18 de dezembro, de 2022 | 07:00

Deu a lógica

Fernando Rocha

Na Copa das “zebras do deserto” acabou dando a lógica e hoje, ao meio-dia aqui no Brasil, vamos assistir à final entre França e Argentina.

O que todos queriam ver irá se concretizar em campo, onde estarão os dois melhores jogadores deste Mundial, Mbappé pela França e Messi do lado argentino.

Os dois jogos das semifinais tiraram qualquer favoritismo nesta decisão, pois a poderosa França mostrou deficiências defensivas diante de Marrocos, enquanto a Argentina deu um baile na Croácia.

Se havia certo favoritismo para o lado francês, agora não existe mais, e o campeão, certamente, será conhecido por detalhes do jogo, que quase sempre escapa de qualquer previsão.

Dois gigantes
Antes da Copa do Qatar se iniciar, até mesmo a imprensa francesa não acreditava que a seleção comandada por Didier Deschamps teria o sucesso que vem obtendo na competição.

Foram inúmeros os desfalques de jogadores por contusões, sendo os mais importantes Kanté, Pogba e Benzema, este último eleito o melhor do mundo nesta temporada.

Mas o treinador francês demonstrou competência ímpar na montagem tática da equipe com o grupo que lhe sobrou, deixando a genialidade de Mbappé livre para desequilibrar os jogos.

Do outro lado, a Argentina apostou em um treinador jovem, Lionel Scaloni - em 2018, na Copa da Rússia, era o terceiro auxiliar de Sampaoli-, que, sem estrelismos, sem medo de mexer na equipe em sua maioria composta de jovens jogadores, que correm e deixam Messi expor toda sua genialidade, conseguiu vitórias que deixam os argentinos com totais condições de levantar a taça.

FIM DE PAPO

A minha sensação é de que a seleção da Argentina chega ligeiramente mais forte que a francesa para esta final. É só uma impressão, pois os franceses já demonstraram, sobretudo, quando tomaram um sufoco de Marrocos na semifinal, que também estão muito focados na busca do título. Outro fator que pode ajudar a Argentina de Messi é a sua torcida fanática e apaixonada, que estará em número bem maior no estádio Lusail.

Não é fácil chegar a duas finais seguidas, como a França está conseguindo, além de ser mais difícil ainda conquistar o bicampeonato mundial consecutivo. Até então, só o Brasil há 60 anos, 1958 e 1962, e a Itália, 1934 e 1938, conseguiram este feito. O nosso primeiro título mundial, em 1958, na Suécia, teve como destaque a estreia de Pelé, fazendo gols e arrebentando aos 17 anos e 249 dias de idade, até hoje o mais jovem jogador a ser campeão mundial. Em 1962, veio o bi na Copa do Chile, que teve Garrincha no auge, quase aos 30 anos, como grande protagonista fazendo diabruras com os adversários.

Além da genialidade de Messi, a Argentina tem mostrado algo sensacional nesta Copa, o que tem cativado até mesmo quem não simpatiza ou torce contra a sua seleção. Trata-se de Maria Cristina, a “Vó Lita”, perto dos 80 anos, que sai às ruas com sua bandeirinha para celebrar as vitórias, cantando uma música inventada por ela mesma, que diz apenas "Abuela (avó em português), lá lá lá lá lá, abuela". A simpática “Vó Lita” viralizou nas redes sociais e os empolgados argentinos agora vão até as casas de repouso de idosos, para cantar "Abuela lá lá lá" com os velhinhos que viraram uma espécie de “amuleto” de uma eventual conquista.

No Brasil não se dá muito destaque aos torcedores da terceira idade. Aqui nos nossos grotões, as mais famosas foram a Solomé do Cruzeiro e a Ana Cândida, a “Vovó do Galo”, ambas já falecidas. Como avô orgulhoso da pequena Isabela, de apenas nove meses, me sinto representado pela “Vó Lita”, sendo este um dos motivos, além do prazer de ver o gênio Messi jogar, de torcer pelos hermanos na decisão de hoje. No país que tem na sua história as “Mães da Praça de Maio”, uma legião de avós cantando “Abuela lá lá lá” torna-se uma força, um incentivo aos jogadores, de valor imensurável. (Fecha o pano!)
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