16 de novembro, de 2022 | 06:00

Documentário sobre artista Kobra estreia no cinema

Fotos: Patrícia Pontes
O artista e muralista Eduardo Kobra assina 3 mil obras em diversos países e cidades brasileirasO artista e muralista Eduardo Kobra assina 3 mil obras em diversos países e cidades brasileiras
Nesta quinta-feira (17) estreia nos cinemas o filme “Kobra Auto Retrato”, documentário com direção de Lina Chamie e fotografia de Lauro Escorel sobre a trajetória do artista brasileiro de 47 anos reverenciado mundialmente, considerado expoente da neovanguarda paulistana que começou como pichador, tornou-se grafiteiro e hoje se define como muralista. Atualmente, Eduardo Kobra assina 3 mil murais, em cerca de 35 países e em diversas cidades e estados brasileiros.

Dois desses murais entraram no Guinness Word Record como o “maior mural do mundo”, são eles: “Etnias - Todos Somos Um”, no Rio de Janeiro, com cerca de 3 mil metros quadrados, e “Mural do Chocolate”, localizado na rodovia Castelo Branco, em Itapevi, em São Paulo, com 5.742 metros quadrados. O filme “Kobra Auto Retrato” foi selecionado para o 13º Festival de Documentários de Nova York e participou do Festival do Rio e da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

A história
Sem dormir a noite toda, angustiado, o personagem pensa em sua vida, da periferia de São Paulo à fama mundial, os acontecimentos se desenrolam entre a realidade e o sonho. Kobra é um dos artistas de rua mais famosos do mundo. Possui pinturas nas ruas de mais de 30 países. “Kobra Auto Retrato” conta a sua história, desde a infância difícil na periferia de São Paulo fazendo grafiti nas ruas, ilegalmente, até pintar mais de 50 murais em Nova York, um artista de sucesso internacional.

Ao explorar sua vida e intimidade, o documentário levanta as questões da violência nas ruas e do preconceito no Brasil. “Ao revelar a luta de Kobra como um artista singular, representando tantos artistas, passamos a entender a arte de rua como uma voz política democrática e poderosa. O filme é um retrato arrojado de um artista de rua, sua história e sua intimidade”, argumenta a diretora e produtora Lina Chamie.

“Eduardo Kobra não é uma pessoa fácil, por isso, não foi tarefa fácil fazer um filme sobre ele. Quando damos uma primeira olhada em seu trabalho, ele pode não parecer o artista mais intrigante. Por ser um tanto tímido, como ele mesmo diz, resiste a se revelar. Foi exatamente isso que exploramos como principal material para contar sua história e arte. ‘Kobra Auto Retrato’ propõe uma viagem na noite, na alma do artista, pois é na relutância em se expor que ele se revela do avesso. Demorou um pouco para ganharmos sua confiança, e trabalhamos juntos o máximo que pudemos”, completa.

O filme é híbrido entre documentário e ficção, entre realidade e sonho, acontece no reino sombrio da insônia. Ao mesmo tempo, pode-se dizer, é um filme “urgente” pelas questões que seu trabalho levanta, desde as preocupações ambientais e a destruição da Floresta Amazônica, o racismo, os maus-tratos aos animais, o extermínio da população indígena e a indústria e a política das armas.

O documentário mostra as lutas e a emancipação de um artista. No filme, como na vida real, ele supera as dificuldades e ganha força e voz própria através do conhecimento do privilégio e da responsabilidade de estar nas ruas levando uma mensagem ascendente de esperança em tempos sombrios.

O olhar
Muitos críticos afirmam que a característica mais marcante de Kobra é o domínio do desenho e das cores. Mas o que é fundamental para o artista é o olhar. Kobra foi desde cedo apresentado às adversidades da vida. Viu amigos sucumbirem às drogas e à criminalidade. Alguns foram presos. Outros perderam a vida. Foi o olhar que o salvou.

Kobra é autor de projetos como "Muro das Memórias", em que busca transformar a paisagem urbana através da arte e resgatar a memória da cidade; Greenpincel, onde mostra (ou denuncia) imagens fortes de matança de animais e destruição da natureza; e “Olhares da Paz”, onde pinta figuras icônicas que se destacaram na temática da paz e na produção artística, como Nelson Mandela, Anne Frank, Madre Teresa de Calcutá, Dalai Lama, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, John Lennon, Malala Yousafzai, Maya Plisetskaya, Salvador Dali e Frida Kahlo. Em meio ao caos urbano, buscou resgatar o patrimônio histórico que se perdeu. Em um contexto repleto de desigualdade social e injustiças, buscou se inspirar em personagens e cenas que servem de exemplo para um mundo melhor.
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Comentários

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Eu

18 de novembro, 2022 | 08:26

“A arte não muda o mundo...mas muda a vida das pessoas que se envolvem com ela. Sempre pra melhor...”

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