19 de novembro, de 2022 | 09:30

Dívidas tiram o sono dos brasileiros, aponta pesquisa

Estudo da Serasa revelou que 83% dos endividados têm dificuldade para dormir por conta das dívidas

Agência Brasil
Segundo a Serasa, o cartão de crédito é o principal tipo de dívida entre os inadimplentes Segundo a Serasa, o cartão de crédito é o principal tipo de dívida entre os inadimplentes

As dívidas têm prejudicado a saúde mental, o emocional e as relações pessoais e familiares dos trabalhadores brasileiros. É o que mostra a 5ª edição da pesquisa “Perfil e Comportamento do Endividamento Brasileiro”, encomendada pela Serasa. Produzido pelo Instituto Opinion Box, o levantamento ouviu 5.225 pessoas de todas as regiões do país. Entre as constatações, um dado alarmante: 83% dos endividados têm dificuldade para dormir por conta das dívidas.

Em entrevista à reportagem do Diário do Aço, a psiquiatra Ana Paula Brasil explicou o motivo que leva as pessoas à insônia, com as parcelas de contas a vencer. “O endividamento pode causar insônia na maioria das pessoas, devido à presença de pensamentos de conteúdo ansiosos, culpa, incapacidade e tristeza”, afirmou a médica.

E esses sentimentos listados pela psiquiatra precisam ser gerenciados pelos endividados, caso contrário, há o risco de desenvolvimento de situações mais delicadas. “Se o indivíduo não conseguir gerenciá-los, pode levar ao desenvolvimento de quadros depressivos, ansiedade generalizada e/ou síndrome do pânico”, alertou Ana Paula.

Mais impactos

Além da dificuldade no momento do “descanso sagrado” do trabalhador, o estudo mostrou outras consequências, relatada pelos entrevistados, que foram provocadas pelo endividamento, como: impactos na vida social (83%), pensamentos negativos (78%), dificuldade de concentração nas tarefas diárias (74%), impacto no relacionamento com familiares (63%), no relacionamento conjugal (62%), crises ou momentos de ansiedade (61%), incômodo por pedir dinheiro emprestado a familiares (57%), sentimento de muita tristeza e medo do futuro (53%), vergonha do endividamento (51%), afastamento dos amigos (36%) e a falta de confiança em cuidar das próprias finanças (33%). Houve relato ainda de pessoas que, por causa das dívidas, deixaram de frequentar reuniões familiares (31%).

Desemprego e endividamento

A pesquisa revelou também quais são os principais motivos do endividamento no país. O desemprego ainda é considerado o principal motivo, apontado por 29% dos entrevistados. A redução na renda (12%) e a falta de controle (8%) foram outras motivações apresentadas.

Passo a passo

Para aqueles que estão endividados e não sabem nem por onde começar, a educadora financeira Ellen Silvério dá algumas dicas. A primeira orientação é coragem. “Para olhar as dívidas e entender quais são os valores e me organizar financeiramente para pagar. Sabendo quanto eu recebo e quanto eu devo, preciso entender qual o valor posso tirar mensal para destinar ao pagamento dessas dívidas”, indicou.

A regra durante essa fase do endividamento é economizar. “A pessoa tem que entender que vai ter que começar a renunciar várias coisas e que essa economia é para um bem maior”, explicou. A educadora financeira lembra que tentar fazer uma renda extra é interessante, pois pode ajudar a quitar as dívidas.

É necessário que o endividado estabeleça prioridades. “Você precisa começar a pagar as dívidas que tem os maiores juros”, afirmou Ellen Silvério. Também é interessante elaborar um planejamento e entrar em contato com as instituições que se está devendo para negociar as dívidas. A profissional reforça que a quitação das dívidas é um processo. “É um passo de cada vez, para você poder sair desse ciclo”. Por fim, encerrou com um recado mais que importante: “enquanto você estiver quitando essas dívidas, não faça novas dívidas”, concluiu.
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Comentários

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Carlos Roberto Martins de Souza

19 de novembro, 2022 | 10:42

“Tira nada, não estão ai os idiotas fazendo paralisações, manifestações ao invés de trabalhar? Vagabundo não tem conta e quando tem, não paga. Se tivessem preocupados, estariam procurando uma forma de ajudar o novo e democrático governo.”

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