27 de novembro, de 2022 | 06:00
Primeiro passo
Fernando Rocha
O 1º tempo foi tenso, normal para uma estreia de Mundial. Os jogadores da seleção brasileira sentiram a forte marcação do time da Sérvia, que pouco se arriscou e teve erro zero.Já no segundo tempo foi um massacre da nossa seleção, que não só venceu de 2 x 0 como teve uma grande atuação de todos os jogadores, especialmente Vini Jr. e o autor dos dois gols, Richarlison, o nome do jogo, para alegria e alívio de milhões de brasileiros.
Valeu a ousadia do técnico Tite ao escalar o time com muitos atacantes e deixar por conta de Casemiro e Paquetá, na força física e na qualidade técnica, a marcação e o apoio à defesa, além de ajudar no ataque.
Agora que venha a Suíça, que venceu Camarões por 1 x 0 e também é candidata ao primeiro lugar do grupo, nesta segunda-feira, às 13h.
Foi dado o primeiro passo para o tão sonhado hexa do maior campeonato de futebol do planeta, e tomara que possamos ter Neymar na sequência dos jogos, uma vez que ele saiu de campo sentindo uma contusão no tornozelo
Muitas zebras
Os destaques nesta primeira semana da Copa do Qatar foram as zebras”, saudita e nipônica, que atropelaram duas seleções até então consideradas favoritas” ao título.
A zebra saudita pegou de surpresa a Argentina, que ontem enfrentou o México precisando da vitória para não voltar melancolicamente mais cedo para casa.
Já a zebra nipônica atropelou os alemães, também de virada, pelo mesmo placar de 2 x 1, numa demonstração de coragem impressionante, sobretudo, na segunda etapa, quando encurralou os germânicos como há muito tempo não se via.
No geral, os alemães tiveram mais o controle da partida, finalizaram mais e estiveram mais perto da vitória, mas a partir da mudança de postura do time japonês se perderam totalmente e a vitória nipônica acabou sendo justa.
FIM DE PAPO
A zebra”, muito comum no futebol, virou memi nesta Copa do Mundo para argentinos e alemães. Pouca gente sabe, no entanto, que ela surgiu no jogo do bicho, no século 19, por intermédio do Barão de Drumond, que dizia ter dado zebra” toda vez que se registrava um resultado inesperado, pois o animal não fazia parte do jogo. No futebol, a expressão foi introduzida pelo folclórico treinador Gentil Cardoso, nos anos 60, quando dirigia o Vasco da Gama, após o time cruzmaltino perder para a modesta Portuguesa pelo Campeonato Carioca. Na época, o saudoso e alegre Gentil Cardoso disse ter se tratado de uma grande zebra”. E virou moda.
Se foram mal dentro de campo, os jogadores alemães mandaram muito bem fora dele, ao protestarem contra o regime ditatorial e fascista do Qatar, além das proibições e ameaças impostas pela Fifa, posando para a foto oficial com a mão tapando a boca. A Copa possibilita ao mundo tomar conhecimento das diferenças gritantes entre o Qatar, um país que ainda nega às mulheres direitos fundamentais, em relação a outras nações ocidentais, onde elas têm condições bem mais igualitárias com os homens.
Um leitor da coluna, que está no Qatar, fez uma observação interessante e, ao mesmo tempo, bizarra sobre a Fan Fest oficial da Fifa. Segundo ele, o espaço é enorme e tudo muito bem organizado, mas faltam mulheres. Nos seus cálculos, 95% dos frequentadores são homens, escancarando os extremos culturais do país escolhido como sede de forma controversa pela Fifa.
A melhor definição que li até agora sobre este Mundial foi no blog do jornalista Chico Maia, que traz a postagem de um dos participantes, Mauro Lopes, de Belo Horizonte: Independente das delicadas questões de raça, gênero, religião e exploração trabalhista, tudo que vi desse lugar até agora é de um artificialismo que me causa mal-estar. Sou daqueles que não suporta ficar muito tempo dentro de um shopping. E essa copa parece estar sendo realizada dentro de um”. (Fecha o pano!)
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