convocação de Daniel Alves, que poderá ser uma espécie de auxiliar técnico do Tite no banco de reservas, entrar no time para tranquilizar os mais jovens, em momentos cruciais e decisivos das partidas.
Daniel Alves é um personagem polêmico, controverso fora dos gramados, toma posições equivocadas e fala muitas bobagens, mas é, inegavelmente, um vencedor por onde passou e, a meu juízo, ainda tem a contribuir para levar essa seleção de muitos jovens talentos ao hexa-mundial.
FIM DE PAPO
Existem muitos exemplos de jogadores veteranos que brilharam em Copas do Mundo. E também apostas que não deram certo. O ex-jogador e ex-treinador Jair Pereira costumava dizer que no futebol o certo é o que dá certo”. Se a seleção voltar do Catar com a taça, a maioria que hoje reprova a convocação de Daniel Alves vai elogiar a escolha do veterano lateral. Se der errado e o título não vier, esse será um dos argumentos daqueles que vão condenar o fracasso da seleção.
Em 1982, na Espanha, a Itália eliminou a seleção comandada por Telê Santana e foi campeã com um goleiro de 40 anos, Dino Zoff, que já não era mais o mesmo de 1968, quando ganhou a Eurocopa. Zoff foi um dos principais destaques da Azurra naquela surpreendente conquista, ao derrotar seleções muito mais fortes. Contra a seleção brasileira, Zoff defendeu uma cabeçada de cinema de Oscar, evitando um gol certo do zagueiro que poderia nos dar a classificação.
Outro exemplo de veterano que brilhou em Mundiais foi o alemão Lothar Matthäus que ao todo disputou cinco Copas do Mundo. O zagueiro italiano Paolo Maldini, o goleiro Buffon, o zagueiro Rafa Márquez, o camaronês Roger Milla, além do goleiro inglês Peter Shilton, todos também se destacaram em Copas com idades superiores a 37 anos. Daniel Alves (39 anos) terá agora a chance de tornar-se o brasileiro mais velho a entrar em campo. Em 1966, Djalma Santos, também lateral direito, atuou com 37 anos. Em 1962, Nilton Santos, lateral esquerdo, foi campeão com 37 anos. Cafu, em 2006, jogou sua quarta Copa do Mundo com 36 anos. O capitão Dunga tinha quase 35 anos quando foi vice na Copa de 1998.
Com inserções de uma peça publicitária na TV aberta, a CBF iniciou na última semana uma campanha que visa dissociar o uniforme amarelo da seleção da política. Acho que só o tempo é que poderá desfazer essa imagem, ainda mais comprometida a partir do apoio público de Neymar ao presidente derrotado nas urnas, tendo ainda prometido festejar um gol com os números do então candidato.
Aliás, de forma deliberada e abjeta, Neymar quis se vingar de críticas ao seu futebol feitas pelo ex-jogador Walter Casagrande, hoje colunista do UOL, curtindo postagem de usuário fake que fazia referência pejorativa à sua dependência química no passado. Casagrande, em resposta, demonstrou toda a sua grandeza moral e colocou Neymar no seu verdadeiro lugar, enquanto ser humano desprezível que hoje é. (Fecha o pano)
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